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    <subfield code="a">O neg&#xF3;cio fiduci&#xE1;rio perante terceiros</subfield>
    <subfield code="b">Recurso eletr&#xF3;nico</subfield>
    <subfield code="e">com aplica&#xE7;&#xE3;o especial na gest&#xE3;o de valores mobili&#xE1;rios</subfield>
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    <subfield code="a">Disserta&#xE7;&#xE3;o para Doutoramento em Direito Privado pela Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, sob a orienta&#xE7;&#xE3;o de Rui Pinto Duarte. Resumo do autor. Ficheiro de 6,02 MB em formato PDF (660 p.)</subfield>
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    <subfield code="a">Nesta disserta&#xE7;&#xE3;o, estudo os efeitos do neg&#xF3;cio fiduci&#xE1;rio de gest&#xE3;o perante terceiros. A partir de uma descri&#xE7;&#xE3;o daquela figura contratual assente nos elementos estruturais e funcionais que verdadeiramente a caracterizam &#x2014; a atribui&#xE7;&#xE3;o ao fiduci&#xE1;rio da propriedade de um bem, que se encontra funcionalizada &#xE0; prossecu&#xE7;&#xE3;o do interesse do fiduciante, titular de um direito de cr&#xE9;dito ao resultado econ&#xF3;mico daquela atividade gest&#xF3;ria &#x2014;, procuro, em particular, encontrar resposta para os dois problemas paradigm&#xE1;ticos da chamada esfera externa da rela&#xE7;&#xE3;o fiduci&#xE1;ria: a oponibilidade da posi&#xE7;&#xE3;o do fiduciante aos credores gerais do fiduci&#xE1;rio, na execu&#xE7;&#xE3;o for&#xE7;ada do patrim&#xF3;nio deste; e a oponibilidade do v&#xED;nculo fiduci&#xE1;rio a terceiros adquirentes de uma pretens&#xE3;o sobre o bem fiduci&#xE1;rio em viola&#xE7;&#xE3;o do pactum fiduciae. Estes problemas s&#xE3;o tratados no quadro do direito comum, beneficiando de uma incurs&#xE3;o juscomparativa que revela ser precipitada a ideia difundida na literatura de que apenas os ordenamentos de "common law" asseguram uma tutela externa do fiduciante, sendo os resultados dessa indaga&#xE7;&#xE3;o depois aplicados a um caso socialmente t&#xED;pico de titularidade fiduci&#xE1;ria de valores mobili&#xE1;rios. Reduzido &#xE0; sua ess&#xEA;ncia, o primeiro problema implica tra&#xE7;ar a rela&#xE7;&#xE3;o que se estabelece entre autonomia privada &#x2014; a fonte do neg&#xF3;cio fiduci&#xE1;rio at&#xED;pico &#x2014; e a separa&#xE7;&#xE3;o patrimonial. Num percurso hermen&#xEA;utico que valoriza elementos sistem&#xE1;ticos e teleol&#xF3;gicos, procuro demonstrar que a lei adota crit&#xE9;rios de resolu&#xE7;&#xE3;o dos conflitos entre diferentes classes de credores que, encontrando no mandato sem representa&#xE7;&#xE3;o a sua matriz conceptual, se afastam de uma perspetiva puramente est&#xE1;tica fundada na titularidade, privilegiando uma abordagem din&#xE2;mica e funcional, que &#xE9; sens&#xED;vel a v&#xED;nculos de destina&#xE7;&#xE3;o. Em concreto, &#xE9; assim quando &#x2014; como na fid&#xFA;cia &#x2014; a titularidade de um direito se destina a prosseguir um interesse alheio e &#xE9; instrumental na prossecu&#xE7;&#xE3;o de um fim de gest&#xE3;o, garantia ou conserva&#xE7;&#xE3;o. Nesta dire&#xE7;&#xE3;o, assinalo a relev&#xE2;ncia dogm&#xE1;tica de certas pretens&#xF5;es puramente obrigacionais que interferem na delimita&#xE7;&#xE3;o da garantia geral, em particular aquelas que processam uma dissocia&#xE7;&#xE3;o entre titularidade e interesse e, portanto, entre propriedade de um bem e imputa&#xE7;&#xE3;o do respetivo resultado econ&#xF3;mico. Apurados estes dados, reveladores de uma rela&#xE7;&#xE3;o complementar &#x2014; n&#xE3;o antit&#xE9;tica &#x2014; entre o princ&#xED;pio da responsabilidade patrimonial e a tutela da autonomia privada, avan&#xE7;o para a demonstra&#xE7;&#xE3;o da voca&#xE7;&#xE3;o expansiva do regime de responsabilidade por d&#xED;vidas do mandato sem representa&#xE7;&#xE3;o, nele identificando um crit&#xE9;rio normativo genericamente aplic&#xE1;vel &#xE0;s situa&#xE7;&#xF5;es de titularidade fiduci&#xE1;ria.O ponto de partida para a resolu&#xE7;&#xE3;o do segundo problema fiduci&#xE1;rio &#xE9; o reconhecimento da aus&#xEA;ncia de uma limita&#xE7;&#xE3;o intr&#xED;nseca do poder de disposi&#xE7;&#xE3;o do fiduci&#xE1;rio, que n&#xE3;o pode ser extra&#xED;da da disciplina do mandato sem representa&#xE7;&#xE3;o, mas &#xE9; tamb&#xE9;m, n&#xE3;o obstante, a rejei&#xE7;&#xE3;o de uma inevit&#xE1;vel desprote&#xE7;&#xE3;o do fiduciante. Para esse efeito, procuro demonstrar que a autonomia patrimonial que a lei reconhece aos bem fiduciado n&#xE3;o tem o seu alcance normativo limitado &#xE0; circunscri&#xE7;&#xE3;o da esfera de responsabilidade, transbordando para certas prerrogativas de disposi&#xE7;&#xE3;o do fiduci&#xE1;rio, que podem afinal ser parcialmente limitadas para neg&#xF3;cios dispositivos com escopo de garantia. S&#xF3; fora desses casos se justifica recorrer a mecanismos de tutela mediata, assumindo a&#xED; relev&#xE2;ncia a doutrina da efic&#xE1;cia externa das obriga&#xE7;&#xF5;es, que permite, no quadro dos seus pressupostos e dispensando o crivo mais exigente do abuso de direito, a responsabiliza&#xE7;&#xE3;o do terceiro pela viola&#xE7;&#xE3;o il&#xED;cita e culposa do direito de cr&#xE9;dito de que &#xE9; titular o fiduciante. Os resultados desta an&#xE1;lise do direito comum servem depois de pano de fundo para enquadrar um caso paradigm&#xE1;tico de titularidade fiduci&#xE1;ria no tr&#xE1;fego mobili&#xE1;rio: as cadeias de titularidade indireta de valores mobili&#xE1;rios. Fen&#xF3;meno criado pela din&#xE2;mica pr&#xF3;pria do mercado e convivendo, de facto, ao lado dos modelos de titularidade e circula&#xE7;&#xE3;o mobili&#xE1;ria desenhados no C&#xF3;digo dos Valores Mobili&#xE1;rios, estas cadeias de titularidade indireta s&#xE3;o caracterizadas pela aus&#xEA;ncia de um v&#xED;nculo jur&#xED;dico direto entre emitente e investidor, sendo atribu&#xED;da ao intermedi&#xE1;rio financeiro uma fun&#xE7;&#xE3;o de custodiante fiduci&#xE1;rio: ele surge como titular dos valores mobili&#xE1;rios, mas por conta e risco de m&#xFA;ltiplos investidores, ao abrigo de complexas estruturas jur&#xED;dicas que, tendo na base uma conta de registo individualizado de valores mobili&#xE1;rios, se desdobram em sucessivas rela&#xE7;&#xF5;es de cust&#xF3;dia fiduci&#xE1;ria, tipicamente transfronteiri&#xE7;as, at&#xE9; chegar ao investidor final. Identificada e devidamente descrita esta cria&#xE7;&#xE3;o do tr&#xE1;fego mobili&#xE1;rio, procuro determinar, a partir de um exerc&#xED;cio dial&#xE9;tico entre direito geral e direito especial, o grau de tutela que deve nelas merecer o investidor/fiduciante: primeiro, na insolv&#xEA;ncia do intermedi&#xE1;rio financeiro; depois, perante terceiros adquirentes de uma pretens&#xE3;o incompat&#xED;vel sobre aqueles valores mobili&#xE1;rios detidos por conta. A disserta&#xE7;&#xE3;o termina com algumas p&#xE1;ginas dedicadas ao exerc&#xED;cio de direitos de voto inerentes a a&#xE7;&#xF5;es integradas numa cadeia de titularidade indireta, bem como ao regime a&#xED; aplic&#xE1;vel a respeito da imputa&#xE7;&#xE3;o de direitos de voto.</subfield>
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