Transexualidade nos cuidados de saúde primários / Júlia Isabel Marques Martinho ; ori.tese Luís Andrés Amorim Alves
Idioma: Português.País: Portugal.Publicação: Porto : [s.n.], 2019Descrição física: 62 p.; PDFColeção: EstudosNota de dissertação ou tese: Mestrado Integrado em Medicina Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Universidade do Porto Assunto: | CUIDADOS DE SAÚDE | TRANSEXUALISMO | MINORIAS SEXUAIS | IDENTIDADE DO GÉNERO | TESE DE MESTRADO CDU: 61 Localização e Cota : EST1253 Resumo: As pessoas transexuais encontram-se mais suscetíveis a discriminação em geral e no contexto dos cuidados de saúde em particular. As orientações clínicas sobre a prestação de cuidados a transexuais têm evoluído para incluir os cuidados de saúde primários, para responder às necessidades gerais de saúde antes, durante e após eventuais mudanças no papel de género. As especificidades destes cuidados e a necessidade de evitar fenómenos discriminatórios contextualizam a relevância do estudo das experiências de utentes transexuais e atitudes e conhecimento dos profissionais. Objetivo: Avaliar as experiências e satisfação de transexuais com os cuidados de saúde primários e as atitudes e conhecimentos desses profissionais de saúde face à transexualidade. Metodologia: A seleção de artigos decorreu entre novembro de 2018 e maio de 2019, através das bases de dados PubMed, Scopus e Web of Science. Foram incluídos artigos de investigação originais, publicados nos últimos 10 anos, em inglês ou português, com metodologia qualitativa, quantitativa ou mista, acerca da experiência de utentes transexuais com os cuidados de saúde primários ou das atitudes ou conhecimento desses profissionais relativamente à transexualidade. Foram excluídos artigos de revisão e artigos originais sem resultados ou conclusões sobre a população transexual em específico, separadamente. Resultados: Foram identificados 2462 artigos através da pesquisa das bases de dados. Quinze estudos cumpriram todos os critérios para inclusão nesta revisão. Utentes transexuais descreveram experiências negativas e de discriminação, desconforto em revelar a sua transexualidade e abordar assuntos relacionados com os profissionais, perceção de falta de conhecimentos dos profissionais e necessidade de os educarem, experiências positivas em unidades preparadas para os receber e aquilo que procuram dos cuidados de saúde primários. Os profissionais identificaram défices no seu conhecimento, falta de formação no seu percurso académico, necessidade de formação adicional, dificuldades no acesso a recursos e determinantes do sistema de saúde que interferiam com a prestação dos cuidados. Em unidades com experiência clínica com transexuais, verificaram-se atitudes positivas e o reconhecimento da importância dos cuidados de saúde primários a estes utentes. Conclusões: Foi possível identificar várias barreiras ao acesso aos cuidados de saúde primários, podendo ter utilidade para definir estratégias eficazes para as combater. Observou-se uma tendência para as atitudes e conhecimentos positivos dos profissionais se associarem a maior experiência clínica e acesso a formação relevante, ao nível universitário e pós-graduado.| Item type | Current location | Call number | Copy number | Status | Date due | Barcode |
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| Monografias | Biblioteca da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais | EST1253 (Browse shelf) | 9679 | Available | DGRSP9679 |
Mestrado Integrado em Medicina Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Universidade do Porto
As pessoas transexuais encontram-se mais suscetíveis a
discriminação em geral e no contexto dos cuidados de saúde em particular. As
orientações clínicas sobre a prestação de cuidados a transexuais têm evoluído
para incluir os cuidados de saúde primários, para responder às necessidades
gerais de saúde antes, durante e após eventuais mudanças no papel de género.
As especificidades destes cuidados e a necessidade de evitar fenómenos
discriminatórios contextualizam a relevância do estudo das experiências de
utentes transexuais e atitudes e conhecimento dos profissionais.
Objetivo: Avaliar as experiências e satisfação de transexuais com os cuidados
de saúde primários e as atitudes e conhecimentos desses profissionais de saúde
face à transexualidade.
Metodologia: A seleção de artigos decorreu entre novembro de 2018 e maio de
2019, através das bases de dados PubMed, Scopus e Web of Science. Foram
incluídos artigos de investigação originais, publicados nos últimos 10 anos, em
inglês ou português, com metodologia qualitativa, quantitativa ou mista, acerca
da experiência de utentes transexuais com os cuidados de saúde primários ou
das atitudes ou conhecimento desses profissionais relativamente à
transexualidade. Foram excluídos artigos de revisão e artigos originais sem
resultados ou conclusões sobre a população transexual em específico,
separadamente.
Resultados: Foram identificados 2462 artigos através da pesquisa das bases de
dados. Quinze estudos cumpriram todos os critérios para inclusão nesta revisão.
Utentes transexuais descreveram experiências negativas e de discriminação,
desconforto em revelar a sua transexualidade e abordar assuntos relacionados
com os profissionais, perceção de falta de conhecimentos dos profissionais e
necessidade de os educarem, experiências positivas em unidades preparadas
para os receber e aquilo que procuram dos cuidados de saúde primários. Os
profissionais identificaram défices no seu conhecimento, falta de formação no
seu percurso académico, necessidade de formação adicional, dificuldades no
acesso a recursos e determinantes do sistema de saúde que interferiam com a
prestação dos cuidados. Em unidades com experiência clínica com transexuais,
verificaram-se atitudes positivas e o reconhecimento da importância dos
cuidados de saúde primários a estes utentes.
Conclusões: Foi possível identificar várias barreiras ao acesso aos cuidados de
saúde primários, podendo ter utilidade para definir estratégias eficazes para as
combater. Observou-se uma tendência para as atitudes e conhecimentos
positivos dos profissionais se associarem a maior experiência clínica e acesso a
formação relevante, ao nível universitário e pós-graduado.
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