Experiências de maternidade na prisão : um estudo qualitativo / Tânia Filipa Ramos Soares ; ori. tese Gilda Dias dos Santos, Ana Margarida Amorim dos Santos
Idioma: Português.País: Portugal.Publicação: Porto : Universidade do Porto, 2022Descrição física: VII, 86 f.; 30 cm em PDFColeção: EstudosNota de dissertação ou tese: Dissertação apresentada para obtenção do grau de Mestre em CriminologiaAssunto: 704 | 5106 | 1576 | 104369 | 6286 | 422103 | 5079 | 279CDU: 343.9 Localização e Cota : EST1322 Resumo: A maternidade na prisão tem sido alvo de crescente atenção por parte dos académicos, com a investigação científica em torno das especificidades desta problemática a experienciar um substancial desenvolvimento. Contudo, são, ainda, escassos os estudos empíricos que exploram as perceções das mulheres reclusas como mães. Assim, é necessário compreender como é que as mulheres experienciam a maternidade num contexto tão específico como o da interface entre a prisão – onde a mãe é colocada – e do mundo exterior – onde os filhos se encontram. Nessa senda, a presente investigação teve como objetivo analisar as experiências de maternidade de mulheres encarceradas, portuguesas, separadas dos seus filhos. Para alcançar este objetivo, realizou-se um estudo qualitativo que envolveu a realização de entrevistas semiestruturadas a 23 mães reclusas. Os resultados obtidos sugerem que ser mãe estando na prisão é muito complexo para as participantes, especialmente por se encontrarem separadas dos filhos. Assim, no que respeita à separação mãe-filhos, as participantes experienciam sentimentos de tristeza, angústia e solidão, por um lado, e sentimentos de amor, saudade e motivação, por outro lado. As participantes evidenciam, também, dificuldades em realizar a maioria das práticas associadas à maternidade. Acresce que as participantes associam os problemas emocionais, educacionais, comportamentais e sociais que os filhos sofrem à separação. Em alguns casos, as participantes referem, ainda, que tal separação desafia o relacionamento mãe-filhos. Quanto à manutenção do papel materno, dada a importância desse papel e o facto de as participantes considerarem que o mesmo se encontra comprometido, estas empregam diversas estratégias para manterem o seu papel de mães. As narrativas das participantes permitem, igualmente, perceber a importância da rede de suporte formal ou informal e do suporte institucional na manutenção desse papel. Por último, as participantes expressam planos de se reunirem com os filhos e a família após o cumprimento da medida privativa de liberdade. Estes resultados são discutidos à luz da literatura teórica e empírica no âmbito da maternidade na prisão. Adicionalmente, são apontadas as principais limitações do estudo, procurando-se avançar com pistas para investigações futuras.| Item type | Current location | Call number | Copy number | Status | Date due | Barcode |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Monografias | Biblioteca da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais | EST1322 (Browse shelf) | 9841 | Available | DGRSP9841 |
Dissertação apresentada para obtenção do grau de Mestre em Criminologia
A maternidade na prisão tem sido alvo de crescente atenção por parte dos académicos, com
a investigação científica em torno das especificidades desta problemática a experienciar um
substancial desenvolvimento. Contudo, são, ainda, escassos os estudos empíricos que exploram
as perceções das mulheres reclusas como mães. Assim, é necessário compreender como é que
as mulheres experienciam a maternidade num contexto tão específico como o da interface entre
a prisão – onde a mãe é colocada – e do mundo exterior – onde os filhos se encontram. Nessa
senda, a presente investigação teve como objetivo analisar as experiências de maternidade de
mulheres encarceradas, portuguesas, separadas dos seus filhos. Para alcançar este objetivo,
realizou-se um estudo qualitativo que envolveu a realização de entrevistas semiestruturadas a
23 mães reclusas. Os resultados obtidos sugerem que ser mãe estando na prisão é muito
complexo para as participantes, especialmente por se encontrarem separadas dos filhos. Assim,
no que respeita à separação mãe-filhos, as participantes experienciam sentimentos de tristeza,
angústia e solidão, por um lado, e sentimentos de amor, saudade e motivação, por outro lado.
As participantes evidenciam, também, dificuldades em realizar a maioria das práticas
associadas à maternidade. Acresce que as participantes associam os problemas emocionais,
educacionais, comportamentais e sociais que os filhos sofrem à separação. Em alguns casos, as
participantes referem, ainda, que tal separação desafia o relacionamento mãe-filhos. Quanto à
manutenção do papel materno, dada a importância desse papel e o facto de as participantes
considerarem que o mesmo se encontra comprometido, estas empregam diversas estratégias
para manterem o seu papel de mães. As narrativas das participantes permitem, igualmente,
perceber a importância da rede de suporte formal ou informal e do suporte institucional na
manutenção desse papel. Por último, as participantes expressam planos de se reunirem com os
filhos e a família após o cumprimento da medida privativa de liberdade. Estes resultados são
discutidos à luz da literatura teórica e empírica no âmbito da maternidade na prisão.
Adicionalmente, são apontadas as principais limitações do estudo, procurando-se avançar com
pistas para investigações futuras.
There are no comments for this item.