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    <subfield code="a">Dos fadistas e galegos</subfield>
    <subfield code="e">os portugueses na capoeira</subfield>
    <subfield code="f">Carlos Eug&#xE9;nio L&#xED;bano Soares</subfield>
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    <subfield code="a">A presen&#xE7;a de imigrantes, principalmente portugueses, e homens brancos nas maltas da Corte do segundo reinado era sinal da riqueza e da complexidade da cultura da capoeira no Rio do s&#xE9;culo XIX. H&#xE1;bil o bastante para sobreviver a d&#xE9;cadas de feroz persegui&#xE7;&#xE3;o e flex&#xED;vel o suficiente para incorporar os elementos mais d&#xED;spares e de origens mais diversas, a capoeira demonstrou nestes anos a sua for&#xE7;a como 'porta de entrada' na cidade para estranhos, forasteiros e desamparados. Italianos, argentinos, paraguaios, alem&#xE3;es, norte-americanos, chilenos, franceses, espanh&#xF3;is, uma babel de nacionalidades diversas escondia-se nas sombras da capoeiragem. Constru&#xED;da por africanos em terras brasileiras, a capoeira vai ter o seu destino marcado pelo car&#xE1;cter cosmopolita da capital do imp&#xE9;rio. Podemos arrematar a participa&#xE7;&#xE3;o maci&#xE7;a de imigrantes portugueses dentro das maltas de capoeira por tr&#xEA;s factores distintos: primeiro, os portugueses eram a esmagadora maioria dos estrangeiros na cidade e formavam uma boa parte da popula&#xE7;&#xE3;o trabalhadora. Em segundo lugar, a vida cultural das camadas urbanas mais empobrecidas em Lisboa e nas maiores cidades de Portugal aproximava-se bastante da cultura urbana das incipientes cidades brasileiras do s&#xE9;culo XIX. A cultura escrava carioca somada ao mundo do 'fadista' lusitano produziu uma simbiose do Rio de Janeiro dos &#xFA;ltimos dec&#xE9;nios do s&#xE9;culo XIX e que at&#xE9; hoje marca a alma da cidade. A proximidade de condi&#xE7;&#xF5;es de vida e trabalho e os la&#xE7;os de solidariedade tecidos pelo infort&#xFA;nio e pela mis&#xE9;ria sugerem ser a capoeira muitas vezes o elo fundamental entre culturas separadas por quil&#xF3;metros de oceano e s&#xE9;culos de hist&#xF3;ria. Irmanados na mesma desdita, africanos, crioulos e portugueses no Rio de Janeiro p&#xF3;s-1850 demonstraram aos seus contempor&#xE2;neos e aos homens do futuro quanto a cultura poderia ser transformada pelos seus agentes mais humildes.</subfield>
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    <subfield code="a">IMIGRANTE  CAPOEIRA  CONDI&#xC7;&#xD5;ES SOCIAIS  DADOS ESTAT&#xCD;STICOS</subfield>
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