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    <subfield code="a">O GPS como m&#xE9;todo oculto de investiga&#xE7;&#xE3;o no direito processual penal e no direito do trabalho [Documento eletr&#xF3;nico]</subfield>
    <subfield code="f">Joana Fuzeta da Ponte Nunes Capela</subfield>
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    <subfield code="a">Mestrado em Direito e Pr&#xE1;tica Jur&#xED;dica, especialidade de Ci&#xEA;ncias Jur&#xED;dico-Forenses, apresentado &#xE0; Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, tendo como orientador Rui Soares Pereira. Resumo inserto na publica&#xE7;&#xE3;o. Ficheiro de 952 KB em formato PDF (132 p.).</subfield>
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    <subfield code="a">O presente trabalho versa sobre a utiliza&#xE7;&#xE3;o do Global Positioning System (&#x201C;GPS&#x201D;) como m&#xE9;todo de investiga&#xE7;&#xE3;o, nos ramos do Direito processual penal e do trabalho. Visa-se, no essencial, compreender as implica&#xE7;&#xF5;es que o GPS, enquanto nova tecnologia utilizada para m&#xFA;ltiplos fins e com in&#xFA;meras potencialidades, tem ao n&#xED;vel do Direito, essencialmente no que respeita &#xE0; produ&#xE7;&#xE3;o de prova no processo criminal e no &#xE2;mbito de um poss&#xED;vel processo disciplinar a instaurar a um trabalhador. Neste contexto, o trabalho em apre&#xE7;o analisa duas das utiliza&#xE7;&#xF5;es poss&#xED;veis do sistema de GPS: a n&#xED;vel do processo penal, atrav&#xE9;s da sua coloca&#xE7;&#xE3;o num ve&#xED;culo de um suspeito da pr&#xE1;tica de um crime e posterior utiliza&#xE7;&#xE3;o dos elementos recolhido atrav&#xE9;s deste meio, e enquanto meio capaz, ou n&#xE3;o, de produzir provas necess&#xE1;rias para que o empregador possa instaurar um processo disciplinar ao trabalhador. Sucede que o GPS n&#xE3;o encontra consagra&#xE7;&#xE3;o legal espec&#xED;fica no ordenamento jur&#xED;dico portugu&#xEA;s. Assim, tent&#xE1;mos compreender se, neste quadro, a sua utiliza&#xE7;&#xE3;o deve ser genericamente admitida. No Direito processual penal a doutrina encontra-se dividida. Alguns autores defendem a possibilidade de aplica&#xE7;&#xE3;o anal&#xF3;gica face ao regime da localiza&#xE7;&#xE3;o celular e outros defendem-na relativamente a outros regimes. Por fim, h&#xE1; quem manifeste total concord&#xE2;ncia com a sua utiliza&#xE7;&#xE3;o &#xE0; luz do princ&#xED;pio da legalidade, previsto no C&#xF3;digo de Processo Penal. Tamb&#xE9;m a jurisprud&#xEA;ncia nacional reflete diferentes considera&#xE7;&#xF5;es sobre o tema. Neste sentido, o Tribunal da Rela&#xE7;&#xE3;o de &#xC9;vora j&#xE1; se pronunciou no sentido de n&#xE3;o ser necess&#xE1;rio um enquadramento normativo espec&#xED;fico para a utiliza&#xE7;&#xE3;o do GPS enquanto meio de investiga&#xE7;&#xE3;o criminal; no polo oposto, o Tribunal da Rela&#xE7;&#xE3;o do Porto defende que tal enquadramento &#xE9; necess&#xE1;rio, tendo alinhado pela aplica&#xE7;&#xE3;o anal&#xF3;gica do regime da localiza&#xE7;&#xE3;o celular. No que respeita ao Direito do trabalho, a quest&#xE3;o &#xE9; igualmente relevante e objeto de diverg&#xEA;ncia doutrin&#xE1;ria, desde logo quanto &#xE0; qualifica&#xE7;&#xE3;o do GPS como meio de vigil&#xE2;ncia &#xE0; dist&#xE2;ncia. Ao passo que alguns autores consideram a utiliza&#xE7;&#xE3;o do GPS como um meio de vigil&#xE2;ncia &#xE0; dist&#xE2;ncia, outros, pelo contr&#xE1;rio, consideram que este sistema n&#xE3;o deve integrar tal conceito. Tamb&#xE9;m os tribunais t&#xEA;m deliberado sobre este assunto, em sede laboral, tendo o Supremo Tribunal de Justi&#xE7;a desconsiderado o GPS como meio de vigil&#xE2;ncia &#xE0; dist&#xE2;ncia. Contrariamente, o Tribunal da Rela&#xE7;&#xE3;o do Porto j&#xE1; se pronunciou no sentido oposto. Deste modo, facilmente se compreende que, em ambos os ramos do direito, a problem&#xE1;tica da utiliza&#xE7;&#xE3;o do GPS como m&#xE9;todo de investiga&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o se encontra isenta de d&#xFA;vidas, o que prejudica a sua utiliza&#xE7;&#xE3;o, mesmo quando esta se revelaria da maior import&#xE2;ncia na descoberta da verdade. O que consideramos, em suma, &#xE9; que seria importante a consagra&#xE7;&#xE3;o de um regime espec&#xED;fico capaz de definir de forma clara e objetiva os pressupostos e as condi&#xE7;&#xF5;es espec&#xED;ficas para a utiliza&#xE7;&#xE3;o do GPS como m&#xE9;todo de investiga&#xE7;&#xE3;o, tendo sempre como fator decisivo o respeito pelos princ&#xED;pios ordenadores do nosso sistema jur&#xED;dico. Foi nesse contexto e com essa inten&#xE7;&#xE3;o que desenvolvemos a presente tese. Ela visa, tendo como pano de fundo o Direito processual penal, por um lado, e o Direito do trabalho, por outro, alcan&#xE7;ar uma conclus&#xE3;o geral que nos permita afirmar se e em que medida o GPS pode (ou n&#xE3;o) ser utilizado como meio de investiga&#xE7;&#xE3;o. A an&#xE1;lise de dois ramos do Direito distintos faz sentido, deste ponto de vista. Tendo em conta a unidade do Direito, procur&#xE1;mos formular uma conclus&#xE3;o capaz de abarcar ambas as situa&#xE7;&#xF5;es, em nome da certeza e seguran&#xE7;a jur&#xED;dicas.</subfield>
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