02135nam a2200181 4500001000700000090001100007100004100018101000800059200011600067330153900183606001601722606002701738606002601765606004301791606002001834700001801854995008101872363155 a363155 a20210112u y0pory50 ba apor aQuem não quer ser lobo não lhe veste a pelebRecurso eletrónicoeanálise do caso SaltãofSusana Costa aOs documentos produzidos pela polícia medeiam os entendimentos entre a cena do crime e o tribunal. A polícia dá visibilidade a uma narrativa e atribui legitimidade à sua performance. A decisão de dar a ver certos aspetos da narrativa, deixando outros invisíveis depende, em larga medida, do conhecimento forense e da consciência forense dos atores envolvidos e pode ter repercussões na produção de uma prova robusta e, consequentemente, na sentença em tribunal. Este artigo baseia-se na análise de um caso de homicídio ocorrido em 2012 e julgado num tribunal português que ficou conhecido como o caso Saltão. Explorando este caso, cuja principal suspeita foi Ana Saltão, uma inspetora da Polícia Judiciária (PJ) acusada de matar a avó do marido, procurarei mostrar como a consciência forense foi mobilizada pela defesa e pela acusação de diferentes formas. Por um lado, a acusação e a polícia de investigação criminal construíram a sua narrativa baseando-se na sua intuição de que Ana Saltão era a principal e única suspeita do homicídio da senhora, justificando alguns dos contornos do crime com o conhecimento de Ana Saltão para não deixar vestígios. Por outro lado, a defesa de Saltão usou o seu próprio conhecimento como profissional da polícia para tornar visíveis as fragilidades da atividade policial, desconstruindo toda a prova recolhida, tentando vestir a pele da ovelha e transformando a polícia em lobo. Quem é o lobo? Quem é a ovelha? aHOMICÍDIO aPOLÍCIA CIENTÍFICA aPRODUÇÃO DE PROVA aTÉCNICA DE INVESTIGAÇÃO CRIMINAL aESTUDO DE CASOS aCostabSusana 104PJCD_318_00000000000000052022-06-06aPJcPJkPJCD 318n2022-06-06o0rAM