000 02322nam a2200253 4500
001 363155
090 _a363155
100 _a20210112u y0pory50 ba
101 _apor
200 _aQuem não quer ser lobo não lhe veste a pele
_bRecurso eletrónico
_eanálise do caso Saltão
_fSusana Costa
330 _aOs documentos produzidos pela polícia medeiam os entendimentos entre a cena do crime e o tribunal. A polícia dá visibilidade a uma narrativa e atribui legitimidade à sua performance. A decisão de dar a ver certos aspetos da narrativa, deixando outros invisíveis depende, em larga medida, do conhecimento forense e da consciência forense dos atores envolvidos e pode ter repercussões na produção de uma prova robusta e, consequentemente, na sentença em tribunal. Este artigo baseia-se na análise de um caso de homicídio ocorrido em 2012 e julgado num tribunal português que ficou conhecido como o caso Saltão. Explorando este caso, cuja principal suspeita foi Ana Saltão, uma inspetora da Polícia Judiciária (PJ) acusada de matar a avó do marido, procurarei mostrar como a consciência forense foi mobilizada pela defesa e pela acusação de diferentes formas. Por um lado, a acusação e a polícia de investigação criminal construíram a sua narrativa baseando-se na sua intuição de que Ana Saltão era a principal e única suspeita do homicídio da senhora, justificando alguns dos contornos do crime com o conhecimento de Ana Saltão para não deixar vestígios. Por outro lado, a defesa de Saltão usou o seu próprio conhecimento como profissional da polícia para tornar visíveis as fragilidades da atividade policial, desconstruindo toda a prova recolhida, tentando vestir a pele da ovelha e transformando a polícia em lobo. Quem é o lobo? Quem é a ovelha?
606 _aHOMICÍDIO
_9240884
606 _aPOLÍCIA CIENTÍFICA
_9305225
606 _aPRODUÇÃO DE PROVA
_9246127
606 _aTÉCNICA DE INVESTIGAÇÃO CRIMINAL
_9343118
606 _aESTUDO DE CASOS
_9322367
700 _aCosta
_bSusana
_9324953