<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<mods xmlns:xsi="https://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance" xmlns="https://www.loc.gov/mods/v3" version="3.1" xsi:schemaLocation="https://www.loc.gov/mods/v3 https://www.loc.gov/standards/mods/v3/mods-3-1.xsd"><titleInfo type="abbreviated"><title>[S.l.]</title></titleInfo><name type="personal"><namePart>20220325d        ummy0pory50      ba</namePart><role><roleTerm authority="marcrelator" type="text">creator</roleTerm></role></name><name type="personal"><namePart> Pimentel</namePart><namePart type="termsOfAddress">Andreia Cristina Martins</namePart></name><typeOfResource/><originInfo><issuance/><frequency>RESUMO
Envelhecimento, Reclusão e COVID-19: um olhar pluridimensional de vivências, experiências e 
perceções
Nos últimos anos, tem-se observado que o fenómeno do envelhecimento populacional, 
além de permear as sociedades europeias, se estendeu ao sistema prisional. Portugal não se 
eximiu deste fenómeno, apresentando não só uma das populações mais envelhecidas, como
também a segunda população prisional mais envelhecida do espaço europeu. Acresce ainda que, 
em Portugal, além de altas taxas de encarceramento, a duração média das penas de prisão é três 
vezes superior à duração média na Europa. Por estes motivos, torna-se pertinente estudar o 
envelhecimento em reclusão. Cumpre esclarecer que, nesta investigação, considerou-se idoso/a 
todo o indivíduo com 65 ou mais anos.
A presente investigação tem como objetivo central compreender as experiências, 
vivências, conceções e atribuições de sentido que são conferidas ao processo de envelhecimento 
em contexto de reclusão. Partindo de uma abordagem multidimensional, ambiciona-se estudar os 
vários aspetos subjacentes ao processo de envelhecimento em reclusão, designadamente:
perceber a adaptação à vida e ao meio prisional; aferir o impacto na reclusão no processo de 
envelhecimento; explorar de que forma são exacerbados e/ou colmatados os problemas 
associados ao ser idoso/a; estudar o impacto da reclusão nas relações familiares; analisar o modo 
como é sentido e percecionado o envelhecimento em contexto prisional; e interpretar as 
expetativas futuras de reinserção da população idosa na sociedade. A par de tudo isto, procura-se
também averiguar os efeitos da pandemia COVID-19 nos sistemas prisionais, em particular junto 
da população idosa reclusa.
Para a concretização desta investigação utilizou-se uma metodologia de caráter qualitativo.
Apoiada na entrevista semiestruturada enquanto técnica de pesquisa, procedeu-se à elaboração 
de 45 entrevistas, das quais 11 foram realizadas fora do contexto prisional com recurso a meios 
tecnológicos (telemóvel e plataformas online) e 34 foram realizadas presencialmente em contexto 
prisional, mais concretamente em quatro Estabelecimentos Prisionais (três masculinos e um 
feminino). O trabalho de campo decorreu por um período de cinco meses (de janeiro a maio de 
2021) – quatro meses fora do contexto prisional e um mês em contexto prisional. 
Esta investigação evidencia aspetos relevantes para a reflexão do indivíduo idoso em 
contexto prisional. Em primeiro lugar, destaca que as dificuldades experienciadas no período de 
reclusão são mais acentuadas no grupo dos indivíduos idosos. Viver o processo de envelhecimento 
vi
na prisão é retratado pelos/as reclusos/as idosos/as como sendo um processo difícil. Por um 
lado, este processo é difícil pela separação familiar, uma situação que é relativamente transversal 
a outras faixas etárias. Apesar de a reclusão ser vista como um fator que tem impacto negativo na 
manutenção dos laços familiares, nesta investigação, a maioria dos/as reclusos/as possui uma 
rede de suporte familiar extramuros, com qual mantém contacto regular, através de visitas 
presenciais e/ou de telefonemas. Por outro lado, e embora, de alguma forma, a direção e os 
elementos do Corpo da Guarda Prisional de cada Estabelecimento Prisional (EP) tentem colmatar 
as dificuldades sentidas pelos indivíduos mais velhos, os Estabelecimentos Prisionais, em geral, 
demonstram-se inadequados ao nível da estrutura física, das condições ambientais, sanitárias e 
materiais, de programas e atividades e da saúde, tornando a reclusão em idade avançada mais 
penosa. Por conseguinte, ainda que os indivíduos idosos sejam respeitados pelos seus pares no 
meio prisional, acabam por ser marginalizados pela incapacidade de resposta dos próprios 
serviços prisionais. 
A pandemia COVID-19 produziu vários efeitos no meio prisional e em todos/as os/as 
reclusos/as independentemente da idade. Alterando as rotinas prisionais, a pandemia levou: i) a 
um maior isolamento, tendo os/as reclusos/as permanecido grande parte do seu tempo na cela 
durante os primeiros meses da pandemia; e ii) à diminuição do contacto, em particular do físico, 
entre reclusos/as e seus familiares. Em contrapartida, a pandemia trouxe consequências 
benéficas no que respeita ao uso do telefone que se consubstanciaram no aumento da duração
das chamadas e dos contactos por dia. Os/as reclusos/as viram ainda implementadas a
separação da população prisional mais vulnerável, a obrigatoriedade do uso de máscara, a 
medição da sua temperatura corporal e a Lei n.º 9/20, como medidas de mitigação da propagação 
do vírus. De uma forma geral, os/as reclusos/as compreenderam e aceitaram as medidas 
impostas, tendo consciência da perigosidade do vírus, tanto para si como para as suas famílias.
Assim, esta investigação, incita à reflexão sobre o processo de envelhecimento em 
reclusão e instiga a consciencialização sobre esta temática que, apesar de caraterizar a atualidade, 
permanece esquecida. Ademais, o contexto atual de pandemia, pelas condicionantes a que obriga, 
torna este tópico duplamente pertinente, uma vez que não só tem implicações na própria 
experiência de encarceramento como também no momento da libertação, devido às limitações 
vigentes tanto em contexto prisional como em contexto não prisional.
</frequency></originInfo>
    Fátima Martinho
    SAÚDE
    788
  
    RECLUSÃO
    104369
  
    Meio Prisional
    330513
  
    Terceira idade
    330514
  
    Envelhecimento
    Portugal
    330515
  <location><physicalLocation>EST8360</physicalLocation></location><recordInfo><recordIdentifier>341850</recordIdentifier></recordInfo></mods>
