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    <subfield code="a">Repert&#xF3;rios interpretativos sobre o amor</subfield>
    <subfield code="e">das narrativas culturais &#xE0;s conjugalidades violentas</subfield>
    <subfield code="f">Ana Rita Conde Dias</subfield>
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    <subfield code="a">[Braga]</subfield>
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    <subfield code="a">XVIII, 246</subfield>
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    <subfield code="a">Tese de Doutoramento em Psicologia,  Especialidade de Psicologia da Justi&#xE7;a, pela Universidade do Minho, Escola de Psicologia</subfield>
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    <subfield code="a">No presente estudo, adotando uma perspetiva sociocultural assente nos pressupostos construcionistas sociais, procuramos analisar e compreender o fen&#xF3;meno do amor, mais precisamente, a sua articula&#xE7;&#xE3;o com as pr&#xE1;ticas relacionais amorosas, entre as quais, as que se caracterizam pela viol&#xEA;ncia. No percurso te&#xF3;rico que desenvolvemos, encontramos fundamentos que nos permitem sustentar o argumento de que o amor e a viol&#xEA;ncia na intimidade s&#xE3;o fen&#xF3;menos intimamente dependentes das pr&#xE1;ticas e discursos socioculturais, pelo que defendemos a interliga&#xE7;&#xE3;o dos fen&#xF3;menos e a ado&#xE7;&#xE3;o de uma perspetiva sociocultural na sua an&#xE1;lise. No que diz respeito &#xE0; viol&#xEA;ncia na intimidade, procedeu-se &#xE0; revis&#xE3;o das teorias e da investiga&#xE7;&#xE3;o que integram a dimens&#xE3;o cultural, concluindo-se que h&#xE1; fatores socioculturais que fornecem racionais e justifica&#xE7;&#xF5;es para a viol&#xEA;ncia. No que diz respeito ao amor, realizamos uma revis&#xE3;o exaustiva das diferentes abordagens te&#xF3;ricas e estudos sobre o fen&#xF3;meno, constatando o reconhecimento consensual da exist&#xEA;ncia de varia&#xE7;&#xF5;es culturais na experi&#xEA;ncia do amor e concluindo que esta &#xE9; constrangida pelos padr&#xF5;es culturais vigentes num dado tempo/espa&#xE7;o, incluindo a experi&#xEA;ncia &#x201C;violenta&#x201D; do fen&#xF3;meno. Utilizando uma metodologia qualitativa da an&#xE1;lise do discurso e recorrendo ao conceito de &#x201C;repert&#xF3;rio interpretativo&#x201D;, procuramos compreender quais as grelhas interpretativas culturais dispon&#xED;veis para significar o amor e analisar de que forma essas grelhas/repert&#xF3;rios s&#xE3;o apropriadas e transformadas no discurso e nas pr&#xE1;ticas dos diferentes sujeitos. Mais especificamente, de que forma estas grelhas interpretativas podem influenciar as rela&#xE7;&#xF5;es de intimidade e o recurso a pr&#xE1;ticas violentas ou abusivas. No primeiro estudo emp&#xED;rico analis&#xE1;mos o discurso dos sujeitos sem historial de viol&#xEA;ncia e com diferentes backgrounds geracionais (adultos de diferentes faixas et&#xE1;rias e jovens). Concluiu-se que existe de uma continuidade discursiva transgeracional mas identificaram-se algumas especificidades geracionais, discutidas &#xE0; luz do contexto sociocultural. No segundo estudo emp&#xED;rico, realizou-se uma an&#xE1;lise comparativa entre os sujeitos com historial de viol&#xEA;ncia e os sujeitos sem historial de viol&#xEA;ncia, tanto da popula&#xE7;&#xE3;o juvenil como da popula&#xE7;&#xE3;o adulta. Al&#xE9;m dos aspetos consensuais, discutem se as especificidades que distinguem os sujeitos com historial de viol&#xEA;ncia dos sujeitos sem historial de viol&#xEA;ncia e, mais especificamente, discutem-se as particularidades que distinguem o discurso dos jovens. No terceiro e no quarto estudo emp&#xED;ricos analisou-se o discurso dos agressores e o discurso das v&#xED;timas. No estudo com os agressores, verificou-se que o tema da conflitualidade/viol&#xEA;ncia &#xE9; central no seu discurso, havendo uma tentativa de integrar na sua hist&#xF3;ria a perpetra&#xE7;&#xE3;o de viol&#xEA;ncia contra a parceira. Identificam-se diferen&#xE7;as entre os agressores juvenis e os agressores adultos, bem como diferen&#xE7;as decorrentes da situa&#xE7;&#xE3;o relacional dos sujeitos. No estudo desenvolvido com as v&#xED;timas, identificaramse tentativas de conciliar a experi&#xEA;ncia da vitima&#xE7;&#xE3;o com a componente amorosa mas, tamb&#xE9;m, a experi&#xEA;ncia de perpetra&#xE7;&#xE3;o no feminino. Identificaram-se, tamb&#xE9;m, diferen&#xE7;as entre as v&#xED;timas jovens e as adultas, bem como algumas especificidades decorrentes da situa&#xE7;&#xE3;o relacional das mulheres. Face aos resultados destes dois estudos, s&#xE3;o analisados os discursos socioculturais mais alargados sobre o amor e explorados t&#xF3;picos de interven&#xE7;&#xE3;o. Reflete-se, ainda, sobre a forma como os discursos do amor constrangem, diferenciadamente, a experi&#xEA;ncia da vitima&#xE7;&#xE3;o e a experi&#xEA;ncia da perpetra&#xE7;&#xE3;o no feminino. Por fim, na conclus&#xE3;o, debatemos as implica&#xE7;&#xF5;es dos resultados a tr&#xEA;s n&#xED;veis: (i) o que traduzem quanto aos processos hist&#xF3;ricos, sociais e pol&#xED;ticos da cultura portuguesa; (ii) as possibilidades que abrem/fecham enquanto recursos culturais para a constru&#xE7;&#xE3;o do amor e das pr&#xE1;ticas/formas relacionais (e em que medida podem constranger/influenciar a viv&#xEA;ncia de rela&#xE7;&#xF5;es violentas, abusivas e assim&#xE9;tricas); e (iii) pistas para a interven&#xE7;&#xE3;o, preventiva e remediativa, que fornecem, mas sob uma perspetiva cultural.</subfield>
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