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    <subfield code="a">Drogas e pris&#xF5;es em Portugal</subfield>
    <subfield code="f">An&#xE1;lia Cardoso Torres, Maria do Carmo Gomes</subfield>
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    <subfield code="a">233, [21] p. anexos</subfield>
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    <subfield code="a">Dispon&#xED;vel tamb&#xE9;m em: https://repositorio.iscte-iul.pt/bitstream/10071/2177/1/Drogas_prisoes_2001_livro.PDF. Acedido a 28 de Maio de 2014.</subfield>
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    <subfield code="a">A ideia segundo a qual na pris&#xE3;o circulam, se comercializam e se consomem drogas, tal como em meio livre, n&#xE3;o s&#xF3; &#xE9;, &#xE0; primeira vista, estranha, como tende a contrariar as nossas vis&#xF5;es de senso comum. N&#xE3;o temos n&#xF3;s a imagem dos estabelecimentos prisionais como fortalezas, institui&#xE7;&#xF5;es fechadas e impenetr&#xE1;veis ao mundo exterior, onde a vigil&#xE2;ncia &#xE9; uma constante? Como se podem realizar neg&#xF3;cios il&#xED;citos quando h&#xE1; controlo permanente da vida dos indiv&#xED;duos e aus&#xEA;ncia de privacidade? Quando olhamos mais de perto para esta realidade, as ideias iniciais come&#xE7;am a perder sustenta&#xE7;&#xE3;o. Tal como acontece em meio livre, a circula&#xE7;&#xE3;o de drogas na pris&#xE3;o &#xE9; uma realidade vivida em todos os pa&#xED;ses desenvolvidos, independentemente dos seus sistemas penais e molduras jur&#xED;dicas. Com efeito, as paredes dessas fortalezas, muitas vezes, tanto em sentido literal como simb&#xF3;lico, s&#xE3;o bem mais perme&#xE1;veis do que parecem. Por um lado, basta pensar na exist&#xEA;ncia de contactos di&#xE1;rios e permanentes que prestadores de servi&#xE7;os - refei&#xE7;&#xF5;es, manuten&#xE7;&#xE3;o, ensino, forma&#xE7;&#xE3;o, sa&#xFA;de, bem como fornecedores de material diverso, de medicamentos e de outros produtos farmacol&#xF3;gicos e cl&#xED;nicos - estabelecem com o meio prisional. Por outro lado, as visitas constituem tamb&#xE9;m outra fonte de intera&#xE7;&#xE3;o quase quotidiana entre o meio exterior e a pris&#xE3;o, sendo-o igualmente os diferentes corpos - administrativos, t&#xE9;cnicos de sa&#xFA;de e de reeduca&#xE7;&#xE3;o, pessoal de vigil&#xE2;ncia e de manuten&#xE7;&#xE3;o - que constituem o staff prisional. Por &#xFA;ltimo, deve ainda ter-se em conta que um grupo espec&#xED;fico de reclusos contacta quase diariamente, em virtude dos regimes especiais em que se encontra, com o exterior. Estas constantes entradas e sa&#xED;das, de pessoas e de produtos, s&#xE3;o os elos fracos, incontorn&#xE1;veis de resto, de uma institui&#xE7;&#xE3;o que pareceria invulner&#xE1;vel e estanque. Mas outros factores explicam essa permeabilidade ao tr&#xE1;fico e consumo de drogas no sistema prisional. Os motivos que tornam as drogas uma oportunidade de neg&#xF3;cio de ganhos financeiros avultad&#xED;ssimos - a ilicitude do seu com&#xE9;rcio, o seu elevado lucro - funcionam tamb&#xE9;m em meio prisional e s&#xE3;o a&#xED;, ali&#xE1;s, agravados e exponenciados. S&#xE3;o esses factores espec&#xED;ficos e as suas interconex&#xF5;es que se analisam neste livro, ao mesmo tempo que se identificam as caracter&#xED;sticas e a preval&#xEA;ncia do fen&#xF3;meno das drogas nas pris&#xF5;es portuguesas. Esta viagem, que se iniciou com uma solicita&#xE7;&#xE3;o expl&#xED;cita de conhecimento da realidade sobre grandes tend&#xEA;ncias relacionadas com a circula&#xE7;&#xE3;o e o consumo de subst&#xE2;ncias il&#xED;citas no universo prisional, com o objectivo &#xFA;ltimo de desenhar pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas, acabou por se transformar numa porta de entrada para outras realidades do sistema prisional. A estrat&#xE9;gia concebida para responder a um problema de conhecimento metodologicamente complexo implicou, de resto, a abordagem de outros aspectos e caracter&#xED;sticas do meio prisional que fossem suscept&#xED;veis de melhor elucidar pr&#xE1;ticas e opini&#xF5;es. Na verdade, procurou-se responder na pesquisa a um conjunto de interroga&#xE7;&#xF5;es b&#xE1;sicas. Qual o perfil social dos que chegam aos estabelecimentos prisionais? De que problemas de sa&#xFA;de s&#xE3;o portadores? Que tipo de crimes praticaram os que entram nos estabelecimentos prisionais portugueses e qual a sua rela&#xE7;&#xE3;o com as drogas? Quem s&#xE3;o os consumidores de drogas e que tipo de subst&#xE2;ncias consomem? Quais s&#xE3;o as suas trajet&#xF3;rias de consumo, que rela&#xE7;&#xE3;o se pode estabelecer entre tr&#xE1;fico e circula&#xE7;&#xE3;o de drogas, consumos e actos criminosos? Quais as pr&#xE1;ticas de consumo de drogas no interior dos estabelecimentos prisionais? Continua-se a consumir as mesmas subst&#xE2;ncias? E que pr&#xE1;ticas e modalidades de consumo prevalecem? Que tipo de riscos esses comportamentos envolvem? O que pensam os reclusos sobre a vida nos estabelecimentos prisionais, que aspectos mais os preocupam? Com que perspectivas encaram os consumos de drogas e a toxicodepend&#xEA;ncia, que medidas, a esse respeito, acham necess&#xE1;rio implementar? O que pensam os directores dos estabelecimentos prisionais sobre as condi&#xE7;&#xF5;es de vida nas pris&#xF5;es, que aspectos mais os preocupam? Com que perspectivas encaram os consumos de drogas e a toxicodepend&#xEA;ncia e que medidas acham necess&#xE1;rio implementar? Al&#xE9;m de responder a estas perguntas, a pesquisa procurou conhecer a realidade de outros pa&#xED;ses de forma a comparar, e tornar mais intelig&#xED;veis, os resultados obtidos. O livro &#xE9; constitu&#xED;do por uma introdu&#xE7;&#xE3;o, oito cap&#xED;tulos e a conclus&#xE3;o. Depois de uma indica&#xE7;&#xE3;o global sobre os objectivos da investiga&#xE7;&#xE3;o realizada passa-se ao primeiro cap&#xED;tulo, que enquadra o caso prisional portugu&#xEA;s no contexto internacional e o fen&#xF3;meno do consumo de drogas nas pris&#xF5;es. Este enquadramento refere-se a conclus&#xF5;es de estudos realizados sobre o fen&#xF3;meno do consumo de drogas nas pris&#xF5;es na Uni&#xE3;o Europeia (UE) e no Canad&#xE1;, bem como a outras pesquisas realizadas sobre a realidade nacional. Ser&#xE3;o igualmente explicitados, neste cap&#xED;tulo, todos os procedimentos metodol&#xF3;gicos utilizados tanto para a concep&#xE7;&#xE3;o e aplica&#xE7;&#xE3;o do question&#xE1;rio aos reclusos, como para a realiza&#xE7;&#xE3;o da ausculta&#xE7;&#xE3;o aos directores e servi&#xE7;os cl&#xED;nicos dos estabelecimentos prisionais. No segundo cap&#xED;tulo inicia-se a apresenta&#xE7;&#xE3;o dos resultados atrav&#xE9;s da caracteriza&#xE7;&#xE3;o demogr&#xE1;fica e social dos reclusos. Apresentam-se tamb&#xE9;m os dados relativos &#xE0;s suas situa&#xE7;&#xF5;es cl&#xED;nicas, &#xE0; preval&#xEA;ncia de doen&#xE7;as infecto-contagiosas nos estabelecimentos prisionais e &#xE0;s pr&#xE1;ticas preventivas e de risco de cont&#xE1;gio. No terceiro cap&#xED;tulo analisam-se as situa&#xE7;&#xF5;es prisionais e penais, nomeadamente as que dizem respeito ao tipo de crimes cometidos e aos motivos de deten&#xE7;&#xE3;o. S&#xE3;o ainda analisados, entre outros, dados sobre as penas aplicadas, o tempo de perman&#xEA;ncia na pris&#xE3;o, a reincid&#xEA;ncia prisional. O quarto cap&#xED;tulo diz respeito &#xE0; explora&#xE7;&#xE3;o dos dados sobre consumidores e consumos de drogas nas pris&#xF5;es. S&#xE3;o objecto de an&#xE1;lise mais detalhada as caracter&#xED;sticas sociais dos consumidores de drogas entre a popula&#xE7;&#xE3;o reclusa, as propor&#xE7;&#xF5;es das declara&#xE7;&#xF5;es de consumo de subst&#xE2;ncias psicoactivas antes e na pris&#xE3;o, os usos intravenosos e os meios de inje&#xE7;&#xE3;o, o recurso aos diferentes tipos de programas de tratamento. De seguida, no quinto cap&#xED;tulo, s&#xE3;o analisadas as avalia&#xE7;&#xF5;es, preocupa&#xE7;&#xF5;es e opini&#xF5;es dos reclusos relativamente a v&#xE1;rios aspectos da vida nos estabelecimentos prisionais. S&#xE3;o objecto de aprecia&#xE7;&#xE3;o as condi&#xE7;&#xF5;es gerais das pris&#xF5;es, os aspectos mais preocupantes no contexto da reclus&#xE3;o, as representa&#xE7;&#xF5;es sobre toxicodepend&#xEA;ncia e toxicodependentes, e, ainda, as opini&#xF5;es sobre eventuais medidas e solu&#xE7;&#xF5;es para o problema das drogas em meio prisional. A apresenta&#xE7;&#xE3;o dos dados provenientes do inqu&#xE9;rito aos reclusos inclui, no cap&#xED;tulo sexto, uma an&#xE1;lise de correspond&#xEA;ncias m&#xFA;ltiplas atrav&#xE9;s da qual se identifica o perfil de tr&#xEA;s grupos distintos presentes nas pris&#xF5;es portuguesas. O s&#xE9;timo cap&#xED;tulo cont&#xE9;m os resultados provenientes da ausculta&#xE7;&#xE3;o realizada aos directores e as informa&#xE7;&#xF5;es fornecidas pelos servi&#xE7;os cl&#xED;nicos dos estabelecimentos prisionais. S&#xE3;o analisadas as avalia&#xE7;&#xF5;es dos directores quanto &#xE0;s condi&#xE7;&#xF5;es de vida na pris&#xE3;o, &#xE0; quantidade e qualifica&#xE7;&#xF5;es dos diferentes grupos profissionais no sistema prisional e &#xE0; sua disponibilidade para implementa&#xE7;&#xE3;o de medidas relacionadas com a toxicodepend&#xEA;ncia, bem como as preocupa&#xE7;&#xF5;es que sentem, as opini&#xF5;es que t&#xEA;m relativamente &#xE0;s drogas nas pris&#xF5;es, entre outros dados de caracteriza&#xE7;&#xE3;o dos diferentes estabelecimentos prisionais que dirigem. S&#xE3;o ainda indicadas as estimativas de preval&#xEA;ncia de doen&#xE7;as infecto-contagiosas, de consumidores de drogas e informa&#xE7;&#xF5;es sobre a realiza&#xE7;&#xE3;o de testes de despistagem de consumos fornecidas pelos servi&#xE7;os cl&#xED;nicos &#x2026; tamb&#xE9;m apresenta uma an&#xE1;lise de correspond&#xEA;ncias m&#xFA;ltiplas onde se representam dois perfis de directores dos estabelecimentos prisionais. No &#xFA;ltimo cap&#xED;tulo realiza-se uma an&#xE1;lise comparativa das avalia&#xE7;&#xF5;es, preocupa&#xE7;&#xF5;es e opini&#xF5;es de reclusos e directores, de forma mais sistem&#xE1;tica, apurando as respectivas converg&#xEA;ncias e diverg&#xEA;ncias. Nas conclus&#xF5;es, finalmente, retomam-se as perguntas iniciais que orientaram a pesquisa, sistematizando e relacionando os principais resultados obtidos.</subfield>
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