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    <subfield code="a">Viol&#xEA;ncia nas rela&#xE7;&#xF5;es de intimidade</subfield>
    <subfield code="e">comportamentos e atitudes dos jovens</subfield>
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    <subfield code="a">1 tese</subfield>
    <subfield code="c">recurso electr&#xF3;nico, https://hdl.handle.net/1822/9493, acesso restrito</subfield>
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    <subfield code="a">Tese de Doutoramento em Psicologia,  Especialidade de Psicologia da Justi&#xE7;a, pela Universidade do Minho, Escola de Psicologia</subfield>
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    <subfield code="a">Durante anos, a viol&#xEA;ncia nas rela&#xE7;&#xF5;es de intimidade juvenil permaneceu omissa e/ou mesmo marginalizada nos discursos sociais e cient&#xED;ficos, por compara&#xE7;&#xE3;o com a viol&#xEA;ncia marital. As dificuldades associadas &#xE0; pr&#xF3;pria defini&#xE7;&#xE3;o de viol&#xEA;ncia e &#xE0; operacionaliza&#xE7;&#xE3;o desse conceito, a dificuldade de acesso dos investigadores &#xE0; popula&#xE7;&#xE3;o juvenil (e.g., necessidade de autoriza&#xE7;&#xE3;o dos pais) e a inexist&#xEA;ncia de um estatuto legal, aut&#xF3;nomo, alusivo &#xE0; viol&#xEA;ncia fora dos contextos maritais (e.g., condi&#xE7;&#xE3;o que restringe quer a sinaliza&#xE7;&#xE3;o, quer o acesso desta popula&#xE7;&#xE3;o aos servi&#xE7;os de apoio formais) s&#xE3;o alguns dos factores que em parte contribu&#xED;ram para que este problema permanecesse oculto/inexplorado (Hickman, Jaycox, &amp; Aronoff, 2004) e que continuam a dificultar o seu conhecimento. Contudo, e n&#xE3;o obstante estas dificuldades, a viol&#xEA;ncia nas rela&#xE7;&#xF5;es amorosas juvenis tem vindo progressivamente a ser considerada um problema social relevante e merecedor de aten&#xE7;&#xE3;o em si mesmo, recebendo uma aten&#xE7;&#xE3;o crescente por parte da comunidade cient&#xED;fica. Assim sendo, os objectivos deste trabalho foram, por um lado, caracterizar a preval&#xEA;ncia das diferentes formas de viol&#xEA;ncia nas rela&#xE7;&#xF5;es &#xED;ntimas da popula&#xE7;&#xE3;o juvenil, em termos da perpetra&#xE7;&#xE3;o e da vitima&#xE7;&#xE3;o, bem como analisar as cren&#xE7;as e atitudes em rela&#xE7;&#xE3;o a estes comportamentos. Por outro lado, procurou-se analisar a forma como a viol&#xEA;ncia era significada pelos jovens, especificamente; quais os actos representados por estes como violentos, quais as causas percebidas para a viol&#xEA;ncia e de que forma os jovens compreendem as suas din&#xE2;micas, qual o seu grau de toler&#xE2;ncia perante as diferentes condutas abusivas (e as circunst&#xE2;ncias em que tal desculpabiliza&#xE7;&#xE3;o ocorre) e de que forma as representa&#xE7;&#xF5;es sobre os pap&#xE9;is de g&#xE9;nero se articulam com a toler&#xE2;ncia &#xE0; viol&#xEA;ncia. Na parte te&#xF3;rica deste trabalho, come&#xE7;amos por comprovar a relev&#xE2;ncia social deste problema, mediante a an&#xE1;lise de um vasto corpo de estudos que t&#xEA;m vindo a caracterizar a epidemiologia deste fen&#xF3;meno. Para al&#xE9;m de apresentarmos o &#x201C;estado da arte&#x201D; sobre a preval&#xEA;ncia deste tipo de abuso, em termos internacionais e nacionais, procuramos ainda tecer algumas considera&#xE7;&#xF5;es sobre os principais problemas metodol&#xF3;gicos que a investiga&#xE7;&#xE3;o neste &#xE2;mbito enfrenta, sugerindo igualmente alguns desafios para futuros estudos. Depois disto, e dado que para prevenir o problema &#xE9; condi&#xE7;&#xE3;o fundamental conhecer as suas causas, analis&#xE1;mos, no segundo cap&#xED;tulo desta disserta&#xE7;&#xE3;o, aquelas investiga&#xE7;&#xF5;es que procuram identificar as condi&#xE7;&#xF5;es e/ou factores que favorecem a ocorr&#xEA;ncia deste tipo de abuso. Atendendo a que as atitudes e/ou cren&#xE7;as abusivas t&#xEA;m sido conceptualizadas como um dos preditores mais consistentes do abuso &#xED;ntimo, discutimos, no terceiro cap&#xED;tulo desta tese, a forma como estas podem favorecer a viol&#xEA;ncia &#xED;ntima, assim como a sua rela&#xE7;&#xE3;o com a dimens&#xE3;o cultural e as rela&#xE7;&#xF5;es de g&#xE9;nero. A parte emp&#xED;rica desta disserta&#xE7;&#xE3;o compreendeu dois estudos metodologicamente distintos, mas complementares: o primeiro estudo, de natureza quantitativa, procurou caracterizar o fen&#xF3;meno da viol&#xEA;ncia na intimidade juvenil, ao n&#xED;vel da sua preval&#xEA;ncia (do ponto de vista da perpetra&#xE7;&#xE3;o e da vitima&#xE7;&#xE3;o) e principais correlatos socio-demogr&#xE1;ficos. Foram tamb&#xE9;m analisadas as cren&#xE7;as e atitudes da popula&#xE7;&#xE3;o juvenil acerca deste tipo de comportamentos. Este estudo foi realizado com uma amostra de 4667 jovens, dos 13 aos 29 anos, recorrendo-se a um question&#xE1;rio de avalia&#xE7;&#xE3;o das atitudes e a outro de avalia&#xE7;&#xE3;o dos comportamentos violentos no contexto das suas rela&#xE7;&#xF5;es afectivas. A partir deste estudo foi poss&#xED;vel comprovar que um n&#xFA;mero significativo de jovens de v&#xE1;rios contextos formativos tende a adoptar condutas violentas nas suas rela&#xE7;&#xF5;es amorosas, que as din&#xE2;micas violentas compreendem sobretudo formas de viol&#xEA;ncia &#x201C;menor&#x201D;, e que n&#xE3;o existe um padr&#xE3;o claro de diferencia&#xE7;&#xE3;o de g&#xE9;nero na perpetra&#xE7;&#xE3;o da viol&#xEA;ncia &#xED;ntima. No plano atitudinal, evidenciou-se uma tend&#xEA;ncia global para a desaprova&#xE7;&#xE3;o da viol&#xEA;ncia, ainda que o g&#xE9;nero masculino se destaque no sentido de uma maior legitima&#xE7;&#xE3;o deste tipo de abuso. O segundo estudo, de natureza qualitativa, recorreu &#xE0; realiza&#xE7;&#xE3;o de nove grupos de discuss&#xE3;o com jovens de diferentes contextos formativos. Atrav&#xE9;s da Grounded Analysis das discuss&#xF5;es de grupo, verific&#xE1;mos que, em termos gerais, os jovens efectivamente reprovam o uso da viol&#xEA;ncia na intimidade e evidenciam alguma consci&#xEA;ncia das din&#xE2;micas e consequ&#xEA;ncias deste tipo de abuso. Por&#xE9;m, uma an&#xE1;lise mais pormenorizada dos seus discursos aponta para uma certa permeabilidade a no&#xE7;&#xF5;es que contribuem para a minimiza&#xE7;&#xE3;o e desculpabiliza&#xE7;&#xE3;o de certas formas de viol&#xEA;ncia, em certas circunst&#xE2;ncias (e.g., minimiza&#xE7;&#xE3;o da viol&#xEA;ncia menor; &#x201C;nega&#xE7;&#xE3;o&#x201D; da viol&#xEA;ncia sexual; aus&#xEA;ncia de gravidade atribu&#xED;da a certos actos abusivos; desculpabiliza&#xE7;&#xE3;o da viol&#xEA;ncia quando o agressor &#xE9; percebido como agindo de forma impulsiva e descontrolada ou quando manifesta arrependimento; atribui&#xE7;&#xE3;o da responsabilidade pelo abuso &#xE0; v&#xED;tima). Partindo dos contributos que a realiza&#xE7;&#xE3;o destes estudos proporcionou, sugerimos, nas conclus&#xF5;es deste trabalho, algumas medidas preventivas a desenvolver no &#xE2;mbito da viol&#xEA;ncia na intimidade juvenil, e apresentamos alguns desafios e pistas para futuros estudos a desenvolver sobre esta mat&#xE9;ria.</subfield>
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