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    <subfield code="a">Stalking entre jovens</subfield>
    <subfield code="e">da sedu&#xE7;&#xE3;o ao ass&#xE9;dio persistente</subfield>
    <subfield code="f">Helena Maria Fernandes Grangeia</subfield>
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    <subfield code="c">Universidade do Minho</subfield>
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    <subfield code="c">recurso eletr&#xF3;nico, https://hdl.handle.net/1822/24862, acesso restrito </subfield>
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    <subfield code="a">Tese de Doutoramento em Psicologia,  Especialidade de Psicologia da Justi&#xE7;a, pela Universidade do Minho, Escola de Psicologia</subfield>
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    <subfield code="a">A omnipresen&#xE7;a indesejada de outro, a imprevisibilidade e o risco iminente constituem aspetos inerentes &#xE0; vitima&#xE7;&#xE3;o por stalking. Esta &#xE9; tipicamente uma experi&#xEA;ncia com graves implica&#xE7;&#xF5;es no bem-estar f&#xED;sico, psicol&#xF3;gico e social das v&#xED;timas. No entanto, n&#xE3;o &#xE9; &#xF3;bvio que esta seja assim entendida, uma vez que o stalking n&#xE3;o &#xE9; ainda amplamente reconhecido em Portugal como uma forma aut&#xF3;noma de viol&#xEA;ncia interpessoal. Partindo desse contexto, um objetivo central deste trabalho consiste em compreender como &#xE9; que esta conjetura de relativa invisibilidade social do stalking molda as perce&#xE7;&#xF5;es das v&#xED;timas, dos stalkers e das audi&#xEA;ncias. Particularmente procura-se captar e estudar os processos de defini&#xE7;&#xE3;o e significa&#xE7;&#xE3;o social do stalking e as suas implica&#xE7;&#xF5;es a n&#xED;vel individual. Pretende-se, por &#xFA;ltimo, contribuir para o reconhecimento e o debate informado sobre o stalking em Portugal para que se desenvolvam pol&#xED;ticas e pr&#xE1;ticas efetivas que obstem a manifesta&#xE7;&#xE3;o do stalking e garantam respostas proporcionais &#xE0;s necessidades sentidas pelas v&#xED;timas. Tais inten&#xE7;&#xF5;es conduziram ao desenvolvimento dos cinco cap&#xED;tulos apresentados &#x2013; duas revis&#xF5;es te&#xF3;ricas e tr&#xEA;s estudos emp&#xED;ricos. Estes &#xFA;ltimos assentam numa pluralidade metodol&#xF3;gica estritamente relacionada com os objetivos espec&#xED;ficos de cada um. Assume-se, portanto, o pragmatismo como grelha concetual que advoga uma liga&#xE7;&#xE3;o estreita entre teoria e pr&#xE1;tica e favorece a multiplicidade metodol&#xF3;gica face &#xE0; abrang&#xEA;ncia da quest&#xE3;o de investiga&#xE7;&#xE3;o. Na tentativa de aproxima&#xE7;&#xE3;o ao objeto de estudo foram desenvolvidos duas revis&#xF5;es te&#xF3;ricas. A primeira permitiu um mapeamento atualizado do conhecimento cient&#xED;fico sobre o stalking no panorama internacional. A discuss&#xE3;o te&#xF3;rica que o integra procurou evidenciar pontos de converg&#xEA;ncia e de descontinuidade entre perspetivas conceptuais e emp&#xED;ricas. Sobressai deste estudo a multiplicidade de defini&#xE7;&#xF5;es e perspetivas te&#xF3;ricas, resultante de um objeto de estudo apenas recentemente explorado. Contrastantes com a ambiguidade da sua defini&#xE7;&#xE3;o, surgem evid&#xEA;ncias de uma inquietante preval&#xEA;ncia na popula&#xE7;&#xE3;o em geral e do potencial nocivo que a vitima&#xE7;&#xE3;o por stalking encerra. No segundo trabalho te&#xF3;rico percorreu-se o processo de constru&#xE7;&#xE3;o social do stalking, particularmente evidente nos pa&#xED;ses anglo-sax&#xF3;nicos, desde a sua invisibilidade at&#xE9; ao seu atual estatuto como um problema social e de justi&#xE7;a criminal. Contrapondo com as medidas judiciais e sociais decorrentes do reconhecimento apresentam-se as implica&#xE7;&#xF5;es resultantes da invisibilidade do fen&#xF3;meno no contexto nacional. S&#xE3;o discutidas particularmente as dificuldades ao n&#xED;vel das respostas eficazes dirigidas &#xE0;s v&#xED;timas quando a experi&#xEA;ncia de stalking n&#xE3;o &#xE9; reconhecida autonomamente. Relativamente aos estudos emp&#xED;ricos, numa primeira fase o stalking foi abordado como um poss&#xED;vel extremo de uma persegui&#xE7;&#xE3;o relacional indesejada. O objetivo era compreender o processo em que uma rejei&#xE7;&#xE3;o amorosa se poder&#xE1; transformar numa persegui&#xE7;&#xE3;o com car&#xE1;ter intrusivo. Atrav&#xE9;s de um question&#xE1;rio de autorrelato, especialmente constru&#xED;do para o efeito, foram inquiridos 388 jovens universit&#xE1;rios sobre as suas experi&#xEA;ncias de rejei&#xE7;&#xE3;o amorosa. Os resultados indicaram que a persegui&#xE7;&#xE3;o relacional indesejada &#xE9; uma experi&#xEA;ncia muito comum entre os jovens universit&#xE1;rios, com carater&#xED;sticas que se coadunam com as defini&#xE7;&#xF5;es mais conservadoras de stalking. Por&#xE9;m, no que respeita aos comportamentos de stalking, apenas a presen&#xE7;a de amea&#xE7;as claras e viol&#xEA;ncia concreta predizia uma rea&#xE7;&#xE3;o negativa do alvo. O g&#xE9;nero surge como um importante fator diferenciador ao n&#xED;vel das perce&#xE7;&#xF5;es, dado que os homens &#x2013; quer como alvos, quer como perseguidores &#x2013; apresentam genericamente vers&#xF5;es mais brandas da sua experi&#xEA;ncia comparativamente &#xE0;s mulheres inquiridas, sugerindo a exist&#xEA;ncia de um padr&#xE3;o duplo de entendimento destas experi&#xEA;ncias. No segundo estudo, atrav&#xE9;s de um inqu&#xE9;rito online, procurou-se aceder &#xE0; preval&#xEA;ncia e &#xE0;s perce&#xE7;&#xF5;es de legitima&#xE7;&#xE3;o associadas &#xE0; vitima&#xE7;&#xE3;o e perpetra&#xE7;&#xE3;o do stalking entre jovens universit&#xE1;rios. Das 3367 participa&#xE7;&#xF5;es analisadas verificou-se uma preval&#xEA;ncia autorrelatada de 34.5% de vitima&#xE7;&#xE3;o e 8.9% de perpetra&#xE7;&#xE3;o. Fatores tais como a exist&#xEA;ncia de uma rela&#xE7;&#xE3;o &#xED;ntima pr&#xE9;via entre v&#xED;tima e stalker, a experi&#xEA;ncia de medo pela v&#xED;tima e a coocorr&#xEA;ncia de amea&#xE7;as e viol&#xEA;ncia prediziam n&#xED;veis mais elevados de desaprova&#xE7;&#xE3;o da conduta, tanto nas v&#xED;timas como nos stalker. O &#xFA;ltimo estudo procurou compreender as din&#xE2;micas culturais que sustentam o comportamento de stalking. Foram analisados criticamente dois tipos de dados conversacionais: declara&#xE7;&#xF5;es de v&#xED;timas de stalking publicadas online e grupos de discuss&#xE3;o com jovens estudantes do ensino secund&#xE1;rio e universit&#xE1;rio. Da an&#xE1;lise emergem constru&#xE7;&#xF5;es discursivas que apresentam o stalking, por um lado, como uma forma leg&#xED;tima de sedu&#xE7;&#xE3;o, especialmente se os stalkers forem do sexo masculino ou, por outro, como uma express&#xE3;o de uma patologia, particularmente se as stalkers forem mulheres. Estas constru&#xE7;&#xF5;es discursivas implicam, por &#xFA;ltimo, a descredibiliza&#xE7;&#xE3;o das v&#xED;timas e a desresponsabiliza&#xE7;&#xE3;o dos stalkers.</subfield>
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