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    <subfield code="a">Envelhecimento, Reclus&#xE3;o e COVID-19</subfield>
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    <subfield code="f">Andreia Cristina Martins Pimentel</subfield>
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    <subfield code="c">Universidade do Minho Instituto de Ci&#xEA;ncias Sociais</subfield>
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    <subfield code="a">XIV, 223</subfield>
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    <subfield code="a">Estudos</subfield>
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    <subfield code="a">&#x201C;Este documento pertence &#xE0; "Doa&#xE7;&#xE3;o Am&#xE9;lia Vera Jardim".</subfield>
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    <subfield code="a">RESUMO
Envelhecimento, Reclus&#xE3;o e COVID-19: um olhar pluridimensional de viv&#xEA;ncias, experi&#xEA;ncias e 
perce&#xE7;&#xF5;es
Nos &#xFA;ltimos anos, tem-se observado que o fen&#xF3;meno do envelhecimento populacional, 
al&#xE9;m de permear as sociedades europeias, se estendeu ao sistema prisional. Portugal n&#xE3;o se 
eximiu deste fen&#xF3;meno, apresentando n&#xE3;o s&#xF3; uma das popula&#xE7;&#xF5;es mais envelhecidas, como
tamb&#xE9;m a segunda popula&#xE7;&#xE3;o prisional mais envelhecida do espa&#xE7;o europeu. Acresce ainda que, 
em Portugal, al&#xE9;m de altas taxas de encarceramento, a dura&#xE7;&#xE3;o m&#xE9;dia das penas de pris&#xE3;o &#xE9; tr&#xEA;s 
vezes superior &#xE0; dura&#xE7;&#xE3;o m&#xE9;dia na Europa. Por estes motivos, torna-se pertinente estudar o 
envelhecimento em reclus&#xE3;o. Cumpre esclarecer que, nesta investiga&#xE7;&#xE3;o, considerou-se idoso/a 
todo o indiv&#xED;duo com 65 ou mais anos.
A presente investiga&#xE7;&#xE3;o tem como objetivo central compreender as experi&#xEA;ncias, 
viv&#xEA;ncias, conce&#xE7;&#xF5;es e atribui&#xE7;&#xF5;es de sentido que s&#xE3;o conferidas ao processo de envelhecimento 
em contexto de reclus&#xE3;o. Partindo de uma abordagem multidimensional, ambiciona-se estudar os 
v&#xE1;rios aspetos subjacentes ao processo de envelhecimento em reclus&#xE3;o, designadamente:
perceber a adapta&#xE7;&#xE3;o &#xE0; vida e ao meio prisional; aferir o impacto na reclus&#xE3;o no processo de 
envelhecimento; explorar de que forma s&#xE3;o exacerbados e/ou colmatados os problemas 
associados ao ser idoso/a; estudar o impacto da reclus&#xE3;o nas rela&#xE7;&#xF5;es familiares; analisar o modo 
como &#xE9; sentido e percecionado o envelhecimento em contexto prisional; e interpretar as 
expetativas futuras de reinser&#xE7;&#xE3;o da popula&#xE7;&#xE3;o idosa na sociedade. A par de tudo isto, procura-se
tamb&#xE9;m averiguar os efeitos da pandemia COVID-19 nos sistemas prisionais, em particular junto 
da popula&#xE7;&#xE3;o idosa reclusa.
Para a concretiza&#xE7;&#xE3;o desta investiga&#xE7;&#xE3;o utilizou-se uma metodologia de car&#xE1;ter qualitativo.
Apoiada na entrevista semiestruturada enquanto t&#xE9;cnica de pesquisa, procedeu-se &#xE0; elabora&#xE7;&#xE3;o 
de 45 entrevistas, das quais 11 foram realizadas fora do contexto prisional com recurso a meios 
tecnol&#xF3;gicos (telem&#xF3;vel e plataformas online) e 34 foram realizadas presencialmente em contexto 
prisional, mais concretamente em quatro Estabelecimentos Prisionais (tr&#xEA;s masculinos e um 
feminino). O trabalho de campo decorreu por um per&#xED;odo de cinco meses (de janeiro a maio de 
2021) &#x2013; quatro meses fora do contexto prisional e um m&#xEA;s em contexto prisional. 
Esta investiga&#xE7;&#xE3;o evidencia aspetos relevantes para a reflex&#xE3;o do indiv&#xED;duo idoso em 
contexto prisional. Em primeiro lugar, destaca que as dificuldades experienciadas no per&#xED;odo de 
reclus&#xE3;o s&#xE3;o mais acentuadas no grupo dos indiv&#xED;duos idosos. Viver o processo de envelhecimento 
vi
na pris&#xE3;o &#xE9; retratado pelos/as reclusos/as idosos/as como sendo um processo dif&#xED;cil. Por um 
lado, este processo &#xE9; dif&#xED;cil pela separa&#xE7;&#xE3;o familiar, uma situa&#xE7;&#xE3;o que &#xE9; relativamente transversal 
a outras faixas et&#xE1;rias. Apesar de a reclus&#xE3;o ser vista como um fator que tem impacto negativo na 
manuten&#xE7;&#xE3;o dos la&#xE7;os familiares, nesta investiga&#xE7;&#xE3;o, a maioria dos/as reclusos/as possui uma 
rede de suporte familiar extramuros, com qual mant&#xE9;m contacto regular, atrav&#xE9;s de visitas 
presenciais e/ou de telefonemas. Por outro lado, e embora, de alguma forma, a dire&#xE7;&#xE3;o e os 
elementos do Corpo da Guarda Prisional de cada Estabelecimento Prisional (EP) tentem colmatar 
as dificuldades sentidas pelos indiv&#xED;duos mais velhos, os Estabelecimentos Prisionais, em geral, 
demonstram-se inadequados ao n&#xED;vel da estrutura f&#xED;sica, das condi&#xE7;&#xF5;es ambientais, sanit&#xE1;rias e 
materiais, de programas e atividades e da sa&#xFA;de, tornando a reclus&#xE3;o em idade avan&#xE7;ada mais 
penosa. Por conseguinte, ainda que os indiv&#xED;duos idosos sejam respeitados pelos seus pares no 
meio prisional, acabam por ser marginalizados pela incapacidade de resposta dos pr&#xF3;prios 
servi&#xE7;os prisionais. 
A pandemia COVID-19 produziu v&#xE1;rios efeitos no meio prisional e em todos/as os/as 
reclusos/as independentemente da idade. Alterando as rotinas prisionais, a pandemia levou: i) a 
um maior isolamento, tendo os/as reclusos/as permanecido grande parte do seu tempo na cela 
durante os primeiros meses da pandemia; e ii) &#xE0; diminui&#xE7;&#xE3;o do contacto, em particular do f&#xED;sico, 
entre reclusos/as e seus familiares. Em contrapartida, a pandemia trouxe consequ&#xEA;ncias 
ben&#xE9;ficas no que respeita ao uso do telefone que se consubstanciaram no aumento da dura&#xE7;&#xE3;o
das chamadas e dos contactos por dia. Os/as reclusos/as viram ainda implementadas a
separa&#xE7;&#xE3;o da popula&#xE7;&#xE3;o prisional mais vulner&#xE1;vel, a obrigatoriedade do uso de m&#xE1;scara, a 
medi&#xE7;&#xE3;o da sua temperatura corporal e a Lei n.&#xBA; 9/20, como medidas de mitiga&#xE7;&#xE3;o da propaga&#xE7;&#xE3;o 
do v&#xED;rus. De uma forma geral, os/as reclusos/as compreenderam e aceitaram as medidas 
impostas, tendo consci&#xEA;ncia da perigosidade do v&#xED;rus, tanto para si como para as suas fam&#xED;lias.
Assim, esta investiga&#xE7;&#xE3;o, incita &#xE0; reflex&#xE3;o sobre o processo de envelhecimento em 
reclus&#xE3;o e instiga a consciencializa&#xE7;&#xE3;o sobre esta tem&#xE1;tica que, apesar de caraterizar a atualidade, 
permanece esquecida. Ademais, o contexto atual de pandemia, pelas condicionantes a que obriga, 
torna este t&#xF3;pico duplamente pertinente, uma vez que n&#xE3;o s&#xF3; tem implica&#xE7;&#xF5;es na pr&#xF3;pria 
experi&#xEA;ncia de encarceramento como tamb&#xE9;m no momento da liberta&#xE7;&#xE3;o, devido &#xE0;s limita&#xE7;&#xF5;es 
vigentes tanto em contexto prisional como em contexto n&#xE3;o prisional.
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