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    <subfield code="a">Reincid&#xEA;ncia em comportamentos criminais e violentos</subfield>
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    <subfield code="f">Ana Cristina Sabino Pestana Neves</subfield>
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    <subfield code="a">1 tese</subfield>
    <subfield code="c">recurso eletr&#xF3;nico, https://hdl.handle.net/1822/10992, acesso restrito </subfield>
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    <subfield code="a">Estudos</subfield>
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    <subfield code="a">Tese de Doutoramento em Psicologia,  Especialidade de Psicologia da Justi&#xE7;a, pela Universidade do Minho, Escola de Psicologia</subfield>
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    <subfield code="a">A possibilidade de previs&#xE3;o da reincid&#xEA;ncia reveste-se de um enorme interesse, n&#xE3;o s&#xF3; para aqueles que lidam profissionalmente com ofensores, mas tamb&#xE9;m para a sociedade em geral. O estado actual do conhecimento sobre os factores associados ao comportamento criminal torna poss&#xED;vel afirmar-se que este &#xE9; previs&#xED;vel de forma v&#xE1;lida e precisa (Andrews &amp; Bonta, 2006), atrav&#xE9;s de um processo de avalia&#xE7;&#xE3;o de risco. Existe algum consenso na literatura quanto aos princ&#xED;pios que devem orientar a avalia&#xE7;&#xE3;o de risco: ela deve ser objectiva, estruturada, baseada nas evid&#xEA;ncias, din&#xE2;mica, abrangente e &#xFA;til para a interven&#xE7;&#xE3;o. Para este efeito t&#xEA;m sido desenvolvidos diversos instrumentos, em institui&#xE7;&#xF5;es acad&#xE9;micas e profissionais, com efic&#xE1;cia demonstrada em variadas popula&#xE7;&#xF5;es e contextos. Na concep&#xE7;&#xE3;o destes instrumentos, a literatura divide-se quando se considera a avalia&#xE7;&#xE3;o de risco de reincid&#xEA;ncia geral (Andrews et al., 2006) e de risco de viol&#xEA;ncia (Douglas et al., 1998), ao n&#xED;vel das metodologias utilizadas, bem como dos factores de risco considerados. A principal diverg&#xEA;ncia encontra-se na extens&#xE3;o na qual se admite o ju&#xED;zo cl&#xED;nico no processo de avalia&#xE7;&#xE3;o. Apesar de ser latente alguma rivalidade nas abordagens, parece haver espa&#xE7;o para todas as perspectivas (Raynor et al., 2000), como mostra a ampla dissemina&#xE7;&#xE3;o dos respectivos instrumentos em v&#xE1;rios pa&#xED;ses e servi&#xE7;os. Se internacionalmente a avalia&#xE7;&#xE3;o de risco se encontra sobejamente disseminada, em Portugal o interesse por ela despertado &#xE9; apenas recente. Da lacuna identificada de instrumentos estruturados de avalia&#xE7;&#xE3;o de risco de reincid&#xEA;ncia, que se traduz em poucos estudos de investiga&#xE7;&#xE3;o cient&#xED;fica e numa utiliza&#xE7;&#xE3;o escassa ou quase inexistente na pr&#xE1;tica profissional, bem como da aus&#xEA;ncia de um conhecimento sistem&#xE1;tico das popula&#xE7;&#xF5;es alvo e da respectiva reincid&#xEA;ncia, surgiu o objectivo geral da presente investiga&#xE7;&#xE3;o: explorar as metodologias de avalia&#xE7;&#xE3;o de necessidades e risco de reincid&#xEA;ncia criminal numa amostra da popula&#xE7;&#xE3;o portuguesa, atrav&#xE9;s da aplica&#xE7;&#xE3;o e an&#xE1;lise de dois robustos e fundamentados instrumentos canadianos: o LSI-R (Andrews &amp; Bonta, 1995), concebido para avaliar o risco de reincid&#xEA;ncia geral, e o HCR-20, concebido para avaliar o risco de viol&#xEA;ncia (Webster et al., 1997). Para a concretiza&#xE7;&#xE3;o deste objectivo realizou-se um estudo longitudinal prospectivo, no qual 158 indiv&#xED;duos a cumprir medidas judiciais com acompanhamento da Direc&#xE7;&#xE3;o Geral de Reinser&#xE7;&#xE3;o Social foram avaliados com o LSI-R e com o HCR-20 e sujeitos a um follow-up m&#xE9;dio de 13 meses, com uma avalia&#xE7;&#xE3;o interm&#xE9;dia ap&#xF3;s uma m&#xE9;dia de 6 meses. Durante este per&#xED;odo foram registadas todas as ocorr&#xEA;ncias de reincid&#xEA;ncia criminal geral e de comportamentos violentos. Considerou-se reincid&#xEA;ncia geral na presen&#xE7;a de anomalias no cumprimento das medidas judiciais, comportamentos criminais e/ou violentos auto-relatados ou detectados oficialmente. Os resultados foram organizados em 8 estudos e analisados numa dupla vertente: uma vertente de caracteriza&#xE7;&#xE3;o, na qual foram descritos os perfis de risco, a reincid&#xEA;ncia e sua evolu&#xE7;&#xE3;o na amostra de ofensores Portugueses; e uma vertente de replica&#xE7;&#xE3;o, na qual verificou que as propriedades psicom&#xE9;tricas dos instrumentos utilizados com esta amostra se aproximam daquelas reportadas nos estudos internacionais (e.g. Raynor et al., 2000; Douglas et al., 2008; Dahle, 2006; Hare, 2003). Para al&#xE9;m dos contributos para o contexto Portugu&#xEA;s, alguns dos estudos realizados no &#xE2;mbito desta investiga&#xE7;&#xE3;o contribuem para o actual estado da arte na literatura internacional, ao fornecer evid&#xEA;ncias da efic&#xE1;cia do LSI-R e do HCR- 20 com diferentes popula&#xE7;&#xF5;es, na previs&#xE3;o de comportamentos criminais gerais e violentos, numa perspectiva comparativa e com uma metodologia din&#xE2;mica. As conclus&#xF5;es apoiam a import&#xE2;ncia de encarar a avalia&#xE7;&#xE3;o de risco de reincid&#xEA;ncia geral e de viol&#xEA;ncia de forma complementar e n&#xE3;o rival, sendo que a op&#xE7;&#xE3;o por um ou por outro m&#xE9;todo depender&#xE1; mais do contexto de aplica&#xE7;&#xE3;o e da utilidade dos factores de risco contemplados nessa popula&#xE7;&#xE3;o (Raynor et al., 2000). Os estudos realizados foram marcados por limita&#xE7;&#xF5;es metodol&#xF3;gicas que condicionaram a possibilidade de generalizar os resultados obtidos, bem como o alcance das conclus&#xF5;es e dos contributos da investiga&#xE7;&#xE3;o. N&#xE3;o obstante, &#xE9; poss&#xED;vel derivar tend&#xEA;ncia e indicadores com implica&#xE7;&#xF5;es pr&#xE1;ticas e relevantes para estudos futuros. Em termos te&#xF3;ricos, espera-se que esta tese ofere&#xE7;a um panorama dos progressos e do estado da arte a n&#xED;vel internacional em mat&#xE9;ria de avalia&#xE7;&#xE3;o de risco de reincid&#xEA;ncia, reflectindo sobre a sua adequabilidade no contexto portugu&#xEA;s. N&#xE3;o se pretende que esta investiga&#xE7;&#xE3;o seja um fim em si mesmo, mas sim um ponto de partida para o estudo e a implementa&#xE7;&#xE3;o pr&#xE1;tica da avalia&#xE7;&#xE3;o de risco de risco de reincid&#xEA;ncia em Portugal.</subfield>
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