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    <subfield code="a">Viol&#xEA;ncia de g&#xE9;nero e os discursos circulantes nos cuidados de sa&#xFA;de prim&#xE1;rios</subfield>
    <subfield code="f">Mariana Porto Ruwer de Azambuja</subfield>
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    <subfield code="c">Universidade do Minho</subfield>
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    <subfield code="a">XXIII, 627 p.</subfield>
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    <subfield code="a">Tese de Doutoramento em Psicologia Social, pelo Instituto de Educa&#xE7;&#xE3;o e Psicologia da  Universidade do Minho</subfield>
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    <subfield code="a">O movimento feminista, embora n&#xE3;o possa ser compreendido de modo uniforme, representou um importante desafio para a sociedade e para a ci&#xEA;ncia em particular. Na sua luta pol&#xED;tica pela igualdade, foi respons&#xE1;vel pela den&#xFA;ncia da viol&#xEA;ncia vivida por mulheres no contexto de seus relacionamentos &#xED;ntimos, conduzindo a integra&#xE7;&#xE3;o da tem&#xE1;tica no campo dos direitos humanos. Mais contemporaneamente, o campo da sa&#xFA;de p&#xFA;blica tem vindo a demonstrar aten&#xE7;&#xE3;o para este problema ainda oculto pelas normas sociais que privilegiam a privacidade familiar e que colocam os homens em um estatuto de poder superior sobre as mulheres. As repercuss&#xF5;es sobre a sa&#xFA;de f&#xED;sica e psicol&#xF3;gica das v&#xED;timas de maus-tratos t&#xEA;m sido amplamente documentadas em estudos, relat&#xF3;rios, tratados e conven&#xE7;&#xF5;es. As iniciativas de preven&#xE7;&#xE3;o da viol&#xEA;ncia, ao promoverem a desoculta&#xE7;&#xE3;o do fen&#xF3;meno, t&#xEA;m sido h&#xE1;beis em aumentar a consci&#xEA;ncia social sobre o problema e propiciado um aumento no n&#xFA;mero de casos registados nas entidades policiais, judiciais e institui&#xE7;&#xF5;es de apoio, representando, mais do que um aumento na incid&#xEA;ncia, uma maior visibilidade do fen&#xF3;meno. No entanto, muito ainda est&#xE1; por fazer. Tradicionalmente encarado de modo polarizado como um problema de origens socioculturais (consequ&#xEA;ncia do machismo ) ou como uma perturba&#xE7;&#xE3;o individual (como uma patologia, um desvio), o desafio est&#xE1; na integra&#xE7;&#xE3;o dos factores socioculturais ao atendimento prestado pelo sector sa&#xFA;de &#xE0;s v&#xED;timas de viol&#xEA;ncia conjugal. A sa&#xFA;de, devido &#xE0; predomin&#xE2;ncia do modelo biom&#xE9;dico, tem apresentado dificuldades em trabalhar com os determinantes sociais , embora j&#xE1; os considere. Em muitos casos, a integra&#xE7;&#xE3;o destes aspectos est&#xE1; mais no n&#xED;vel te&#xF3;rico do que das pr&#xE1;ticas e, ainda assim, com muitas imprecis&#xF5;es e distor&#xE7;&#xF5;es, tal como demonstra o equivocado uso do termo g&#xE9;nero como sin&#xF3;nimo de sexo em diversas publica&#xE7;&#xF5;es e na formula&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas. Os cuidados de sa&#xFA;de prim&#xE1;rios, por defini&#xE7;&#xE3;o, trabalham com uma perspectiva biopsico- social e, deste modo, devem estar preparados para lidar com problemas que v&#xE3;o al&#xE9;m da enfermidade org&#xE2;nica, tal como a viol&#xEA;ncia de g&#xE9;nero. Neste aspecto, os m&#xE9;dicos de fam&#xED;lia actuantes nos cuidados de sa&#xFA;de prim&#xE1;rios s&#xE3;o importantes actores para despiste e acompanhamento destes casos devido ao contacto directo com todos os membros da fam&#xED;lia, a continuidade do atendimento prestado e a rela&#xE7;&#xE3;o de confian&#xE7;a que estabelecem com seus(uas) utentes. Desta forma, &#xE9; urgente reflectir sobre o cuidado que tem sido prestado &#xE0;s mulheres v&#xED;timas de maus-tratos, em especial no dom&#xED;nio dos cuidados de sa&#xFA;de prim&#xE1;rios. Inserida no paradigma cr&#xED;tico oferecido pelo construcionismo social, an&#xE1;lise de discurso e feminismo, a presente investiga&#xE7;&#xE3;o tem como objectivo mapear os discursos circulantes nos cuidados de sa&#xFA;de prim&#xE1;rios sobre a viol&#xEA;ncia de g&#xE9;nero e examinar suas consequ&#xEA;ncias para as pr&#xE1;ticas de cuidado oferecidas &#xE0;s mulheres submetidas &#xE0; viol&#xEA;ncia conjugal. De modo subjacente, pretende desconstruir estes discursos a fim de construir pr&#xE1;ticas de cuidado mais sens&#xED;veis &#xE0;s especificidades femininas, promovendo um saber mais respons&#xE1;vel com a melhoria das condi&#xE7;&#xF5;es de vida das mulheres - mas tamb&#xE9;m dos homens, entendendo o g&#xE9;nero como algo que se faz nas rela&#xE7;&#xF5;es interpessoais e reconhecendo que os padr&#xF5;es da masculinidade hegem&#xF3;nica tamb&#xE9;m podem ser opressivos para os homens. Foram realizados tr&#xEA;s estudos, os quais procuraram mapear as diferentes manifesta&#xE7;&#xF5;es do discurso sobre a viol&#xEA;ncia de g&#xE9;nero. Esta estrat&#xE9;gia, longe de buscar a generaliza&#xE7;&#xE3;o dos dados ou almejar revelar a verdade sobre o fen&#xF3;meno, relaciona-se &#xE0; compreens&#xE3;o dos saberes como parciais, limitados e historicamente situados. No Estudo I (Investiga&#xE7;&#xF5;es sobre mulheres e viol&#xEA;ncia em Portugal), fazemos um levantamento dos trabalhos de mestrado e doutoramento realizados nas universidades portuguesas sobre mulheres e viol&#xEA;ncia. Os resultados indicam que ainda este &#xE9; um tema recente e em expans&#xE3;o. No estudo II (Revistas m&#xE9;dicas: a invisibilidade da viol&#xEA;ncia de g&#xE9;nero em publica&#xE7;&#xF5;es nacionais), procedemos &#xE0; an&#xE1;lise cr&#xED;tica do discurso veiculado na Revista Portuguesa de Cl&#xED;nica Geral e na Revista Portuguesa de Sa&#xFA;de P&#xFA;blica, concluindo-se que a viol&#xEA;ncia dom&#xE9;stica contra as mulheres n&#xE3;o tem sido consistentemente discutida, pensada e pesquisada no campo da sa&#xFA;de portuguesa, tendo como efeitos a invisibilidade de um grave problema de sa&#xFA;de p&#xFA;blica e a adop&#xE7;&#xE3;o de pr&#xE1;ticas individualizantes e pouco efectivas. No Estudo III (Discurso de M&#xE9;dicos de Fam&#xED;lia actuantes nos Cuidados de Sa&#xFA;de Prim&#xE1;rios), foram entrevistados 11 profissionais actuantes no munic&#xED;pio de Braga. Os resultados confirmam os achados dos estudos anteriores, demonstrando a necessidade de incorporar novos saberes &#xE0;s pr&#xE1;ticas destes profissionais.</subfield>
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