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    <subfield code="a">Perpetradores de viol&#xEA;ncia em rela&#xE7;&#xF5;es de intimidade</subfield>
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    <subfield code="c">Universidade do Minho</subfield>
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    <subfield code="a">1 tese</subfield>
    <subfield code="c">Recurso electr&#xF3;nico, https://hdl.handle.net/1822/34474, acesso restrito</subfield>
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    <subfield code="a">Estudos</subfield>
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    <subfield code="a">Tese de Doutoramento em Psicologia,  Especialidade de Psicologia da Justi&#xE7;a, pela Universidade do Minho, Escola de Psicologia</subfield>
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    <subfield code="a">A viol&#xEA;ncia em rela&#xE7;&#xF5;es de intimidade tem suscitado, nas &#xFA;ltimas d&#xE9;cadas, um enorme interesse por parte da comunidade cient&#xED;fica. Atualmente, o conhecimento em torno deste fen&#xF3;meno &#xE9; j&#xE1; extenso, sendo poss&#xED;vel identificar in&#xFA;meros estudos centrados nesta tem&#xE1;tica. Apesar da vasta aten&#xE7;&#xE3;o que a viol&#xEA;ncia na intimidade tem merecido, no contexto nacional o estudo do perpetrador mantem-se ainda muito incipiente. De facto, a revis&#xE3;o da literatura nacional revela-nos que o interesse cient&#xED;fico no perpetrador de viol&#xEA;ncia em rela&#xE7;&#xF5;es &#xED;ntimas surgiu bastante mais tardiamente, sendo a nossa produ&#xE7;&#xE3;o cient&#xED;fica parca e restrita a pequenos grupos de trabalho. Estas lacunas foram percet&#xED;veis n&#xE3;o s&#xF3; ao n&#xED;vel da sua caracteriza&#xE7;&#xE3;o como tamb&#xE9;m no que respeita &#xE0; sua reabilita&#xE7;&#xE3;o. Atendendo a estas lacunas, neste trabalho procurou-se caracterizar o perpetrador de viol&#xEA;ncia em rela&#xE7;&#xF5;es de intimidade, ao n&#xED;vel dos comportamentos violentos perpetrados (dentro e fora da rela&#xE7;&#xE3;o &#xED;ntima), da personalidade, psicopatologia e agressividade. Em paralelo, interessou-nos compreender quais os fatores preditores quer da frequ&#xEA;ncia quer da severidade da viol&#xEA;ncia. Foi, ainda, nosso prop&#xF3;sito construir, implementar e avaliar a efic&#xE1;cia de um programa de interven&#xE7;&#xE3;o para perpetradores de viol&#xEA;ncia na intimidade em contexto prisional e ambulat&#xF3;rio. Por fim, procurou-se compreender e refletir sobre a experi&#xEA;ncia subjetiva dos perpetradores acerca da interven&#xE7;&#xE3;o, bem como conhecer e descrever o processo de constru&#xE7;&#xE3;o da mudan&#xE7;a. No primeiro estudo foram avaliados 187 indiv&#xED;duos condenados e/ou sinalizados pela pr&#xE1;tica de crimes contra uma parceira ou ex-parceira &#xED;ntima, 76 na comunidade e 111 em estabelecimento prisional. Da an&#xE1;lise resultou que cerca de metade dos indiv&#xED;duos apresentava consumos excessivos de &#xE1;lcool, experiencias de vitimiza&#xE7;&#xE3;o e exposi&#xE7;&#xE3;o a viol&#xEA;ncia interparental na inf&#xE2;ncia e adolesc&#xEA;ncia. Cerca de um quarto evidenciou sintomas psicopatol&#xF3;gicos e menos de um quinto evidenciou tra&#xE7;os de agressividade. Os comportamentos mais frequentes foram os denominados de &#x201C;viol&#xEA;ncia menor&#x201D; (e.g. insultos, bofetadas) e a maioria dos sujeitos dirigiu a sua viol&#xEA;ncia maioritariamente &#xE0; parceira, sendo que apenas um ter&#xE7;o destes se envolveu em atos de viol&#xEA;ncia extrafamiliar. Os dados permitiram ainda identificar dois subgrupos: perpetradores institucionalizados e perpetradores na comunidade; e perpetradores de viol&#xEA;ncia severa e perpetradores de viol&#xEA;ncia menos severa. Estes grupos distinguiram-se essencialmente ao n&#xED;vel da viol&#xEA;ncia perpetrada, sendo os perpetradores institucionalizados e os perpetradores de viol&#xEA;ncia menos severa os que evidenciaram mais comportamentos de viol&#xEA;ncia familiar e extrafamiliar. Por &#xFA;ltimo, verificou-se que a viol&#xEA;ncia &#xED;ntima anterior, o uso de objetos, os tra&#xE7;os de psicopatia do perpetrador e o n&#xED;vel socioecon&#xF3;mico baixo surgiram como importantes preditores da frequ&#xEA;ncia da viol&#xEA;ncia; e a separa&#xE7;&#xE3;o, o uso de armas e o estatuto socioecon&#xF3;mico elevado apresentam-se como preditores da severidade da viol&#xEA;ncia. No segundo e terceiros estudos construiu-se, implementou-se e avaliou-se a efic&#xE1;cia de um programa de interven&#xE7;&#xE3;o com perpetradores de viol&#xEA;ncia na intimidade. No programa participaram 21 indiv&#xED;duos da comunidade e 7 institucionalizados, tendo-o finalizado com sucesso 16 indiv&#xED;duos da comunidade e 4 institucionalizados. No grupo comunit&#xE1;rio, verificaram-se redu&#xE7;&#xF5;es significativas no risco de viol&#xEA;ncia conjugal, na viol&#xEA;ncia f&#xED;sica e psicol&#xF3;gica, nas atitudes legitimadoras da viol&#xEA;ncia conjugal, na agressividade e na sintomatologia psicopatol&#xF3;gica. Ademais, observou-se um incremento significativo na autoestima, autoconceito e resolu&#xE7;&#xE3;o de problemas. As mudan&#xE7;as foram mantidas no per&#xED;odo de follow-up a 6 meses. Quando comparados com os indiv&#xED;duos do grupo de compara&#xE7;&#xE3;o os resultados do grupo comunit&#xE1;rio revelaram-se significativamente superiores. Por seu turno, os participantes do grupo institucionalizado n&#xE3;o revelaram mudan&#xE7;as significativas. No &#xFA;ltimo estudo, que consistiu na an&#xE1;lise de entrevistas realizadas aos 16 indiv&#xED;duos da comunidade que conclu&#xED;ram com sucesso o programa de interven&#xE7;&#xE3;o, procurou-se aprofundar o conhecimento sobre os significados decorrentes da experi&#xEA;ncia de participa&#xE7;&#xE3;o em interven&#xE7;&#xE3;o e compreender o processo de mudan&#xE7;a. Atrav&#xE9;s da Grounded Analysis, emergiram tr&#xEA;s categorias centrais das narrativas dos participantes: (1) experi&#xEA;ncia em interven&#xE7;&#xE3;o psicoterap&#xEA;utica (expectativas pr&#xE9;-interven&#xE7;&#xE3;o e reflex&#xF5;es sobre o processo psicoterap&#xEA;utico); (2) mudan&#xE7;as em interven&#xE7;&#xE3;o psicoterap&#xEA;utica (reflex&#xF5;es acerca das mudan&#xE7;as, emerg&#xEA;ncia de novas compet&#xEA;ncias e desempenhos alternativos ao problema, reconhecimento de vulnerabilidades individuais ap&#xF3;s interven&#xE7;&#xE3;o); e (3) facilitadores da mudan&#xE7;a (grupo como suporte &#xE0; mudan&#xE7;a, interven&#xE7;&#xE3;o/aprendizagens adquiridas, investimento individual, outros significativos, mudan&#xE7;as da companheira e figura do facilitador/dinamizador). Partindo de uma an&#xE1;lise integrativa destes dados, desenvolvemos um modelo te&#xF3;rico com vista a aprofundar o conhecimento acerca do processo de mudan&#xE7;a em indiv&#xED;duos submetidos a interven&#xE7;&#xE3;o direcionada para a problem&#xE1;tica da viol&#xEA;ncia &#xED;ntima. A presente disserta&#xE7;&#xE3;o reflete a natureza complexa e multideterminada da viol&#xEA;ncia em rela&#xE7;&#xF5;es de intimidade, bem como a prem&#xEA;ncia e necessidade de atua&#xE7;&#xE3;o junto do perpetrador de viol&#xEA;ncia, sendo discutidas no final deste trabalho algumas das implica&#xE7;&#xF5;es para a pr&#xE1;tica profissional e emp&#xED;rica decorrentes dos resultados obtidos.</subfield>
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