As prisões da P.I.D.E. / Luis Farinha
Idioma: Português.País: Portugal.Publicação: [S.l. : s.d]Descrição física: 117-147 p.; 30 cm PDFAssunto: DIREITO PENINTENCIÁRIO | 5106CDU: 343.24 Localização e Cota : 343.24FAR Resumo: Este é um pequeno ensaio sobre a longa e dolorosa via sacra, clandestina e prisional, percorrida pelos resistentes à ditadura de Salazar e de Marcelo Caetano durante a longa noite do fascismo português. Muito se sabe já e muito falta ainda saber. Se hoje alguém quiser ter uma ideia sobre quantos presos políticos foram retidos nas prisões da ditadura e por quanto tempo, quantos foram ou não julgados, que rostos tinham, ninguém, de boa fé, poderá afirmá- lo com rigor. Conhecemos os que foram encarcerados em prisões longas, conhecemos aqueles sobre os quais foram constituídos processos judiciais pelas polícias políticas e pelos tribunais, mas desconhecemos todos os outros que foram encarcerados sem que dessa prisão haja mais do que um pequeno (ou mesmo nenhum) registo. Para não dizermos que desconhecemos quase por completo os aprisionamentos feitos em espaços coloniais, sobre populações negras ou brancas, porque o controlo social era inexistente e porque as fontes escasseiam ou pura e simplesmente desapareceram. Ficou, no entanto, a memória que organizações de memória como a Tchiweka, em Angola, se tem esforçado por resgatar do silêncio. Porém, não será este desconhecimento que nos poderá levar alguma vez a negar a realidade: em Portugal foram presos milhares de cidadãos por «delito de opinião», quase sempre por efeito de delação e sem provas que possam comprovar as suas responsabilidades pelo ato de que eram acusados – normalmente de «crime contra a segurança do Estado». Em Portugal foram julgados milhares de cidadãos, com base em processos constituídos de forma sumária, sem direito a defesa ou a recurso. Entre 1933 e 1945, foram julgados 13806 presos, a esmagadora maioria acusada de «crime político», no Tribunal Militar Especial (Lisboa). Foram muitos ou poucos, pergunta-se. E faz sentido perguntar se foram muitos quando ignoramos o número de todos os outros que foram presos, mas não foram julgados? Fará mesmo sentido perguntar se foram muitos se considerarmos que se fosse apenas um já seria demais?| Item type | Current location | Call number | Copy number | Status | Date due | Barcode |
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| Monografias | Biblioteca da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais | 343.24FAR (Browse shelf) | 9199 | Available | DGRSP9199 |
Este é um pequeno ensaio sobre a longa e dolorosa via sacra, clandestina
e prisional, percorrida pelos resistentes à ditadura de Salazar e de Marcelo
Caetano durante a longa noite do fascismo português. Muito se sabe já e muito
falta ainda saber. Se hoje alguém quiser ter uma ideia sobre quantos presos
políticos foram retidos nas prisões da ditadura e por quanto tempo, quantos
foram ou não julgados, que rostos tinham, ninguém, de boa fé, poderá afirmá-
lo com rigor. Conhecemos os que foram encarcerados em prisões longas,
conhecemos aqueles sobre os quais foram constituídos processos judiciais pelas
polícias políticas e pelos tribunais, mas desconhecemos todos os outros que
foram encarcerados sem que dessa prisão haja mais do que um pequeno (ou
mesmo nenhum) registo. Para não dizermos que desconhecemos quase por
completo os aprisionamentos feitos em espaços coloniais, sobre populações
negras ou brancas, porque o controlo social era inexistente e porque as fontes
escasseiam ou pura e simplesmente desapareceram. Ficou, no entanto, a
memória que organizações de memória como a Tchiweka, em Angola, se tem
esforçado por resgatar do silêncio.
Porém, não será este desconhecimento que nos poderá levar alguma vez a
negar a realidade: em Portugal foram presos milhares de cidadãos por «delito
de opinião», quase sempre por efeito de delação e sem provas que possam
comprovar as suas responsabilidades pelo ato de que eram acusados – normalmente
de «crime contra a segurança do Estado». Em Portugal foram julgados
milhares de cidadãos, com base em processos constituídos de forma
sumária, sem direito a defesa ou a recurso. Entre 1933 e 1945, foram julgados
13806 presos, a esmagadora maioria acusada de «crime político», no Tribunal
Militar Especial (Lisboa). Foram muitos ou poucos, pergunta-se. E faz sentido
perguntar se foram muitos quando ignoramos o número de todos os outros
que foram presos, mas não foram julgados? Fará mesmo sentido perguntar se
foram muitos se considerarmos que se fosse apenas um já seria demais?
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