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    <subfield code="a">Criminalidade organizada - que pol&#xED;tica criminal?</subfield>
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    <subfield code="a">A "globaliza&#xE7;&#xE3;o" &#xE9; uma das caracter&#xED;sticas que define os modelos sociais post-industriais. A fractaliza&#xE7;&#xE3;o apresenta-se como uma chave de compreens&#xE3;o da criminalidade na sociedade globalizada, ordenada a partir do caos, em que a anomia e a divis&#xE3;o do trabalho de Durkheim e o movimento centro/periferia de Braudel ganham novo sentido. A teoria da "sociedade fractal", adaptando estes conceitos ao contexto da sociedade emergente, &#xE9; uma esp&#xE9;cie de "teoria da relatividade criminol&#xF3;gica". O crime n&#xE3;o seria s&#xF3; "normal", como j&#xE1; hoje &#xE9; adquirido, mas torna-se-ia no "instrumento auto-organizado de regula&#xE7;&#xE3;o social". O aspecto mais paradoxal da globaliza&#xE7;&#xE3;o &#xE9; o surgimento de novos espa&#xE7;os de "socializa&#xE7;&#xE3;o": a globaliza&#xE7;&#xE3;o traduz-se, sociologicamente, por uma dissemina&#xE7;&#xE3;o de "redes" de indiv&#xED;duos que se identificam entre si, n&#xE3;o importando qualquer distin&#xE7;&#xE3;o entre rede legal ou criminosa. O que &#xE9; novo &#xE9; que, do ponto de vista estrutural, n&#xE3;o h&#xE1; diferen&#xE7;as entre as redes quanto &#xE0; sua fun&#xE7;&#xE3;o socializadora de base. A criminalidade deixa de se situar &#xE0; margem da sociedade, j&#xE1; que est&#xE1; em todo o lado. A prop&#xF3;sito da criminalidade organizada, a criminologia destaca as "redes difundidas internacionalmente, trabalhando a grande escala, com uma motiva&#xE7;&#xE3;o essencialmente econ&#xF3;mica, que se identificam com a estrutura meio ambiental com a qual fazem corpo", o que lhes assegura uma certa "imunidade". Desta nova criminalidade da globaliza&#xE7;&#xE3;o evidenciam-se caracter&#xED;sticas da sua organiza&#xE7;&#xE3;o e internacionaliza&#xE7;&#xE3;o e o facto de ser uma criminalidade dos poderosos. No "novo" mundo, aberto e complexo, o desafio &#xE9; paradoxal: "habituarmo-nos a viver com uma criminalidade inerente ao pr&#xF3;prio funcionamento da sociedade e conceber, todavia, r&#xE9;plicas que a impe&#xE7;am de nos submergir". Neste quadro, os sistemas penais, individualmente considerados, s&#xE3;o inoperantes para responder ao desafio da criminalidade. Torna-se imperioso recorrer, no &#xE2;mbito punitivo, &#xE0; coopera&#xE7;&#xE3;o internacional. Neste sentido, o mundo "realizou-se" e nasceram v&#xE1;rios espa&#xE7;os penais, designadamente europeus.</subfield>
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