06296nam a2200301 45000010005000001000041000051010008000462000119000542100041001732150085002142250012002993000132003113305317004436060015057606060013057756060018057886060014058066060018058206060011058386060013058496060018058626060020058806060011059006060025059116060013059367000034059498520011059839463 a20160302d2013 y0pory50 ba apor aStalking pós-ruturaedas características aos significados das mulheres vítimasfCélia Isabel Lima Ferreira a[Braga]cUniversidade do Minhod2013 a1 tesecrecurso eletrónico, https://hdl.handle.net/1822/24835, acesso restrito  aEstudos aTese de Doutoramento em Psicologia, Especialidade de Psicologia da Justiça, pela Universidade do Minho, Escola de Psicologia aNo final da década de 90 do século XX uma nova forma de violência interpessoal adquiriu visibilidade na sociedade ocidental: o stalking. Apesar da novidade do termo, esta conduta descreve um comportamento antigo, podendo ser definido como um “padrão de comportamentos de assédio persistente, que se traduz em formas diversas de comunicação, contacto, vigilância e monitorização de uma pessoa” (Grangeia & Matos, 2010, p. 124). Na presente dissertação debruçamo-nos especificamente sobre o stalking após a rutura relacional, reconhecido como um dos cenários de stalking mais expressivo e idiossincrático. Apesar do conhecimento científico acumulado, a investigação nesta área enfrenta ainda muitos desafios, quer no plano internacional, quer no plano nacional. Esta constatação confere relevância teórica e prática a este trabalho. No primeiro capítulo desta dissertação (Capítulo 1) apresentamos o estado da arte sobre o stalking pós-rutura relacional, refletindo sobre as múltiplas dinâmicas associadas a esta modalidade de vitimação. Especificamente, discutimos as principais idiossincrasias deste cenário de stalking, caracterizadas por estratégias altamente intrusivas e ameaçadoras; elevado risco de violência física; elevado risco de persistência e reincidência dos comportamentos e, ainda, elevado risco de dano psicossocial para a vítima. Merecem igualmente a nossa atenção os modelos teóricos que procuram explicar este fenómeno, assim como os desafios que a investigação nacional e internacional sobre o tema ainda enfrenta. O primeiro estudo empírico desta dissertação (Capítulo II) teve como objetivo conhecer as dinâmicas associadas ao stalking pós-rutura, as respostas das vítimas face ao mesmo e os preditores de desajustamento psicossocial na vítima. A amostra constitui-se por mulheres vítimas sinalizadas em instituições de apoio, alvo cumulativamente de abuso físico e/ou emocional na relação e de stalking após o seu término. Os resultados ilustraram a natureza prolongada do stalking e documentaram um continuum de ações que englobava atos com uma gravidade distinta. A maioria das inquiridas relatou medo face ao stalking e admitiu que este influiu negativamente na sua vida. A frequência média dos comportamentos de stalking sofridos e o coping de evitamento surgiram como preditores de desajustamento psicossocial na vítima. O segundo estudo empírico (Capítulo III) debruçou-se sobre uma dimensão do problema que tem sido negligenciada pela literatura da especialidade: a experiência de mulheres vítimas de stalking por parte de ex-parceiros sem história de vitimação durante a relação prévia com aquele. Para o efeito, optou-se por recolher uma amostra online e comparou-se a experiência de stalking pós-rutura vivenciada por mulheres vítimas com e sem historial de violência íntima. Os resultados demonstraram que o primeiro grupo foi alvo de uma campanha de stalking pós-rutura mais gravosa (quer ao nível da duração da experiência, quer ao nível da diversidade e frequência dos comportamentos sofridos), muito embora ambos os grupos tenham evidenciado elevados níveis de medo face aos comportamentos de stalking sofridos. Com base na amostra do segundo estudo, conduzimos um terceiro estudo (Capítulo IV) com vista a identificar os fatores preditores da procura de apoio formal por parte deste tipo de vítimas. Desde logo, concluímos que apenas uma reduzida percentagem de vítimas adotou este tipo de estratégia. Posteriormente, e com base numa análise de regressão logística, percebemos que apenas uma variável contribuía para essa opção: a frequência média dos comportamentos de stalking, sendo que as vítimas alvo desses atos num registo mais reiterado apresentaram uma probabilidade significativa superior de adotar estratégias de coping formal. Finalmente, o último estudo empírico desta dissertação (Capítulo V) procurou “dar voz” e aprofundar o conhecimento sobre os significados decorrentes da experiência de vitimação por stalking pós-rutura. Com este propósito, elegeu-se um design qualitativo e procurou-se, especificamente, compreender o modo como as vítimas vivenciam, interpretam e significam esta experiência. Foram realizadas entrevistas com 12 participantes, peritas experienciais deste fenómeno. Através da Grounded Analysis, emergiram três categorias centrais das narrativas das participantes: (1) stalker (reação inicial do ex-parceiro à rutura, leitura do ex-parceiro como um stalker e respetivas motivações); (2) stalking (desenvolvimento da campanha, facilitadores e efeitos pessoais); (3) a vítima (expectativas em relação à rutura e em relação à campanha de stalking); e (4) gestão do coping (arqueologia e cronologia, agência pessoal e autoavaliação face ao coping empreendido). Com base numa análise integrativa destes dados, desenvolvemos um modelo teórico com vista a aprofundar o conhecimento acerca desta experiência. Concluímos este trabalho tecendo conclusões gerais integradoras, discutindo as implicações dos resultados obtidos para a prática. aPSICOLOGIA aSTALKING aDIREITO PENAL aASSÉDIO aCOMPORTAMENTO aMULHER aVÍTIMA aVITIMAÇÃO aPERSEGUIÇÃO aCOPING aTESE DE DOUTORAMENTO aPORTUGAL aFERREIRAbCélia Isabel Lima jEST812