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    <subfield code="a">Olfato e crime</subfield>
    <subfield code="b">Recurso eletr&#xF3;nico</subfield>
    <subfield code="e">implica&#xE7;&#xF5;es do reconhecimento de odores corporais na psicologia forense</subfield>
    <subfield code="f">Laura Catarina e Silva Alho</subfield>
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    <subfield code="a">Aveiro</subfield>
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    <subfield code="a">Disserta&#xE7;&#xE3;o apresentada &#xE0; Universidade de Aveiro para cumprimento dos requisitos necess&#xE1;rios &#xE0; obten&#xE7;&#xE3;o do grau de Mestre em Contabilidade no ramo de auditoria, realizada sob a orienta&#xE7;&#xE3;o cient&#xED;fica de Helena In&#xE1;cio. Resumo inserto na publica&#xE7;&#xE3;o. Ficheiro de 4,51 MB em formato PDF (225 p.).</subfield>
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    <subfield code="a">A resolu&#xE7;&#xE3;o de crimes culmina muitas vezes com a identifica&#xE7;&#xE3;o de um ofensor por parte da v&#xED;tima. No entanto, tem sido verificado que as testemunhas oculares e auriculares s&#xE3;o altamente fal&#xED;veis, o que se tem revelado um tema de preocupa&#xE7;&#xE3;o e de discuss&#xE3;o entre investigadores forenses e entidades policiais. Uma vez que as investiga&#xE7;&#xF5;es t&#xEA;m incidido maioritariamente nos sentidos da vis&#xE3;o e da audi&#xE7;&#xE3;o, propusemos uma nova linha de investiga&#xE7;&#xE3;o que pretende estudar a possibilidade de o olfato tamb&#xE9;m poder ser considerado na resolu&#xE7;&#xE3;o de crimes. Em determinadas condi&#xE7;&#xF5;es, as observa&#xE7;&#xF5;es feitas pelas v&#xED;timas acerca do odor do ofensor podem desempenhar um papel determinante na fase investigativa do processo. A presente tese prop&#xF5;e como linha de investiga&#xE7;&#xE3;o o &#x201C;testemunho olfativo&#x201D;, pretendendo perceber (i) a capacidade dos humanos na identifica&#xE7;&#xE3;o de odores corporais de estranhos em alinhamento (um paradigma semelhante aos testemunhos ocular e auricular), (ii) a mem&#xF3;ria olfativa em contexto emocional e em contexto neutro, (iii) os efeitos de algumas vari&#xE1;veis (de sistema e estimadoras) na identifica&#xE7;&#xE3;o do odor-alvo em alinhamento. Todos os estudos apresentam, de uma forma geral, a mesma metodologia: exposi&#xE7;&#xE3;o a v&#xED;deos reais (de crime ou neutros) e a apresenta&#xE7;&#xE3;o simult&#xE2;nea de um odor corporal que &#xE9; informado ser do elemento do sexo masculino que se v&#xEA; no v&#xED;deo. Ap&#xF3;s uma pausa de 15 minutos, &#xE9; apresentado um alinhamento com odores onde o odor-alvo est&#xE1; ou n&#xE3;o presente. A metodologia foi ajustada especificamente para cada estudo. O Estudo 1 explorou o paradigma do testemunho ocular num contexto emocional (crime) e num contexto neutro (n = 80), com uma tarefa de reconhecimento for&#xE7;ada (i.e., o odor-alvo estava sempre presente). Os resultados demonstraram que em ambas as condi&#xE7;&#xF5;es, o reconhecimento foi realizado acima do acaso, tendo sido verificado um desempenho estatisticamente significativo entre a condi&#xE7;&#xE3;o crime (68%), comparativamente com a condi&#xE7;&#xE3;o neutra (45%) (p &#x2264; .05). O Estudo 2 testou os efeitos do intervalo de reten&#xE7;&#xE3;o apenas na condi&#xE7;&#xE3;o emocional (crime). Foi utilizado um intervalo de reten&#xE7;&#xE3;o curto (IRC, 15 minutos) e um intervalo de reten&#xE7;&#xE3;o longo (IRL, 1 semana). Os resultados mostraram um decr&#xE9;scimo na identifica&#xE7;&#xE3;o na condi&#xE7;&#xE3;o IRL. No IRC, os participantes foram capazes de identificar o odor-alvo acima do acaso (p &#x2264; .05). Ao fim de uma semana, a taxa de acerto n&#xE3;o se diferenciou da probabilidade do acaso (p &gt; .05). O Estudo 3 explorou os efeitos do tamanho do alinhamento na condi&#xE7;&#xE3;o emocional. Foram apresentados alinhamentos de 3, 5 e 8 odores corporais. Os resultados revelaram que nas tr&#xEA;s condi&#xE7;&#xF5;es o reconhecimento foi feito acima do acaso (p &#x2264; .05). No entanto, &#xE0; medida que o alinhamento aumenta, a propor&#xE7;&#xE3;o de respostas corretas diminui, sugerindo que em alinhamentos pequenos o reconhecimento &#xE9; mais eficaz. O Estudo 4 explorou o tipo de aprendizagem (acidental vs. intencional) na condi&#xE7;&#xE3;o emocional (crime), com instru&#xE7;&#xF5;es diferenciadas para ambas. Os resultados demostraram a inexist&#xEA;ncia de diferen&#xE7;as significativas entre as condi&#xE7;&#xF5;es, propondo que o reconhecimento olfativo n&#xE3;o sofre interfer&#xEA;ncias com as instru&#xE7;&#xF5;es e com o tipo de aprendizagem relativa ao odor-alvo no momento da codifica&#xE7;&#xE3;o. O reconhecimento em ambas foi significativamente acima do acaso (p &#x2264; .05). O Estudo 5 manipulou a presen&#xE7;a e a aus&#xEA;ncia do odor-alvo em alinhamentos de 5 odores corporais, na condi&#xE7;&#xE3;o crime e na condi&#xE7;&#xE3;o neutra. Os resultados revelaram que a mem&#xF3;ria olfativa parece funcionar melhor em alinhamentos onde o odor-alvo est&#xE1; presente. Uma vez mais, o reconhecimento em ambas as condi&#xE7;&#xF5;es foi acima do acaso (p &#x2264; .05), verificando-se um desempenho superior na condi&#xE7;&#xE3;o crime, o que corrobora e replica os resultados do Estudo 1. Finalmente, o Estudo 6 explorou o tipo de alinhamento (simult&#xE2;neo vs. sequencial), manipulando a presen&#xE7;a e a aus&#xEA;ncia do odor-alvo, em ambas as condi&#xE7;&#xF5;es (crime e neutra). Foi poss&#xED;vel identificar o odor-alvo, acima do acaso (p &#x2264; .05) nos dois tipos de alinhamento e o desempenho foi superior nos alinhamentos que t&#xEA;m o odor-alvo presente. Foram realizadas an&#xE1;lises agregadas de todos os estudos desenvolvidos de forma a perceber o efeito de vari&#xE1;veis como o sexo dos participantes, a posi&#xE7;&#xE3;o serial do odor-alvo em alinhamento, o efeito das emo&#xE7;&#xF5;es negativas (stresse e ansiedade), e o efeito da confian&#xE7;a reportada na identifica&#xE7;&#xE3;o olfativa. Os resultados n&#xE3;o revelaram diferen&#xE7;as entre sexos no reconhecimento de odores para nenhuma condi&#xE7;&#xE3;o. No que diz respeito &#xE0; posi&#xE7;&#xE3;o serial, assiste-se a um efeito de primazia nos alinhamentos simult&#xE2;neos, mas n&#xE3;o se assiste a nenhum efeito nos alinhamentos sequenciais, provavelmente devido ao tipo de instru&#xE7;&#xF5;es e ao tipo de julgamento diferenciado inerentes a cada tipo de alinhamento. Relativamente aos n&#xED;veis subjetivos de stresse e de ansiedade, os participantes da condi&#xE7;&#xE3;o emocional reportaram n&#xED;veis mais elevados em todas as medidas aplicadas antes e depois da tarefa, comparativamente com os participantes da condi&#xE7;&#xE3;o neutra. No entanto, apesar das diferen&#xE7;as, a m&#xE9;dia dos n&#xED;veis reportados &#xE9; baixa, pelo que n&#xE3;o se pode inferir que os participantes experienciaram emo&#xE7;&#xF5;es negativas fortes que pudessem afetar o reconhecimento. Finalmente, os n&#xED;veis de confian&#xE7;a dos participantes da condi&#xE7;&#xE3;o crime foram superiores aos da condi&#xE7;&#xE3;o neutra. No entanto, n&#xE3;o existe uma correla&#xE7;&#xE3;o significativa entre os n&#xED;veis de confian&#xE7;a e a precis&#xE3;o das respostas. Pela primeira vez na literatura cient&#xED;fica, mostrou-se que o reconhecimento de indiv&#xED;duos atrav&#xE9;s do odor corporal &#xE9; poss&#xED;vel (e significativamente acima do acaso) em alinhamentos com cinco odores corporais, onde o odor-alvo est&#xE1; presente. O ser humano &#xE9; capaz de fazer a identifica&#xE7;&#xE3;o quer numa condi&#xE7;&#xE3;o emocional, quer numa condi&#xE7;&#xE3;o neutra. No entanto, o reconhecimento na condi&#xE7;&#xE3;o emocional parece ser potenciado, sugerindo que a emo&#xE7;&#xE3;o negativa associada a esse evento pode intensificar a recorda&#xE7;&#xE3;o do odor em tarefas posteriores de reconhecimento. No entanto, apesar destes resultados interessantes e promissores, importa real&#xE7;ar que &#xE9; necess&#xE1;ria cautela na transposi&#xE7;&#xE3;o para o contexto real. Para que o testemunho olfativo seja aplicado no terreno, ainda h&#xE1; um longo percurso pela frente. Ainda assim, este projeto de investiga&#xE7;&#xE3;o demonstrou que o olfato pode ser uma ferramenta &#xFA;til e efetiva em contextos forenses e que merece ser explorado em investiga&#xE7;&#xF5;es futuras.</subfield>
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