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    <subfield code="a">Das primitivas rea&#xE7;&#xF5;es de defesa ao C&#xF3;digo Penal de 1886</subfield>
    <subfield code="e">viagem pelas conce&#xE7;&#xF5;es e vicissitude da pena de morte em Portugal</subfield>
    <subfield code="f">Rute de Carvalho Serra</subfield>
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    <subfield code="a">(*) CD 314. Resumo inserto na publica&#xE7;&#xE3;o.</subfield>
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    <subfield code="a">Desde tempos imemoriais, que o homem organizado busca o exerc&#xED;cio perfeito, do seu direito de punir as rea&#xE7;&#xF5;es exteriores que ameacem a sua condi&#xE7;&#xE3;o natural de exist&#xEA;ncia. A &#xE9;poca da vendetta privada, representativa de uma no&#xE7;&#xE3;o ainda distante de Estado, tal como o conhecemos, fundamentou-se num d&#xFA;plice prop&#xF3;sito: a vingan&#xE7;a de sangue e a recompensa do dano. O surgimento das no&#xE7;&#xF5;es de delito e pena, caracter&#xED;sticas de sociedades estruturadas, onde os valores morais encontravam princ&#xED;pio de forma, basearam-se num misto de estertor religioso, de expurga&#xE7;&#xE3;o e penit&#xEA;ncia. Em Portugal, as expressivas influ&#xEA;ncias da organiza&#xE7;&#xE3;o jur&#xED;dica romana, permitiram-nos a aplica&#xE7;&#xE3;o da justi&#xE7;a penal atrav&#xE9;s de m&#xE9;todos que, &#xE0; vista dos par&#xE2;metros mentais, sociais e individuais quotidianos, revelam-se brutais, inumanos, deprimentes. A utiliza&#xE7;&#xE3;o de instrumentos de tortura, de cuja designa&#xE7;&#xE3;o felizmente nos esquecemos, mas que aqui relembramos, o uso de tormentos, os meios de obten&#xE7;&#xE3;o das confiss&#xF5;es dos r&#xE9;us, permitiam a vingan&#xE7;a p&#xFA;blica e tamb&#xE9;m divina. Ser&#xE1; com o advento do s&#xE9;culo das luzes, que o contexto primitivo de justi&#xE7;a contido nas Ordena&#xE7;&#xF5;es do Reino viria a ser questionado. Conviviam lado a lado, nem sempre com perfeito entendimento, a reclama&#xE7;&#xE3;o de puni&#xE7;&#xF5;es humanas e a de destino justo aos condenados. As v&#xE1;rias tentativas de codifica&#xE7;&#xE3;o sofreram intermit&#xEA;ncias, desde logo porque perme&#xE1;veis &#xE0; influ&#xEA;ncia pol&#xED;tica, mas tamb&#xE9;m porque n&#xE3;o beliscados deveriam ser os &#x201C;olhos p&#xFA;blicos&#x201D;, &#xE0;quele que a sociedade reivindicava como castigo exemplar. Os ecos que o progresso civilizacional exigiam, permitiram a Portugal, por&#xE9;m, figurar entre os primeiros pa&#xED;ses do mundo a abolir a pena capital, estabelecendo, por fim, limites &#xE0; pena retributiva. Para bem compreender a evolu&#xE7;&#xE3;o do direito de punir &#x2013; ius puniendi, importa migrar aos prim&#xF3;rdios, ao tempo de esbo&#xE7;o de ordem social, terreno que se manifestou ar&#xE1;vel e, portanto, propenso ao aparecimento posterior, do direito penal. Desde os tempos da Antiguidade cl&#xE1;ssica, que o homem, numa elementar ou primitiva rea&#xE7;&#xE3;o contra uma impress&#xE3;o exterior, que lhe perturbasse as condi&#xE7;&#xF5;es naturais da exist&#xEA;ncia, individual ou social, reage pela repress&#xE3;o do seu agressor, procurando prevenir a repeti&#xE7;&#xE3;o do ataque. Era este um tempo de vingan&#xE7;a &#x2013; de vendetta privada. Esta forma de justi&#xE7;a encontra-se j&#xE1; representada no cl&#xE1;ssico &#x201C;Il&#xED;ada&#x201D;, de Homero, livro nono, verso 628 e seguintes. Distantes ainda da no&#xE7;&#xE3;o mais tardia de &#x201C;Estado&#x201D;, certo era que, na aglomera&#xE7;&#xE3;o dos indiv&#xED;duos existia, por&#xE9;m, um poder, que mesclava aquela, com os laivos primordiais do que se entende hoje por sociedade e permitia a subsist&#xEA;ncia da sua coes&#xE3;o: esse poder era o costume. Violar o costume consistia, portanto, num ato imoral, num malef&#xED;cio. A rea&#xE7;&#xE3;o natural ou prim&#xE1;ria de ent&#xE3;o, encontrava raz&#xE3;o na vingan&#xE7;a privada. Afinal, o sentimento jur&#xED;dico mais n&#xE3;o &#xE9; do que um sentimento de dor: quando se ofendem as condi&#xE7;&#xF5;es naturais da exist&#xEA;ncia, causando dor, diminuindo a vitalidade do outro, propicia-se rea&#xE7;&#xE3;o id&#xEA;ntica, numa cadeia que pode vir a assumir contornos infinitos. Aplicava-se a faida, ou vingan&#xE7;a de sangue e o wehrgeld, isto &#xE9;, a recompensa do dano, atrav&#xE9;s de uma soma em dinheiro. Mas como bem defende Von Ihering, o &#xF3;bice &#xE0; perfei&#xE7;&#xE3;o deste sistema punitivo, reca&#xED;a no excesso e na aus&#xEA;ncia de limites: &#x201C;A vingan&#xE7;a, n&#xE3;o conhece outra medida sen&#xE3;o o grau, puramente acidental e arbitr&#xE1;rio, da sobrexcita&#xE7;&#xE3;o do indiv&#xED;duo lesado. Em lugar de tirar for&#xE7;a &#xE0; injusti&#xE7;a, tem como &#xFA;nico efeito duplic&#xE1;-la, acrescentando &#xE0; injusti&#xE7;a existente, uma nova injusti&#xE7;a&#x201D; (Matta, 1911:18). A primeira limita&#xE7;&#xE3;o &#xE0; vendetta privada, surge com a Lei de Tali&#xE3;o, a que se refere o C&#xF3;digo babil&#xF3;nico de Hammurabi, datado de 1772 AC1, pela qual, o mal causado a t&#xED;tulo de repres&#xE1;lia, nunca poderia exceder a gravidade da ofensa. O desenvolvimento do elemento econ&#xF3;mico, na estrutura da sociedade, despoletou a interven&#xE7;&#xE3;o dos fredus, os senhores feudais, reduzindo o elemento &#xE9;tnico como impulso da vingan&#xE7;a. Mas a sua desorganiza&#xE7;&#xE3;o gerou desigualdades econ&#xF3;micas e tamb&#xE9;m sociais. As classes dominantes controlavam o sistema da composi&#xE7;&#xE3;o, oprimindoa mis&#xE9;ria, tornando-se a parte lesada do delito, surgindo assim a multa e a pena p&#xFA;blica. Da ofensa e da repara&#xE7;&#xE3;o privadas, caminhou-se para o apuramento das no&#xE7;&#xF5;es de delito e pena. Real&#xE7;amos, &#xE0; vol d&#x2019;oiseau, como estes conceitos evolu&#xED;ram, em Portugal.</subfield>
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    <subfield code="c">Lisboa</subfield>
    <subfield code="d">Abril 2019</subfield>
    <subfield code="v">N&#xBA; 4</subfield>
    <subfield code="t">Investiga&#xE7;&#xE3;o Criminal, Ci&#xEA;ncias Criminais e Forenses. IC3F</subfield>
    <subfield code="x">1647-9300</subfield>
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