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    <subfield code="a">Stalking p&#xF3;s-rutura</subfield>
    <subfield code="e">das caracter&#xED;sticas aos significados das mulheres v&#xED;timas</subfield>
    <subfield code="f">C&#xE9;lia Isabel Lima Ferreira</subfield>
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    <subfield code="c">Universidade do Minho</subfield>
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    <subfield code="a">1 tese</subfield>
    <subfield code="c">recurso eletr&#xF3;nico, https://hdl.handle.net/1822/24835, acesso restrito </subfield>
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    <subfield code="a">Estudos</subfield>
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    <subfield code="a">Tese de Doutoramento em Psicologia,  Especialidade de Psicologia da Justi&#xE7;a, pela Universidade do Minho, Escola de Psicologia</subfield>
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    <subfield code="a">No final da d&#xE9;cada de 90 do s&#xE9;culo XX uma nova forma de viol&#xEA;ncia interpessoal adquiriu visibilidade na sociedade ocidental: o stalking. Apesar da novidade do termo, esta conduta descreve um comportamento antigo, podendo ser definido como um &#x201C;padr&#xE3;o de comportamentos de ass&#xE9;dio persistente, que se traduz em formas diversas de comunica&#xE7;&#xE3;o, contacto, vigil&#xE2;ncia e monitoriza&#xE7;&#xE3;o de uma pessoa&#x201D; (Grangeia &amp; Matos, 2010, p. 124). Na presente disserta&#xE7;&#xE3;o debru&#xE7;amo-nos especificamente sobre o stalking ap&#xF3;s a rutura relacional, reconhecido como um dos cen&#xE1;rios de stalking mais expressivo e idiossincr&#xE1;tico. Apesar do conhecimento cient&#xED;fico acumulado, a investiga&#xE7;&#xE3;o nesta &#xE1;rea enfrenta ainda muitos desafios, quer no plano internacional, quer no plano nacional. Esta constata&#xE7;&#xE3;o confere relev&#xE2;ncia te&#xF3;rica e pr&#xE1;tica a este trabalho. No primeiro cap&#xED;tulo desta disserta&#xE7;&#xE3;o (Cap&#xED;tulo 1) apresentamos o estado da arte sobre o stalking p&#xF3;s-rutura relacional, refletindo sobre as m&#xFA;ltiplas din&#xE2;micas associadas a esta modalidade de vitima&#xE7;&#xE3;o. Especificamente, discutimos as principais idiossincrasias deste cen&#xE1;rio de stalking, caracterizadas por estrat&#xE9;gias altamente intrusivas e amea&#xE7;adoras; elevado risco de viol&#xEA;ncia f&#xED;sica; elevado risco de persist&#xEA;ncia e reincid&#xEA;ncia dos comportamentos e, ainda, elevado risco de dano psicossocial para a v&#xED;tima. Merecem igualmente a nossa aten&#xE7;&#xE3;o os modelos te&#xF3;ricos que procuram explicar este fen&#xF3;meno, assim como os desafios que a investiga&#xE7;&#xE3;o nacional e internacional sobre o tema ainda enfrenta. O primeiro estudo emp&#xED;rico desta disserta&#xE7;&#xE3;o (Cap&#xED;tulo II) teve como objetivo conhecer as din&#xE2;micas associadas ao stalking p&#xF3;s-rutura, as respostas das v&#xED;timas face ao mesmo e os preditores de desajustamento psicossocial na v&#xED;tima. A amostra constitui-se por mulheres v&#xED;timas sinalizadas em institui&#xE7;&#xF5;es de apoio, alvo cumulativamente de abuso f&#xED;sico e/ou emocional na rela&#xE7;&#xE3;o e de stalking ap&#xF3;s o seu t&#xE9;rmino. Os resultados ilustraram a natureza prolongada do stalking e documentaram um continuum de a&#xE7;&#xF5;es que englobava atos com uma gravidade distinta. A maioria das inquiridas relatou medo face ao stalking e admitiu que este influiu negativamente na sua vida. A frequ&#xEA;ncia m&#xE9;dia dos comportamentos de stalking sofridos e o coping de evitamento surgiram como preditores de desajustamento psicossocial na v&#xED;tima. O segundo estudo emp&#xED;rico (Cap&#xED;tulo III) debru&#xE7;ou-se sobre uma dimens&#xE3;o do problema que tem sido negligenciada pela literatura da especialidade: a experi&#xEA;ncia de mulheres v&#xED;timas de stalking por parte de ex-parceiros sem hist&#xF3;ria de vitima&#xE7;&#xE3;o durante a rela&#xE7;&#xE3;o pr&#xE9;via com aquele. Para o efeito, optou-se por recolher uma amostra online e comparou-se a experi&#xEA;ncia de stalking p&#xF3;s-rutura vivenciada por mulheres v&#xED;timas com e sem historial de viol&#xEA;ncia &#xED;ntima. Os resultados demonstraram que o primeiro grupo foi alvo de uma campanha de stalking p&#xF3;s-rutura mais gravosa (quer ao n&#xED;vel da dura&#xE7;&#xE3;o da experi&#xEA;ncia, quer ao n&#xED;vel da diversidade e frequ&#xEA;ncia dos comportamentos sofridos), muito embora ambos os grupos tenham evidenciado elevados n&#xED;veis de medo face aos comportamentos de stalking sofridos. Com base na amostra do segundo estudo, conduzimos um terceiro estudo (Cap&#xED;tulo IV) com vista a identificar os fatores preditores da procura de apoio formal por parte deste tipo de v&#xED;timas. Desde logo, conclu&#xED;mos que apenas uma reduzida percentagem de v&#xED;timas adotou este tipo de estrat&#xE9;gia. Posteriormente, e com base numa an&#xE1;lise de regress&#xE3;o log&#xED;stica, percebemos que apenas uma vari&#xE1;vel contribu&#xED;a para essa op&#xE7;&#xE3;o: a frequ&#xEA;ncia m&#xE9;dia dos comportamentos de stalking, sendo que as v&#xED;timas alvo desses atos num registo mais reiterado apresentaram uma probabilidade significativa superior de adotar estrat&#xE9;gias de coping formal. Finalmente, o &#xFA;ltimo estudo emp&#xED;rico desta disserta&#xE7;&#xE3;o (Cap&#xED;tulo V) procurou &#x201C;dar voz&#x201D; e aprofundar o conhecimento sobre os significados decorrentes da experi&#xEA;ncia de vitima&#xE7;&#xE3;o por stalking p&#xF3;s-rutura. Com este prop&#xF3;sito, elegeu-se um design qualitativo e procurou-se, especificamente, compreender o modo como as v&#xED;timas vivenciam, interpretam e significam esta experi&#xEA;ncia. Foram realizadas entrevistas com 12 participantes, peritas experienciais deste fen&#xF3;meno. Atrav&#xE9;s da Grounded Analysis, emergiram tr&#xEA;s categorias centrais das narrativas das participantes: (1) stalker (rea&#xE7;&#xE3;o inicial do ex-parceiro &#xE0; rutura, leitura do ex-parceiro como um stalker e respetivas motiva&#xE7;&#xF5;es); (2) stalking (desenvolvimento da campanha, facilitadores e efeitos pessoais); (3) a v&#xED;tima (expectativas em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; rutura e em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; campanha de stalking); e (4) gest&#xE3;o do coping (arqueologia e cronologia, ag&#xEA;ncia pessoal e autoavalia&#xE7;&#xE3;o face ao coping empreendido). Com base numa an&#xE1;lise integrativa destes dados, desenvolvemos um modelo te&#xF3;rico com vista a aprofundar o conhecimento acerca desta experi&#xEA;ncia. Conclu&#xED;mos este trabalho tecendo conclus&#xF5;es gerais integradoras, discutindo as implica&#xE7;&#xF5;es dos resultados obtidos para a pr&#xE1;tica.</subfield>
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