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    <subfield code="a">Um novo olhar sobre velhos saberes</subfield>
    <subfield code="e">os pr&#xE9;stimos da intelig&#xEA;ncia artificial para a datiloscopia</subfield>
    <subfield code="f">Maria Jo&#xE3;o Louren&#xE7;o</subfield>
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    <subfield code="a">A datiloscopia, enquanto processo com o potencial de permitir que uma pessoa seja identificada a partir das caracter&#xED;sticas das suas impress&#xF5;es digitais, tem-se revelado de enormes valias na investiga&#xE7;&#xE3;o criminal.
No entanto, o tipo de tecnologia em que assenta (biometria de impress&#xF5;es digitais) baseia-se no pressuposto n&#xE3;o comprovado de que n&#xE3;o existem duas impress&#xF5;es digitais iguais, mesmo que sejam de dedos diferentes da mesma pessoa (impress&#xF5;es digitais intrapessoais).
Para al&#xE9;m das duras cr&#xED;ticas a esse pressuposto da unicidade das impress&#xF5;es digitais que parte da literatura tem vindo a apontar, e dos problemas suscitados com os potenciais n&#xED;veis de falibilidade desta tecnologia, esse pressuposto tem-na tornado in&#xFA;til em cen&#xE1;rios em que as impress&#xF5;es digitais deixadas nas cenas do crime s&#xE3;o de dedos diferentes das impress&#xF5;es digitais que se encontram registadas (ainda que da mesma pessoa).
Abalando este pressuposto ainda hoje prevalecente, foi agora publicado um estudo que demonstra, com uma taxa de confian&#xE7;a de 99,99%, que as impress&#xF5;es digitais intrapessoais, embora n&#xE3;o id&#xEA;nticas, partilham semelhan&#xE7;as muito fortes. Mediante o processamento e an&#xE1;lise de uma base de dados p&#xFA;blica composta por 60.000 impress&#xF5;es digitais do governo dos EUA por um modelo de intelig&#xEA;ncia artificial (IA), os investigadores respons&#xE1;veis por esse estudo conclu&#xED;ram que, para al&#xE9;m dessas fortes semelhan&#xE7;as entre impress&#xF5;es digitais intrapessoais (e, portanto, pela utilidade da sua compara&#xE7;&#xE3;o na investiga&#xE7;&#xE3;o criminal), o sistema de IA utilizou para an&#xE1;lise das impress&#xF5;es digitais n&#xE3;o os minuciae (ramifica&#xE7;&#xF5;es e pontos finais nas cristas das impress&#xF5;es digitais) tradicionalmente usadas na compara&#xE7;&#xE3;o de impress&#xF5;es digitais, mas um novo tipo de marcador forense, relacionado com os &#xE2;ngulos e curvaturas dos redemoinhos e loops no centro da impress&#xE3;o digital. Cremos que as conclus&#xF5;es deste estudo nos for&#xE7;am a repensar velhos saberes e renovam as cr&#xED;ticas em tordo da (in)falibilidade das impress&#xF5;es digitais enquanto instrumento de conhecimento ou aprecia&#xE7;&#xE3;o dos factos juridicamente relevantes.
Procuramos, neste texto, dar a conhecer os resultados deste estudo e pensar sobre os desafios que o mesmo coloca &#xE0; comunidade forense.</subfield>
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    <subfield code="a">CRIMINOLOGIA</subfield>
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    <subfield code="a">INVESTIGA&#xC7;&#xC3;O CRIMINAL</subfield>
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