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    <subfield code="a">A perce&#xE7;&#xE3;o das crian&#xE7;as sobre os conflitos interparentais</subfield>
    <subfield code="e">impacto no desenvolvimento em idade escolar</subfield>
    <subfield code="f">Telma Catarina Ferreira de Almeida</subfield>
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    <subfield code="a">[Braga]</subfield>
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    <subfield code="a">1 tese</subfield>
    <subfield code="c">recurso electr&#xF3;nico, https://hdl.handle.net/1822/19635, acesso restrito</subfield>
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    <subfield code="a">Estudos</subfield>
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    <subfield code="a">Tese de Doutoramento em Psicologia,  Especialidade de Psicologia da Justi&#xE7;a, pela Universidade do Minho, Escola de Psicologia</subfield>
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    <subfield code="a">A viol&#xEA;ncia interparental pressup&#xF5;e o desenvolvimento de problemas quer de internaliza&#xE7;&#xE3;o (e.g., medo acrescido, sentimentos de culpa) quer de externaliza&#xE7;&#xE3;o (e.g., comportamentos de agressividade) na crian&#xE7;a (Bourassa, 2007; Gon&#xE7;alves &amp; Sani, 2006; Shen, 2009). A revis&#xE3;o da literatura mostra que a compreens&#xE3;o das crian&#xE7;as mais pequenas acerca dos conflitos violentos entre os pais &#xE9; diferente da perce&#xE7;&#xE3;o das crian&#xE7;as mais velhas (Grych, 1998). Durante muito tempo a exposi&#xE7;&#xE3;o &#xE0; viol&#xEA;ncia entre os pais permaneceu como um problema oculto na privacidade familiar, fazendo da crian&#xE7;a mais uma v&#xED;tima silenciosa. Com a gradual tomada de consci&#xEA;ncia quer a n&#xED;vel social quer a n&#xED;vel profissional acerca da preval&#xEA;ncia e do impacto que os conflitos entre os pais t&#xEA;m na crian&#xE7;a, esta problem&#xE1;tica come&#xE7;ou a ser estudada a n&#xED;vel mundial, destacando a pertin&#xEA;ncia do aumento de investiga&#xE7;&#xE3;o nesta &#xE1;rea. Este estudo teve como principal objetivo avaliar as perce&#xE7;&#xF5;es de crian&#xE7;as v&#xED;timas de viol&#xEA;ncia interparental perante os conflitos entre os pais. Procurou perceberse a forma como estas crian&#xE7;as caracterizam essas viv&#xEA;ncias e de que modo elas se traduzem num impacto negativo em crian&#xE7;as com idade escolar. Na revis&#xE3;o do estado da arte come&#xE7;ou por se descrever a pertin&#xEA;ncia do estudo da viol&#xEA;ncia interparental atrav&#xE9;s da abordagem a um elevado n&#xFA;mero de estudos que comprovam a sua relev&#xE2;ncia. Come&#xE7;a por se descrever a preval&#xEA;ncia da problem&#xE1;tica, os factores que medeiam o seu impacto, o impacto na crian&#xE7;a aos v&#xE1;rios n&#xED;veis, as abordagens te&#xF3;ricas que sustentam a compreens&#xE3;o deste tipo de viol&#xEA;ncia, a avalia&#xE7;&#xE3;o e algumas formas de interven&#xE7;&#xE3;o em v&#xED;timas. No segundo cap&#xED;tulo desta tese procedeu-se &#xE0; elabora&#xE7;&#xE3;o de dois estudos com diferentes metodologias. Numa primeira fase, procedeu-se &#xE0; adapta&#xE7;&#xE3;o da Children&#x2019;s Perception of Interparental ConflictScale (CPIC-Y: Grych, 2000) &#xE0; popula&#xE7;&#xE3;o portuguesa, uma escala que acede &#xE0;s perce&#xE7;&#xF5;es de crian&#xE7;as em idade escolar relativamente aos conflitos interparentais. Este processo permitiu proceder de seguida, ao primeiro estudo deste trabalho. No primeiro estudo, pretendeu-se, atrav&#xE9;s de uma metodologia quantitativa, avaliar as perce&#xE7;&#xF5;es de crian&#xE7;as dos 7 aos 9 anos de idade v&#xED;timas de viol&#xEA;ncia interparental. Pretendeu-se perceber tamb&#xE9;m se as perce&#xE7;&#xF5;es destas crian&#xE7;as v&#xED;timas se distinguem das perce&#xE7;&#xF5;es de crian&#xE7;as n&#xE3;o sinalizadas como v&#xED;timas de viol&#xEA;ncia interparental e identificar vari&#xE1;veis pass&#xED;veis de mediar o impacto desta vitima&#xE7;&#xE3;o. Especificamente, analisou-se a idade, o sexo e a realidade atual da crian&#xE7;a (se vive ou n&#xE3;o institucionalizada), na media&#xE7;&#xE3;o do impacto da exposi&#xE7;&#xE3;o a epis&#xF3;dios de conflito entre os progenitores. A partir deste estudo, foi poss&#xED;vel verificar que as crian&#xE7;as v&#xED;timas de viol&#xEA;ncia interparental percecionam maiores n&#xED;veis de conflito interparental no casal, percebem maiores n&#xED;veis de culpa e menor rela&#xE7;&#xE3;o com os seus pais comparativamente as crian&#xE7;as n&#xE3;o sinalizadas como v&#xED;timas. O segundo estudo, de metodologia qualitativa, recorreu &#xE0; realiza&#xE7;&#xE3;o de dezoito entrevistas a crian&#xE7;as dos 7 aos 9 anos de idade, v&#xED;timas de viol&#xEA;ncia interparental. Pretendeu-se compreender, atrav&#xE9;s da Grounded Theory, as experi&#xEA;ncias destas crian&#xE7;as face aos conflitos entre os pais. Analisaram-se assim os relatos das crian&#xE7;as v&#xED;timas de viol&#xEA;ncia interparental, de forma a aceder &#xE0;s suas representa&#xE7;&#xF5;es face aos momentos em que viviam em viol&#xEA;ncia, ao momento de transi&#xE7;&#xE3;o e de viv&#xEA;ncia sem a viol&#xEA;ncia interparental. Verificou-se que as crian&#xE7;as identificam sobretudo intera&#xE7;&#xF5;es negativas entre os progenitores, com presen&#xE7;a de viol&#xEA;ncia verbal, emocional/psicol&#xF3;gica e f&#xED;sica no casal. Foi poss&#xED;vel tamb&#xE9;m constatar que algumas destas crian&#xE7;as &#xE9; tamb&#xE9;m v&#xED;tima de viol&#xEA;ncia por parte dos progenitores e a grande maioria identifica impacto negativo a n&#xED;vel emocional, cognitivo, comportamental e f&#xED;sico. Destaca-se tamb&#xE9;m a refer&#xEA;ncia ao consumo de &#xE1;lcool/drogas por parte do agressor, a sensa&#xE7;&#xE3;o de impot&#xEA;ncia face aos conflitos pela crian&#xE7;a, ao desejo de reconcilia&#xE7;&#xE3;o, e o recurso ao suporte social. A experi&#xEA;ncia de viver sem viol&#xEA;ncia representa para estas crian&#xE7;as, um apaziguamento da sintomatologia subjacente ao impacto negativo da exposi&#xE7;&#xE3;o &#xE0; viol&#xEA;ncia interparental. Este trabalho acrescenta contributos importantes para o reconhecimento do peso que a viol&#xEA;ncia interparental representa na vida destas crian&#xE7;as, sobretudo em idades t&#xE3;o jovens.</subfield>
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