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    <subfield code="a">A recupera&#xE7;&#xE3;o de ativos no contexto da verdadeira justi&#xE7;a de transi&#xE7;&#xE3;o</subfield>
    <subfield code="b">Recurso eletr&#xF3;nico</subfield>
    <subfield code="f">Ricardo Guilherme Silveira Corr&#xEA;a Silva</subfield>
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    <subfield code="a">Coimbra</subfield>
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    <subfield code="a">Tese realizada no &#xE2;mbito do Doutoramento em Direito, &#xC1;rea de Especializa&#xE7;&#xE3;o de Direito P&#xFA;blico, orientada por J&#xF3;natas Eduardo Mendes Machado e apresentada &#xE0; Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Resumo inserto na publica&#xE7;&#xE3;o. Ficheiro de 3,99 MB em formato PDF (500 p.).</subfield>
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    <subfield code="a">A presente investiga&#xE7;&#xE3;o trata da necessidade de se repensar os mecanismos tradicionais de justi&#xE7;a de transi&#xE7;&#xE3;o, em virtude de que estes t&#xEA;m, desde a d&#xE9;cada de 1990, negligenciado a chamada viol&#xEA;ncia econ&#xF4;mica, que inclui a corrup&#xE7;&#xE3;o. Para alcan&#xE7;ar o objetivo proposto, percorre-se brevemente o pensamento pol&#xED;tico ocidental, que demonstra que, desde os prim&#xF3;rdios da civiliza&#xE7;&#xE3;o, os efeitos da corrup&#xE7;&#xE3;o j&#xE1; constitu&#xED;a preocupa&#xE7;&#xE3;o. Considerando o long&#xED;nquo estudo em torno da corrup&#xE7;&#xE3;o, &#xE9; necess&#xE1;rio tra&#xE7;ar panoramas contempor&#xE2;neos, de forma a promover uma recontextualiza&#xE7;&#xE3;o afinada com a realidade p&#xF3;s-moderna. A corrup&#xE7;&#xE3;o &#xE9; uma amarra na consecu&#xE7;&#xE3;o dos direitos humanos, e seus efeitos atingem frontalmente os direitos sociais, o desenvolvimento e a democracia. Diante dessa realidade, &#xE9; salutar o desenvolvimento de um princ&#xED;pio anticorrup&#xE7;&#xE3;o sob as dimens&#xF5;es constitucional e internacional; a dimens&#xE3;o constitucional est&#xE1; lastreada nos prop&#xF3;sitos e nas promessas constitucionais implicitamente previstas no texto por meio dos princ&#xED;pios estruturantes. No mesmo sentido, a dimens&#xE3;o jur&#xED;dico-internacional est&#xE1; presente nas normativas internacionais, as quais, afinadas com o constitucionalismo global, permite que as fontes de direito internacional sejam interpretadas de acordo com este princ&#xED;pio. A recontextualiza&#xE7;&#xE3;o da corrup&#xE7;&#xE3;o compreende a constata&#xE7;&#xE3;o de que, dado o avan&#xE7;o tecnol&#xF3;gico e a expans&#xE3;o da globaliza&#xE7;&#xE3;o, os Estados n&#xE3;o est&#xE3;o preparados normativamente para enfrentar a insofism&#xE1;vel realidade p&#xF3;s-moderna. Sob esta realidade, a criminalidade organizada e a lavagem de dinheiro adquiriram contornos modernos e os para&#xED;sos fiscais tornaram-se ainda mais acess&#xED;veis diante da supress&#xE3;o das barreiras territoriais. A coopera&#xE7;&#xE3;o internacional passa a ser ainda mais relevante neste cen&#xE1;rio; diante desta realidade de oculta&#xE7;&#xE3;o de ativos em jurisdi&#xE7;&#xF5;es estrangeiras, a CNUCC elevou a recupera&#xE7;&#xE3;o de ativos ao patamar de princ&#xED;pio fundamental no combate &#xE0; corrup&#xE7;&#xE3;o, o que justifica o aumento exponencial dos esfor&#xE7;os internacionais neste sentido. A l&#xF3;gica da impunidade permeia a corrup&#xE7;&#xE3;o em um cen&#xE1;rio de criminalidade estatal e mais claramente em estados em transi&#xE7;&#xE3;o do autoritarismo para a democracia. Por tal fato, n&#xE3;o &#xE9; mais poss&#xED;vel negligenciar a corrup&#xE7;&#xE3;o nos mecanismos de justi&#xE7;a de transi&#xE7;&#xE3;o, sob pena de tornar esta inconclusa. Nos mecanismos tradicionais de justi&#xE7;a de transi&#xE7;&#xE3;o preponderam a san&#xE7;&#xE3;o aos perpetradores em detrimento das quest&#xF5;es humanas das v&#xED;timas; &#xE9; necess&#xE1;rio conferir &#xE0; justi&#xE7;a de transi&#xE7;&#xE3;o uma compreens&#xE3;o hol&#xED;stica que contemple todas as viola&#xE7;&#xF5;es passadas de direitos humanos, sob pena de ser instaurada uma seletividade indesejada da injusti&#xE7;a. Faz-se, neste contexto, necess&#xE1;ria a constru&#xE7;&#xE3;o da recupera&#xE7;&#xE3;o de ativos enquanto mecanismo de inflex&#xE3;o anticorrup&#xE7;&#xE3;o e de direitos humanos com vistas a alcan&#xE7;ar a almejada paz positiva e o essencial estado de bem-estar social. Para tanto, os ativos recuperados, fruto da corrup&#xE7;&#xE3;o que suprimiu direitos, devem ser alocados nas injusti&#xE7;as socioecon&#xF4;micas. O objetivo de combate &#xE0; corrup&#xE7;&#xE3;o exige um pacto global anticorrup&#xE7;&#xE3;o que compreenda toda a a&#xE7;&#xE3;o da sociedade internacional, inclusive financiadores e doadores, os quais dever&#xE3;o condicionar qualquer ajuda &#xE0; exig&#xEA;ncia da recupera&#xE7;&#xE3;o de ativos e ao n&#xE3;o pagamento de d&#xED;vidas odiosas.</subfield>
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