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    <subfield code="a">Excesso de peso, S&#xED;ndrome metab&#xF3;lica, Ingest&#xE3;o nutricional e Atividade f&#xED;sica numa amostra de Popula&#xE7;&#xE3;o Prisional</subfield>
    <subfield code="f">Carla Alexandra Gomes Afonso</subfield>
    <subfield code="g">ori.tese Carla Alexandra Vieira da Silva Pedrosa, Jos&#xE9; Carlos Rodrigues Dias Ribeiro </subfield>
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    <subfield code="a">Porto</subfield>
    <subfield code="c">Universidade do Porto</subfield>
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    <subfield code="a">Estudos</subfield>
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    <subfield code="a">Tese de Doutoramento apresentada &#xE0;
Faculdade de Ci&#xEA;ncias da Nutri&#xE7;&#xE3;o e Alimenta&#xE7;&#xE3;o da Universidade do Porto
Programa Doutoral em Nutri&#xE7;&#xE3;o Cl&#xED;nica</subfield>
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    <subfield code="a">Os h&#xE1;bitos alimentares inadequados e o sedentarismo s&#xE3;o considerados as principais causas de
doen&#xE7;as cr&#xF3;nicas n&#xE3;o transmiss&#xED;veis, entre as quais se incluem a obesidade, a diabetes mellitus tipo 2
(DM2), as doen&#xE7;as cardiovasculares (DCV), a hipertens&#xE3;o arterial (HTA) e v&#xE1;rios tipos de cancro. A
obesidade &#xE9; um problema de sa&#xFA;de p&#xFA;blica, com s&#xE9;rios impactos sociais e econ&#xF3;micos. A Organiza&#xE7;&#xE3;o
Mundial de Sa&#xFA;de (OMS), considerando a import&#xE2;ncia que esta patologia tem na sa&#xFA;de mundial,
desenvolveu uma estrat&#xE9;gia global onde a alimenta&#xE7;&#xE3;o e atividade f&#xED;sica (AF) t&#xEA;m papel principal. &#xC9;,
portanto, essencial o contributo de uma alimenta&#xE7;&#xE3;o saud&#xE1;vel e equilibrada, assim como a pr&#xE1;tica
regular de AF, sendo estes fatores essenciais para a preven&#xE7;&#xE3;o destas patologias. Apesar dos in&#xFA;meros
estudos desenvolvidos sobre estas tem&#xE1;ticas, existem em Portugal v&#xE1;rios grupos populacionais cuja
avalia&#xE7;&#xE3;o urge fazer. A popula&#xE7;&#xE3;o reclusa &#xE9; um grupo vulner&#xE1;vel, com um risco aumentado de
malnutri&#xE7;&#xE3;o, consequ&#xEA;ncia da sua fraca condi&#xE7;&#xE3;o de sa&#xFA;de e de outros fatores sociais. Neste estudo
procuramos caraterizar uma amostra de reclusos portugueses, relativamente &#xE0; preval&#xEA;ncia de excesso
de peso em meio prisional, s&#xED;ndrome metab&#xF3;lica (SM), ingest&#xE3;o nutricional e AF.
M&#xE9;todos:
Convidamos a participar no estudo todos os homens de 3 estabelecimentos prisionais (EP) do norte do
pa&#xED;s. Aceitaram participar 362 (30% do total de indiv&#xED;duos convidados). Recolhemos dados s&#xF3;cio
demogr&#xE1;ficos e de estilo de vida (idade, habilita&#xE7;&#xF5;es liter&#xE1;rias, situa&#xE7;&#xE3;o jur&#xED;dico penal, trabalho no EP,
h&#xE1;bitos tab&#xE1;gicos). Recolhemos tamb&#xE9;m dados antropom&#xE9;tricos (peso, altura e per&#xED;metro da cintura).
O &#xED;ndice de massa corporal (IMC) foi calculado e categorizado de acordo com a classifica&#xE7;&#xE3;o de IMC da
OMS. Os homens com pr&#xE9;-obesidade e obesidade foram agrupados numa s&#xF3; categoria (definida como
excesso de peso) para an&#xE1;lise comparativa com o grupo sem excesso de peso.
Para avalia&#xE7;&#xE3;o da ingest&#xE3;o nutricional foi utilizado um question&#xE1;rio de frequ&#xEA;ncia de consumo
alimentar (QFA), validado para a popula&#xE7;&#xE3;o portuguesa, e foi determinada a preval&#xEA;ncia de
inadequa&#xE7;&#xE3;o nutricional com base nas recomenda&#xE7;&#xF5;es da OMS e do Food and Nutrition Board. A
avalia&#xE7;&#xE3;o dos par&#xE2;metros cl&#xED;nicos (press&#xE3;o arterial sist&#xF3;lica (PAS), press&#xE3;o arterial diast&#xF3;lica (PAD),
concentra&#xE7;&#xE3;o plasm&#xE1;tica de glicose, colesterol HDL (HDL) e triglicer&#xED;deos (TG) foi realizada atrav&#xE9;s da
Carla Alexandra Gomes Afonso 9
recolha dos dados no processo cl&#xED;nico individual interno de cada recluso. A AF foi avaliada utilizando a
vers&#xE3;o curta do International Physical Activity Questionnaire (IPAQ)
Resultados:
Obtivemos dados v&#xE1;lidos em 362 indiv&#xED;duos, com uma m&#xE9;dia de idades de 37,4 anos (dp=11,6). O grau
de escolaridade predominante &#xE9; o 2&#xBA; ciclo (33,1%). No que diz respeito &#xE0; situa&#xE7;&#xE3;o jur&#xED;dico-penal, 67%
dos reclusos s&#xE3;o condenados, n&#xE3;o se registando varia&#xE7;&#xF5;es significativas entre os dois grupos de
homens considerados (com e sem excesso de peso). Quanto ao trabalho, verificamos que a maioria
dos homens n&#xE3;o desempenham uma atividade laboral dentro do EP (53%).
Da totalidade dos reclusos que participaram no estudo, 8% t&#xEA;m baixo peso, 47,5% s&#xE3;o
normoponderais, 34% t&#xEA;m pr&#xE9;-obesidade e 10,5% s&#xE3;o obesos.
Quando analisamos os par&#xE2;metros cl&#xED;nicos, verificamos que s&#xE3;o os homens com excesso de peso que
apresentam valores mais elevados de PAS (m&#xE9;dia=158,1 dp=14,6 vs. m&#xE9;dia=119,1, dp=11,8 mmHg),
PAD (m&#xE9;dia=102,6, dp=13,2 vs. m&#xE9;dia=78,9, dp=12,1 mmHg) e glicose plasm&#xE1;tica (m&#xE9;dia=108,2,
dp=9,5 vs. m&#xE9;dia=96,7, dp=12,6 mg/dl), sendo as diferen&#xE7;as estatisticamente significativas, entre os
dois grupos estudados (p&lt;0,001).
Relativamente &#xE0; preval&#xEA;ncia de SM, verificamos que 20,2% dos reclusos cumprem os crit&#xE9;rios de SM,
e s&#xE3;o os indiv&#xED;duos com excesso de peso os que mais contribuem para este valor (32,3% vs. 10,4%,
p&lt;0,001).
A m&#xE9;dia do total de ingest&#xE3;o de energia &#xE9; de 2473 Kcal (dp=724), e s&#xE3;o os indiv&#xED;duos com excesso de
peso os que ingerem mais calorias, embora n&#xE3;o se registando diferen&#xE7;as estatisticamente significativas
entre os 2 grupos estudados. A an&#xE1;lise da ingest&#xE3;o m&#xE9;dia de colesterol, fibra e micronutrientes n&#xE3;o
revela quaisquer diferen&#xE7;as significativas entre os dois grupos de reclusos avaliados, com exce&#xE7;&#xE3;o do
c&#xE1;lcio, que apresenta uma ingest&#xE3;o significativamente superior nos reclusos com excesso de peso.
Observamos elevadas preval&#xEA;ncias de inadequa&#xE7;&#xE3;o para vitamina K e molibd&#xE9;nio (100%), vitamina E
(94,5%), fibra (92,3%), magn&#xE9;sio (89,2%), folato (86,7%), iodo (69,9%), c&#xE1;lcio (57,2%) e vitamina D
(53,9%).
Quando analisamos os reclusos quanto &#xE0; AF, verificamos que, com exce&#xE7;&#xE3;o da AFVigorosa (AFV), os
homens sem excesso de peso t&#xEA;m valores m&#xE9;dios mais elevados de AF, comparativamente com os
homens com excesso de peso (IPAQ_AFWalking m&#xE9;dia=458,6, dp=68,8 vs. m&#xE9;dia=451,3, dp=63,4,
p=0,416; IPAQ_AFModerada (AFM) m&#xE9;dia=124,8, dp=16,3 vs. m&#xE9;dia=60,8, dp=6,6, p&lt;0,001). Os
homens com excesso de peso s&#xE3;o mais inativos do que os homens sem excesso de peso, por&#xE9;m sem
diferen&#xE7;as estatisticamente significativas. Verificamos igualmente que a totalidade da nossa popula&#xE7;&#xE3;o
n&#xE3;o &#xE9; suficientemente ativa, j&#xE1; que n&#xE3;o realizou AFM, numa semana, igual ou superior a 150 minutos,
nem AFV igual ou superior a 60 min/sem.
Conclus&#xF5;es:
A maioria dos nossos reclusos &#xE9; normoponderal, mas a percentagem de indiv&#xED;duos com excesso de
peso &#xE9; elevada (44%). 20,2% dos reclusos apresentam SM.
Todos os indiv&#xED;duos apresentam ingest&#xF5;es inferiores ao recomendado para vitamina K, molibd&#xE9;nio,
vitamina E, fibra, magn&#xE9;sio, folato, iodo, c&#xE1;lcio e vitamina D. A popula&#xE7;&#xE3;o estudada n&#xE3;o &#xE9;
suficientemente ativa, apresentando valores de AFM e AFV inferiores aos recomendados.
Como consequ&#xEA;ncia da falta de estudos nesta &#xE1;rea em particular, estes resultados devem ser
observados como um ponto de partida para futuras investiga&#xE7;&#xF5;es nesta popula&#xE7;&#xE3;o espec&#xED;fica. </subfield>
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