Saúde em meio prisional : factores de risco psicossociais e comportamentais : o caso de indivíduos em cumprimento de penas e de medidas de segurança / Emília Tavares Marques ; ori.tese José Luís Pais Ribeiro
Idioma: Português.Publicação: [s.l.], 2011Descrição física: 348 p. : PDF; 30cm Coleção: EstudosNota de dissertação ou tese: Tese apresentada na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, para obtenção o grau de Doutor em PsicologiaAssunto: 705 | 551 | 788 | 5092 | 8490 | 469 | 244596 | 7179 | 5155 | 279CDU: 159.9 Localização e Cota : EST623 Resumo: A presente investigação visa estudar a saúde em meio prisional, identificando alguns factores de risco psicossociais e comportamentais que interferem com a mesma. A amostra é formada por 195 sujeitos masculinos residentes num estabelecimento prisional do Norte do país ( 55,87% do total), sendo 148 são imputáveis (57,59%, exclusive os que estão em semi-detenção e prisão por dias livres), 46 inimputáveis (50,00% do total dos internados na Clínica de Psiquiatria e Saúde Mental dessa instituição) e um preventivo. Começamos por enquadrar os pressupostos que nos norteiam, abordando e clarificando, numa perspectiva bio-psico-social, conceitos que consideramos pertinentes e relevantes para este trabalho. Posto isto, centramo-nos sobre questões relativas à avaliação psicológica, como deontológicas e outras inerentes à investigação. Posteriormente, procuramos relacionar a percepção que os sujeitos têm do seu estado de saúde com características da sua personalidade evidenciadas, níveis de ansiedade, depressão e stresse apresentados, estratégias de coping utilizadas e a satisfação com o suporte social percebido, bem como perceber como estes vectores interagem com questões ligadas a variáveis jurídico-penais, institucionais e inerentes a comportamentos de risco. A apresentação, análise e discussão dos resultados tiveram em conta os constructos envolvidos em cada um dos instrumentos de avaliação utilizados: entrevista estruturada (composta por variáveis sociodemográficas, jurídico-penas e institucionais e inerentes a comportamentos), Questionário de Análise Clínica (CAQ), Questionário do Estado de Saúde-8 (SF-8), Escalas de Ansiedade, Depressão e Stresse (EADS), Brief COPE e Escala de Satisfação com o Suporte Social (ESSS). Os resultados validam oito das dez hipóteses levantadas em função dos constructos atrás referidos e sugerem que o equilíbrio bio-psico-social em meio prisional depende da interacção desses constructos, assim como de ser primário, não ter um tempo curto de cumprimento de privação jurídica de liberdade, ter comportamentos aditivos, ocupação, visitas e medidas de flexibilização da pena. Ficou patente que há indicadores de risco hetero-agressivos nestes sujeitos, mas também ficou latente a possibilidade de ocorrência de comportamentos auto-agressivos nos mesmos. Assim, podemos afirmar que, de facto, a saúde em meio prisional envolve factores psicossociais e comportamentais, alguns de risco. Certamente, alguns transitaram do meio livre através do sujeito e foram reciclados em razão da clausura, outros aprendidos, e, este todo transitará mais cedo ou mais tarde para a liberdade, para ser mantido/transformado.| Item type | Current location | Call number | Copy number | Status | Date due | Barcode |
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| Monografias | Biblioteca da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais | EST623 (Browse shelf) | 6577 | Available | DGRSP6577972220 |
Tese apresentada na Faculdade de
Psicologia e Ciências da Educação
da Universidade do Porto, para
obtenção o grau de Doutor em
Psicologia
A presente investigação visa estudar a saúde em meio prisional, identificando alguns
factores de risco psicossociais e comportamentais que interferem com a mesma. A amostra
é formada por 195 sujeitos masculinos residentes num estabelecimento prisional do Norte
do país ( 55,87% do total), sendo 148 são imputáveis (57,59%, exclusive os que estão em
semi-detenção e prisão por dias livres), 46 inimputáveis (50,00% do total dos internados na
Clínica de Psiquiatria e Saúde Mental dessa instituição) e um preventivo.
Começamos por enquadrar os pressupostos que nos norteiam, abordando e
clarificando, numa perspectiva bio-psico-social, conceitos que consideramos pertinentes e
relevantes para este trabalho. Posto isto, centramo-nos sobre questões relativas à avaliação
psicológica, como deontológicas e outras inerentes à investigação. Posteriormente,
procuramos relacionar a percepção que os sujeitos têm do seu estado de saúde com
características da sua personalidade evidenciadas, níveis de ansiedade, depressão e stresse
apresentados, estratégias de coping utilizadas e a satisfação com o suporte social
percebido, bem como perceber como estes vectores interagem com questões ligadas a
variáveis jurídico-penais, institucionais e inerentes a comportamentos de risco.
A apresentação, análise e discussão dos resultados tiveram em conta os constructos
envolvidos em cada um dos instrumentos de avaliação utilizados: entrevista estruturada
(composta por variáveis sociodemográficas, jurídico-penas e institucionais e inerentes a
comportamentos), Questionário de Análise Clínica (CAQ), Questionário do Estado de
Saúde-8 (SF-8), Escalas de Ansiedade, Depressão e Stresse (EADS), Brief COPE e Escala
de Satisfação com o Suporte Social (ESSS).
Os resultados validam oito das dez hipóteses levantadas em função dos constructos
atrás referidos e sugerem que o equilíbrio bio-psico-social em meio prisional depende da
interacção desses constructos, assim como de ser primário, não ter um tempo curto de
cumprimento de privação jurídica de liberdade, ter comportamentos aditivos, ocupação,
visitas e medidas de flexibilização da pena. Ficou patente que há indicadores de risco
hetero-agressivos nestes sujeitos, mas também ficou latente a possibilidade de ocorrência
de comportamentos auto-agressivos nos mesmos.
Assim, podemos afirmar que, de facto, a saúde em meio prisional envolve factores
psicossociais e comportamentais, alguns de risco. Certamente, alguns transitaram do meio
livre através do sujeito e foram reciclados em razão da clausura, outros aprendidos, e, este
todo transitará mais cedo ou mais tarde para a liberdade, para ser mantido/transformado.
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