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    <subfield code="a">Justi&#xE7;a e Cidadania Infantil em Portugal (1820-1978) e a Tutoria de Coimbra</subfield>
    <subfield code="f">Maria Rosa Ferreira Clemente de Morais Tom&#xE9;</subfield>
    <subfield code="g">ori. tese Maria Ant&#xF3;nia Figueiredo Lopes, Alcina Maria Castro Martins</subfield>
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    <subfield code="a">XXVI, 625 f.</subfield>
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    <subfield code="a">Tese de Doutoramento em Letras, &#xE1;rea de Hist&#xF3;ria na especialidade de Hist&#xF3;ria Contempor&#xE2;nea, apresentada &#xE0; Universidade de Coimbra para obten&#xE7;&#xE3;o do grau de Doutor</subfield>
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    <subfield code="a">Subordinada ao tema da justi&#xE7;a e cidadania infantil, a presente tese debru&#xE7;a-se sobre a repress&#xE3;o, o controlo e o (des)governo da inf&#xE2;ncia em Portugal entre 1820 e 1978, centrando-se depois no estudo das pr&#xE1;ticas concretas, ao descer at&#xE9; Coimbra, para construir a hist&#xF3;ria dos primeiros 50 anos da exist&#xEA;ncia da Tutoria Central da Inf&#xE2;ncia e Ref&#xFA;gio anexo (1927 a 1978). Os objetivos gerais que presidiram &#xE0; an&#xE1;lise de dois s&#xE9;culos de organiza&#xE7;&#xE3;o e desenvolvimento da justi&#xE7;a social e judicial da inf&#xE2;ncia foram os seguintes: 1) analisar os debates e as influ&#xEA;ncias colhidas no plano internacional para a cria&#xE7;&#xE3;o de leis, internatos e sistemas de observa&#xE7;&#xE3;o/tratamento das crian&#xE7;as e jovens em Portugal; 2) enquadrar local e temporalmente a constru&#xE7;&#xE3;o sociopol&#xED;tica do problema da inf&#xE2;ncia; 3) construir a hist&#xF3;ria e a trajet&#xF3;ria das institui&#xE7;&#xF5;es judiciais de Coimbra e as suas pr&#xE1;ticas de repress&#xE3;o, controlo e governo da popula&#xE7;&#xE3;o infantil e juvenil, insistindo nos procedimentos de observa&#xE7;&#xE3;o, tratamento e organiza&#xE7;&#xE3;o da vida quotidiana do Ref&#xFA;gio anexo &#xE0; Tutoria Central da Inf&#xE2;ncia. A investiga&#xE7;&#xE3;o assentou na an&#xE1;lise de fontes manuscritas de &#xED;ndole institucional, (Centro Educativo dos Olivais, do Tribunal de Menores de Coimbra, do Instituto de Habita&#xE7;&#xE3;o e Reabilita&#xE7;&#xE3;o Urbana e da Universidade de Coimbra) e de fontes impressas de distintas tipologias (legisla&#xE7;&#xE3;o, textos doutrinais, atas de reuni&#xF5;es cient&#xED;ficas e jornais, nacionais e locais), enquadrada, naturalmente, em bibliografia especializada. Recorreu-se ainda a fontes orais, com a realiza&#xE7;&#xE3;o de entrevistas a especialistas (juristas, dirigentes institucionais, elementos de equipas t&#xE9;cnicas e trabalhadores) e recolha de testemunhos junto de familiares de funcion&#xE1;rios da Tutoria e do Ref&#xFA;gio de Coimbra. Estas fontes permitiram recuperar informa&#xE7;&#xF5;es inexistentes em registo escrito. Tanto a n&#xED;vel internacional como nacional, a quest&#xE3;o da inf&#xE2;ncia integrou no seu seio jovens de idades variadas e com problemas e necessidades distintas e apareceu, a partir do s&#xE9;culo XIX, subordinada &#xE0;s preocupa&#xE7;&#xF5;es da forma&#xE7;&#xE3;o de m&#xE3;o-de-obra para o mundo do trabalho. Assim, o atendimento especializado &#xE0;s crian&#xE7;as e jovens em fun&#xE7;&#xE3;o das necessidades, confundia-se com a pol&#xED;tica de os reintegrar Faculdade de Letras UC Doutoramento em Letras &#xC1;rea de Hist&#xF3;ria Especialidade em Hist&#xF3;ria Contempor&#xE2;nea social e profissionalmente, tendo proliferado pelos diferentes pa&#xED;ses do mundo ocidental, um conjunto de internatos agr&#xED;colas e industriais, que visavam socializar os jovens vadios e delinquentes de ambos os sexos para os tornar &#x201C;elementos &#xFA;teis &#xE0; sociedade&#x201D;. O s&#xE9;culo XX introduziu o discurso dos direitos da crian&#xE7;a e, com ele, institucionalizou a rela&#xE7;&#xE3;o necessidades/direitos (pobreza, sa&#xFA;de, educa&#xE7;&#xE3;o, justi&#xE7;a). Nos anos 20 proliferaram pela Europa as leis de prote&#xE7;&#xE3;o &#xE0; inf&#xE2;ncia e, portanto, as pol&#xED;ticas penais especiais para tratamento dos menores, com o fundamento da preven&#xE7;&#xE3;o criminal para a defesa da sociedade. Portugal foi pioneiro nesta mat&#xE9;ria, com a publica&#xE7;&#xE3;o da Lei de Prote&#xE7;&#xE3;o &#xE0; Inf&#xE2;ncia, em 1911. Depois da II Guerra mundial, o desenvolvimento internacional de diversas formas de estado-provid&#xEA;ncia ampliou os fundamentos da preven&#xE7;&#xE3;o social e desenvolveram-se pol&#xED;ticas sociais promotoras dos direitos da crian&#xE7;a. Ao contr&#xE1;rio, em Portugal, a experi&#xEA;ncia penal de preven&#xE7;&#xE3;o criminal dominou as formas de assist&#xEA;ncia at&#xE9; 1978 e, com ela, a preocupa&#xE7;&#xE3;o dominante de controlo social pela preven&#xE7;&#xE3;o criminal, facto a que n&#xE3;o foi alheio a longevidade do Estado Novo e o seu interesse na formula&#xE7;&#xE3;o de uma pol&#xED;tica de controlo para a juventude. Assim, sob um discurso de prote&#xE7;&#xE3;o de direitos, desenvolveu-se um sistema de prote&#xE7;&#xE3;o e tutela, subordinado a uma l&#xF3;gica de controlo do comportamento social e/ou criminal, pela realiza&#xE7;&#xE3;o regular do exame (m&#xE9;dico, antropol&#xF3;gico, psicol&#xF3;gico, escolar e social) e julgamento de menores, como se pode ver pela an&#xE1;lise da hist&#xF3;ria das institui&#xE7;&#xF5;es e das crian&#xE7;as e jovens de ambos os sexos, tuteladas em Coimbra, a partir de 1927/1928. O observador e o observado viveram num sistema fechado, pan&#xF3;tico, at&#xE9; 1974. Altera&#xE7;&#xF5;es na equipa dirigente e a &#x201C;Revolu&#xE7;&#xE3;o de Abril&#x201D; introduziram alguns elementos de democratiza&#xE7;&#xE3;o da institui&#xE7;&#xE3;o. J&#xE1; no que diz respeito ao julgamento, as suas regras apenas viram reformula&#xE7;&#xF5;es com a publica&#xE7;&#xE3;o da Organiza&#xE7;&#xE3;o Tutelar de Menores de 1978. </subfield>
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