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    <subfield code="a">Abuso sexual na inf&#xE2;ncia e adolesc&#xEA;ncia</subfield>
    <subfield code="b">Recurso eletr&#xF3;nico</subfield>
    <subfield code="e">uma leitura narrativa do impacto e dos processos conducentes &#xE0; resili&#xEA;ncia</subfield>
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    <subfield code="a">1 CD-ROM</subfield>
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    <subfield code="a">Tese de Doutoramento em Psicologia, &#xC1;rea do Conhecimento em Psicologia da Justi&#xE7;a, apresentada na Escola de Psicologia da Univesidade do Minho, tendo como orientadora a Professora Doutora Carla Maria Penousal Martins Machado. Ficheiro de 2,78 Mb em formato pdf (380 p.). Dispon&#xED;vel tamb&#xE9;m em: https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/13207/1/Carla%20Margarida%20Vieira%20Antunes.pdf. Acedido a 15 de maio de 2012.</subfield>
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    <subfield code="a">A conceptualiza&#xE7;&#xE3;o te&#xF3;rica que fundamentou este estudo foi o modelo narrativo de White eEpston (1990), tendo esta investiga&#xE7;&#xE3;o dois objectivos centrais: (1) compreender o impacto do abuso sexual sofrido na inf&#xE2;ncia/juventude e (2) identificar os recursos que as crian&#xE7;as e/ou jovens abusados possuem para a sua mudan&#xE7;a espont&#xE2;nea em direc&#xE7;&#xE3;o &#xE0; resili&#xEA;ncia. Ambas as dimens&#xF5;es foram analisadas &#xE0; luz da grelha narrativa, procurando-se, num terceiro objectivo, de natureza mais te&#xF3;rica, avaliar a adequa&#xE7;&#xE3;o e contributos do modelo narrativo para a compreens&#xE3;o da experi&#xEA;ncia do abuso sexual e dos processos de mudan&#xE7;a que lhe est&#xE3;o associados. Para tal, foram realizadas entrevistas qualitativas em profundidade com dezasseis crian&#xE7;as e/ou jovens v&#xED;timas de abuso sexual, posteriormente divididos por dois grupos: crian&#xE7;as e/ou jovens resilientes e n&#xE3;o resilientes. Estas entrevistas foram posteriormente submetidas a um processo de "grounded analysis" e a sua codifica&#xE7;&#xE3;o foi validada por um juiz independente. No que se refere ao impacto, os resultados revelam uma tend&#xEA;ncia para o aumento do impacto negativo do problema ap&#xF3;s a revela&#xE7;&#xE3;o na maioria dos participantes em estudo. Especificamente, os efeitos negativos predominantes s&#xE3;o a vergonha/estigma, a culpa e o medo. Os discursos sociais/culturais surgem tamb&#xE9;m como uma vari&#xE1;vel que interfere nas significa&#xE7;&#xF5;es que a v&#xED;tima constr&#xF3;i, sendo que as cren&#xE7;as e estere&#xF3;tipos de culpabiliza&#xE7;&#xE3;o da v&#xED;tima tendem a estar associados a maior sofrimento psicol&#xF3;gico. Para al&#xE9;m destes efeitos, as expectativas de justi&#xE7;a tornam-se particularmente relevantes para as v&#xED;timas, sendo a condena&#xE7;&#xE3;o do ofensor encarada como uma forma efectiva de valida&#xE7;&#xE3;o da sua experi&#xEA;ncia abusiva. Quando analisamos as diferen&#xE7;as nos efeitos do abuso em fun&#xE7;&#xE3;o dos dois grupos de participantes entrevistados, resilientes e n&#xE3;o resilientes, verificamos que, os participantes do grupo n&#xE3;o resiliente reportam: a) uma forte estigmatiza&#xE7;&#xE3;o associada a sentimentos de diferen&#xE7;a interpessoal; b) maior tend&#xEA;ncia para experienciar o medo como central na sua viv&#xEA;ncia do abuso; c) maior tend&#xEA;ncia para se culpabilizarem pela manuten&#xE7;&#xE3;o do segredo em rela&#xE7;&#xE3;o ao abuso; d) maior percep&#xE7;&#xE3;o do abuso como uma armadilha/trai&#xE7;&#xE3;o interpessoal; e) mais ansiedade face a rela&#xE7;&#xF5;es futuras e receio face &#xE0; homossexualidade; f) maior ambival&#xEA;ncia face ao processo judicial, ao mesmo tempo que o consideram relevante para a valida&#xE7;&#xE3;o da sua experi&#xEA;ncia abusiva. Relativamente &#xE0; narrativa de mudan&#xE7;a, globalmente, os resultados reflectem uma consider&#xE1;vel diversidade de momentos de inova&#xE7;&#xE3;o (isto &#xE9;, momentos que escapam aos efeitos e prescri&#xE7;&#xF5;es do abuso) reportados pelas v&#xED;timas. O MI mais saliente na nossa amostra &#xE9; o de reflex&#xE3;o, enquanto os MIs de reconceptualiza&#xE7;&#xE3;o s&#xE3;o aqueles que apresentam uma representa&#xE7;&#xE3;o mais reduzida. De salientar que os recursos identificados pelas crian&#xE7;as para a mudan&#xE7;a destacam o papel do grupo de pares, o suporte parental e familiar e o apoio dos professores. Em termos de &#x201C;recursos/aliados&#x201D;pessoais para a mudan&#xE7;a, distinguem-se a revela&#xE7;&#xE3;o e o seu significado libertador, as expectativas de justi&#xE7;a, as cren&#xE7;as religiosas e a constru&#xE7;&#xE3;o de novas significa&#xE7;&#xF5;es para o self, que refor&#xE7;am a percep&#xE7;&#xE3;o de compet&#xEA;ncia pessoal e controlo. Quanto &#xE0; diferencia&#xE7;&#xE3;o dos grupos resiliente e n&#xE3;o resiliente no que diz respeito aos momentos de inova&#xE7;&#xE3;o, verificou-se que n&#xE3;o existem diferen&#xE7;as significativas no que se refere &#xE0; sali&#xEA;ncia dos diferentes tipos de MIs, embora tenham sido  encontradas diferen&#xE7;as significativas relativamente &#xE0; sali&#xEA;ncia dos subtipos do MI de protesto e no processo discursivo de retorno ao problema. Estes resultados no que concerne &#xE0; clarifica&#xE7;&#xE3;o dos processos de mudan&#xE7;a podem estar relacionados com distintas hip&#xF3;teses explicativas: a) uma elevada variabilidade intra-grupo no que se refere &#xE0; frequ&#xEA;ncia, diversidade e sali&#xEA;ncia dos momentos de inova&#xE7;&#xE3;o; b) uma amostra de crian&#xE7;as/jovens cuja capacidade para elaborar oralmente a mudan&#xE7;a &#xE9; desenvolvimentalmente distinta da dos participantes adultos; c) os discursos da rede social e judicial destas crian&#xE7;as, centrados nas consequ&#xEA;ncias nefastas do abuso; e d) a grelha de codifica&#xE7;&#xE3;o dos momentos de inova&#xE7;&#xE3;o, concebida para adultos e que poder&#xE1; n&#xE3;o ser adequada &#xE0;s caracter&#xED;sticas desenvolvimentais dos participantes. Em conclus&#xE3;o, o presente estudo reflecte a import&#xE2;ncia dos processos narrativos de significa&#xE7;&#xE3;o, que moldam o impacto do abuso e as traject&#xF3;rias destas crian&#xE7;as/jovens em direc&#xE7;&#xE3;o &#xE0; resili&#xEA;ncia. Sugere, ainda, indicadores importantes para a interven&#xE7;&#xE3;o com estas v&#xED;timas, nomeadamente no que diz respeito &#xE0; compreens&#xE3;o do impacto do abuso sexual e das formas de elabora&#xE7;&#xE3;o narrativa desta experi&#xEA;ncia que podem promover percursos mais adaptativos e preferenciais para as v&#xED;timas, tanto espont&#xE2;neos como por recurso &#xE0; interven&#xE7;&#xE3;o psicoterap&#xEA;utica.</subfield>
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