O Impacto do self-distancing na regulação emocional e no raciocínio moral de jovens delinquentes / Joana Ferreira Castro ; ori.tese Rui A. Alves
Idioma: Português.País: Portugal.Publicação: [S.l. : s.n.], 2022Descrição física: 70 p. : il.; 30 cm em PDFColeção: EstudosNota de dissertação ou tese: Dissertação apresentada no Mestrado em Psicologia, área de Psicologia da Justiça e da Desviância, Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do PortoAssunto: 705 | 689 | REGULAÇÃO, PORTUGAL CDU: 158224Localização e Cota : EST1164 Resumo: O presente estudo teve como principal objetivo avaliar o impacto do self-distancing na regulação emocional e no raciocínio moral de jovens delinquentes. O self-distancing é uma técnica psicológica recente que implica a análise de experiências emocionais na terceira pessoa, por exemplo, através do recurso ao pronome pessoal “Ele”. Várias investigações têm demonstrado que o self-distancing é especialmente eficaz para populações em situação de vulnerabilidade, associando-o ao processamento adaptativo de experiências adversas. Estão documentados efeitos positivos na regulação emocional, no raciocínio moral e na capacidade de gestão e resolução de problemas. Postula-se que a perspetiva distanciada favorece interpretações mais amplas e objetivas que permitem reconstruir e atribuir novos significados aos acontecimentos. É reconhecido que os jovens delinquentes têm dificuldades nestas áreas, podendo, por isso, o self-distancing ser-lhes benéfico. Recorrendo a uma amostra de 57 participantes, subdivididos pelos grupos delinquente (n = 31) e não delinquente (n = 26), avaliamos a influência do self-distancing no afeto e na tomada de decisão moral, e comparamos os seus efeitos com a adoção de uma perspetiva na primeira pessoa (self-immersion). Os jovens foram aleatoriamente distribuídos pelas condições self-distancing e self-immersion, e realizaram uma reflexão escrita sobre um evento interpessoal negativo. Contrariamente ao esperado e ao reportado na literatura, o self-distancing não influenciou o juízo moral, nem parece ter promovido o ajustamento emocional dos participantes. Em particular, surgiu associado ao aumento do afeto negativo e à diminuição do afeto positivo, especialmente nos jovens não delinquentes. De igual modo, o self-distancing originou índices mais elevados de recontagem do que reconstrução. A reconstrução foi superior na condição self-imersion. Estes resultados são discutidos à luz da conceptualização atual do self-distancing e das especificidades dos grupos estudados. Finalmente, traçam-se pontos de partida para futuras investigações.| Item type | Current location | Call number | Copy number | Status | Date due | Barcode |
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| Monografias | Biblioteca da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais | EST1164 (Browse shelf) | 8790 | Available | DGRSP8790 |
Dissertação apresentada no Mestrado em Psicologia, área de Psicologia da Justiça e da Desviância, Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
O presente estudo teve como principal objetivo avaliar o impacto do self-distancing na regulação emocional e no raciocínio moral de jovens delinquentes. O self-distancing é uma técnica psicológica recente que implica a análise de experiências emocionais na terceira pessoa, por exemplo, através do recurso ao pronome pessoal “Ele”. Várias investigações têm demonstrado que o self-distancing é especialmente eficaz para populações em situação de vulnerabilidade, associando-o ao processamento adaptativo de experiências adversas. Estão documentados efeitos positivos na regulação emocional, no raciocínio moral e na capacidade de gestão e resolução de problemas. Postula-se que a perspetiva distanciada favorece interpretações mais amplas e objetivas que permitem reconstruir e atribuir novos significados aos acontecimentos. É reconhecido que os jovens delinquentes têm dificuldades nestas áreas, podendo, por isso, o self-distancing ser-lhes benéfico.
Recorrendo a uma amostra de 57 participantes, subdivididos pelos grupos delinquente (n = 31) e não delinquente (n = 26), avaliamos a influência do self-distancing no afeto e na tomada de decisão moral, e comparamos os seus efeitos com a adoção de uma perspetiva na primeira pessoa (self-immersion). Os jovens foram aleatoriamente distribuídos pelas condições self-distancing e self-immersion, e realizaram uma reflexão escrita sobre um evento interpessoal negativo. Contrariamente ao esperado e ao reportado na literatura, o self-distancing não influenciou o juízo moral, nem parece ter promovido o ajustamento emocional dos participantes. Em particular, surgiu associado ao aumento do afeto negativo e à diminuição do afeto positivo, especialmente nos jovens não delinquentes. De igual modo, o self-distancing originou índices mais elevados de recontagem do que reconstrução. A reconstrução foi superior na condição self-imersion. Estes resultados são discutidos à luz da conceptualização atual do self-distancing e das especificidades dos grupos estudados. Finalmente, traçam-se pontos de partida para futuras investigações.
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