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    <subfield code="a">As pris&#xF5;es da P.I.D.E.</subfield>
    <subfield code="f">Luis Farinha</subfield>
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    <subfield code="a">117-147 p.</subfield>
    <subfield code="d">30 cm PDF</subfield>
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    <subfield code="a">Este &#xE9; um pequeno ensaio sobre a longa e dolorosa via sacra, clandestina
e prisional, percorrida pelos resistentes &#xE0; ditadura de Salazar e de Marcelo
Caetano durante a longa noite do fascismo portugu&#xEA;s. Muito se sabe j&#xE1; e muito
falta ainda saber. Se hoje algu&#xE9;m quiser ter uma ideia sobre quantos presos
pol&#xED;ticos foram retidos nas pris&#xF5;es da ditadura e por quanto tempo, quantos
foram ou n&#xE3;o julgados, que rostos tinham, ningu&#xE9;m, de boa f&#xE9;, poder&#xE1; afirm&#xE1;-
lo com rigor. Conhecemos os que foram encarcerados em pris&#xF5;es longas,
conhecemos aqueles sobre os quais foram constitu&#xED;dos processos judiciais pelas
pol&#xED;cias pol&#xED;ticas e pelos tribunais, mas desconhecemos todos os outros que
foram encarcerados sem que dessa pris&#xE3;o haja mais do que um pequeno (ou
mesmo nenhum) registo. Para n&#xE3;o dizermos que desconhecemos quase por
completo os aprisionamentos feitos em espa&#xE7;os coloniais, sobre popula&#xE7;&#xF5;es
negras ou brancas, porque o controlo social era inexistente e porque as fontes
escasseiam ou pura e simplesmente desapareceram. Ficou, no entanto, a
mem&#xF3;ria que organiza&#xE7;&#xF5;es de mem&#xF3;ria como a Tchiweka, em Angola, se tem
esfor&#xE7;ado por resgatar do sil&#xEA;ncio.
Por&#xE9;m, n&#xE3;o ser&#xE1; este desconhecimento que nos poder&#xE1; levar alguma vez a
negar a realidade: em Portugal foram presos milhares de cidad&#xE3;os por &#xAB;delito
de opini&#xE3;o&#xBB;, quase sempre por efeito de dela&#xE7;&#xE3;o e sem provas que possam
comprovar as suas responsabilidades pelo ato de que eram acusados &#x2013; normalmente
de &#xAB;crime contra a seguran&#xE7;a do Estado&#xBB;. Em Portugal foram julgados
milhares de cidad&#xE3;os, com base em processos constitu&#xED;dos de forma
sum&#xE1;ria, sem direito a defesa ou a recurso. Entre 1933 e 1945, foram julgados
13806 presos, a esmagadora maioria acusada de &#xAB;crime pol&#xED;tico&#xBB;, no Tribunal
Militar Especial (Lisboa). Foram muitos ou poucos, pergunta-se. E faz sentido
perguntar se foram muitos quando ignoramos o n&#xFA;mero de todos os outros
que foram presos, mas n&#xE3;o foram julgados? Far&#xE1; mesmo sentido perguntar se
foram muitos se considerarmos que se fosse apenas um j&#xE1; seria demais?</subfield>
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    <subfield code="a">DIREITO PENINTENCI&#xC1;RIO </subfield>
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