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"Quando sair, só quero trabalhar como aqui". Perspetivas em torno da Reinserção Social das mulheres ciganas no pós-reclusão / Andreia Ferreira Brito ; ori. tese Manuel Carlos Silva, Sílvia Gomes

Autor: BRITO, Andreia Ferreira Autor secundário: MACHADO, Helena, -, Orientador de teseIdioma: Português.País: Portugal.Publicação: Braga : Instituto de Ciências Sociais, 2014Descrição física: 141 p. : PDF; 30 cmColeção: EstudosNota de dissertação ou tese: Dissertação de Mestrado em Crime, Diferença e DesigualdadeAssunto: 558 | 324781 | 423467 | 693 | 5079 | 279CDU: 316 Localização e Cota : EST1343 Resumo: Esta dissertação debruça-se sobre as perceções dos possíveis impactos que a detenção prisional tem na reinserção social futura de mulheres da etnia cigana, pensando na reinserção social como reconfiguração de relações sociais, pessoais, laborais destas mulheres. Tendo em conta os escassos estudos em Portugal que interligam raça/etnia, crime e género e uma vez que os estabelecimentos prisionais e os serviços públicos não estão a ser totalmente eficientes relativamente à reinserção social da população reclusa, pretendemos, com base em 172 processos individuais, 25 entrevistas a reclusas de etnia cigana e 15 a guardas prisionais, focar-nos em dois pontos centrais: por um lado, a perceção dos guardas prisionais sobre a reinserção desse mesmo grupo, bem como as expetativas das próprias reclusas ciganas relativamente à sua reinserção após a reclusão e, por outro lado, quais as respostas sociais existentes para suprir as necessidades desta população, quer dentro do estabelecimento prisional, quer após a sua saída. Para tal, recorremos ao cruzamento de abordagens metodológicas de ordem quantitativa (através dos processos individuais das reclusas) e qualitativa (entrevistas). Concluímos que o grupo étnico cigano é uma das categorias sociais mais expostas a situações de segregação e discriminação social e pobreza, e que tais marcadores, conjugados com a criminalidade e reclusão, continuam a determinar e restringir fortemente as condições objetivas de vida das mulheres ciganas, para além do mundo prisional. As expetativas de reinserção social das ciganas dividem-se entre o trabalho e a família. O trabalho (que não as feiras), enquanto principal elemento de mudança e o processo pela qual consideram ser o ponto de partida para uma maior igualdade perante os restantes membros da sociedade e melhoria das suas condições económicas; a família por continuar a ser a sua grande preocupação e fator de ambivalência nas suas decisões, reforçando assim o papel da mulher nas comunidades ciganas. Na perspetiva dos guardas prisionais, a reinserção social positiva destas reclusas passaria por uma intervenção baseada na continuação do acompanhamento existente na prisão, quando libertadas. O fator territorial assume aqui também um papel relevante, no sentido de, quando retomadas à liberdade, as reclusas tenderem a dar uma continuidade dos seus percursos de vida, resistindo assim à mudança, conjugando-se assim vários fatores para a reprodução das situações de desigualdade e pobreza.
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Monografias Biblioteca da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais
EST1343 (Browse shelf) 9892 Available DGRSP9892

Dissertação de Mestrado em Crime, Diferença e Desigualdade

Esta dissertação debruça-se sobre as perceções dos possíveis impactos que a detenção
prisional tem na reinserção social futura de mulheres da etnia cigana, pensando na
reinserção social como reconfiguração de relações sociais, pessoais, laborais destas
mulheres.
Tendo em conta os escassos estudos em Portugal que interligam raça/etnia, crime e
género e uma vez que os estabelecimentos prisionais e os serviços públicos não estão a
ser totalmente eficientes relativamente à reinserção social da população reclusa,
pretendemos, com base em 172 processos individuais, 25 entrevistas a reclusas de etnia
cigana e 15 a guardas prisionais, focar-nos em dois pontos centrais: por um lado, a
perceção dos guardas prisionais sobre a reinserção desse mesmo grupo, bem como as
expetativas das próprias reclusas ciganas relativamente à sua reinserção após a reclusão
e, por outro lado, quais as respostas sociais existentes para suprir as necessidades desta
população, quer dentro do estabelecimento prisional, quer após a sua saída. Para tal,
recorremos ao cruzamento de abordagens metodológicas de ordem quantitativa (através
dos processos individuais das reclusas) e qualitativa (entrevistas).
Concluímos que o grupo étnico cigano é uma das categorias sociais mais expostas a
situações de segregação e discriminação social e pobreza, e que tais marcadores,
conjugados com a criminalidade e reclusão, continuam a determinar e restringir
fortemente as condições objetivas de vida das mulheres ciganas, para além do mundo
prisional. As expetativas de reinserção social das ciganas dividem-se entre o trabalho e a
família. O trabalho (que não as feiras), enquanto principal elemento de mudança e o
processo pela qual consideram ser o ponto de partida para uma maior igualdade perante
os restantes membros da sociedade e melhoria das suas condições económicas; a família
por continuar a ser a sua grande preocupação e fator de ambivalência nas suas decisões,
reforçando assim o papel da mulher nas comunidades ciganas.
Na perspetiva dos guardas prisionais, a reinserção social positiva destas reclusas
passaria por uma intervenção baseada na continuação do acompanhamento existente na
prisão, quando libertadas. O fator territorial assume aqui também um papel relevante, no
sentido de, quando retomadas à liberdade, as reclusas tenderem a dar uma continuidade
dos seus percursos de vida, resistindo assim à mudança, conjugando-se assim vários
fatores para a reprodução das situações de desigualdade e pobreza.

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