Fatores Individuais e de Socialização da Delinquência Juvenil : uma perspetiva desenvolvimental / Ana Margarida Amorim dos Santos ; ori.tese Cândido da Agra, Carla Sofia Cardoso
Idioma: Português.País: Portugal.Publicação: Porto : Faculdade de Direito, 2019Descrição física: 384 p.; 30 cmColeção: EstudosNota de dissertação ou tese: Tese apresentada na Faculdade de Direito da Universidade do Porto, para a obtenção do grau de Doutor em CriminologiaAssunto: 704 | 689 | 7792 | 10223 | 102362 | 5155CDU: 343.9 Localização e Cota : EST1303 Resumo: A presente investigação teve como objetivo fundamental identificar os preditores individuais e de socialização da delinquência juvenil, através de uma abordagem longitudinal breve com duas waves de recolha de dados. Mais concretamente, procurouse perceber de que forma as emoções morais de culpa e vergonha, o temperamento e os comportamentos de externalização, por um lado, e as práticas parentais, os pares, o contexto escolar e residencial, por outro, contribuem para explicar o envolvimento na prática de atos transgressivos durante a adolescência. Este objetivo foi prosseguido com a aplicação de questionários aos pais (n=175 em T1 e 86 em T2), a aplicação de um inquérito de delinquência autorrevelada e a realização de duas tarefas comportamentais às crianças e jovens (n=241 em T1 e 185 em T2) com idades compreendidas entre os 10 e 20 anos. Os resultados obtidos sugerem que a propensão para sentir culpa, mas já não a propensão para sentir vergonha, está negativamente correlacionada com a delinquência em ambas as waves. A análise transversal demonstrou também que, na primeira wave, a delinquência de pares, a realização de atividades antissociais em grupo e a procura de sensações emergiram como preditores positivos da delinquência autorrevelada. Na segunda wave, esta variável foi explicada pela delinquência de pares, pelos comportamentos de externalização e pelo baixo autocontrolo. Por sua vez, a análise longitudinal revelou que os comportamentos de externalização, a realização de atividades antissociais em grupo e a perceção sobre as desordens e incivilidades na zona de residência, avaliadas na primeira wave, predizem positivamente a delinquência avaliada na segunda wave. Verificou-se também que os jovens do sexo masculino cometem mais atos delinquentes, reportam mais delinquência de pares e atividades antissociais em grupo e apresentam menos comportamentos prosociais e menos propensão para sentir culpa e vergonha, do que as jovens do sexo feminino. Por último, descobriu-se que a culpa medeia a relação entre a disciplina parental inconsistente e a delinquência e que níveis mais baixos de culpa moderam a relação entre controlo por esforço e a delinquência. Acresce que, a associação entre delinquência de pares e delinquência autorrevelada também surgiu moderada pela disciplina parental inconsistente elevada. Estes e outros resultados são discutidos à luz das teorias e estudos empíricos da Criminologia Desenvolvimental| Item type | Current location | Call number | Copy number | Status | Date due | Barcode |
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| Monografias | Biblioteca da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais | EST1303 (Browse shelf) | 9799 | Available | DGRSP9799 |
Tese apresentada na Faculdade de Direito da Universidade do Porto, para a obtenção do grau de Doutor em Criminologia
A presente investigação teve como objetivo fundamental identificar os preditores
individuais e de socialização da delinquência juvenil, através de uma abordagem
longitudinal breve com duas waves de recolha de dados. Mais concretamente, procurouse perceber de que forma as emoções morais de culpa e vergonha, o temperamento e os
comportamentos de externalização, por um lado, e as práticas parentais, os pares, o
contexto escolar e residencial, por outro, contribuem para explicar o envolvimento na
prática de atos transgressivos durante a adolescência. Este objetivo foi prosseguido com
a aplicação de questionários aos pais (n=175 em T1 e 86 em T2), a aplicação de um
inquérito de delinquência autorrevelada e a realização de duas tarefas comportamentais
às crianças e jovens (n=241 em T1 e 185 em T2) com idades compreendidas entre os 10
e 20 anos. Os resultados obtidos sugerem que a propensão para sentir culpa, mas já não
a propensão para sentir vergonha, está negativamente correlacionada com a delinquência
em ambas as waves. A análise transversal demonstrou também que, na primeira wave, a
delinquência de pares, a realização de atividades antissociais em grupo e a procura de
sensações emergiram como preditores positivos da delinquência autorrevelada. Na
segunda wave, esta variável foi explicada pela delinquência de pares, pelos
comportamentos de externalização e pelo baixo autocontrolo. Por sua vez, a análise
longitudinal revelou que os comportamentos de externalização, a realização de atividades
antissociais em grupo e a perceção sobre as desordens e incivilidades na zona de
residência, avaliadas na primeira wave, predizem positivamente a delinquência avaliada
na segunda wave. Verificou-se também que os jovens do sexo masculino cometem mais
atos delinquentes, reportam mais delinquência de pares e atividades antissociais em grupo
e apresentam menos comportamentos prosociais e menos propensão para sentir culpa e
vergonha, do que as jovens do sexo feminino. Por último, descobriu-se que a culpa medeia
a relação entre a disciplina parental inconsistente e a delinquência e que níveis mais
baixos de culpa moderam a relação entre controlo por esforço e a delinquência. Acresce
que, a associação entre delinquência de pares e delinquência autorrevelada também surgiu
moderada pela disciplina parental inconsistente elevada. Estes e outros resultados são
discutidos à luz das teorias e estudos empíricos da Criminologia Desenvolvimental
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