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Manifestações delinquenciais do género feminino – o elemento violência / José Manuel Pires Leal

Autor: LEAL, José Manuel PiresIn: Investigação Criminal.ISSN 1647-9300. Lisboa. Nº 4 (Dezembro 2012) , p. 166-186Idioma: Português.Assunto: CRIMINALIDADE FEMININA | ESTATÍSTICAS CRIMINAIS | ANÁLISE SOCIAL Resumo: As estatísticas anuais sobre o crime, evidenciam o sexo masculino como a categoria de género com maior índice de participação no crime. Todavia se tomarmos em termos de análise a relação proporcional da distribuição de ambos os sexos pelos diversos tipos de crime, o género feminino apresenta índices proporcionalmente mais elevados na criminalidade violenta, em particular através das ofensas à integridade física, que os expressos pelo género masculino, cujo índice mais elevado de envolvimento no crime se encontra associado aos crimes contra o património. Tais evidências resultantes da interpretação transversal das estatísticas oficiais sobre o crime em função do género, são em certa medida contraditadas pelos estudos longitudinais, os quais demonstram que o elemento violência em trajetórias de indivíduos do sexo feminino reincidentes revela-se espúrio, não obstante vincar as trajetórias onde se exprime, constituindo-se num elemento atractor de outros comportamentos violentos nessas trajetórias. Tal remete-nos para a hipótese de que a violência de reduzida gravidade – ofensas à integridade física simples – é manifestamente expressa por indivíduos que não tendem a desenvolver trajetórias delinquentes prolongadas no tempo. Em suma, embora se evidencie o facto de não existir uma relação entre o tipo de participação no crime e as características de sexo, os fatores condicionantes nos planos sociocultural, económico e simbólico de pertença a determinada categoria de género, construída socialmente, vincam a expressividade quantitativa e qualitativa de participação no crime, resultado da repercussão dos papéis, do estatuto e dos lugares que homens e mulheres têm ocupado no imbricado tecido social ao longo da história da sociedade portuguesa.
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Analíticos de Periódicos Biblioteca da Polícia Judiciária
PJ33137 (Browse shelf) Available

(*). Resumo inserto no artigo.

As estatísticas anuais sobre o crime, evidenciam o sexo masculino como a categoria de género com maior índice de participação no crime. Todavia se tomarmos em termos de análise a relação proporcional da distribuição de ambos os sexos pelos diversos tipos de crime, o género feminino apresenta índices proporcionalmente mais elevados na criminalidade violenta, em particular através das ofensas à integridade física, que os expressos pelo género masculino, cujo índice mais elevado de envolvimento no crime se encontra associado aos crimes contra o património. Tais evidências resultantes da interpretação transversal das estatísticas oficiais sobre o crime em função do género, são em certa medida contraditadas pelos estudos longitudinais, os quais demonstram que o elemento violência em trajetórias de indivíduos do sexo feminino reincidentes revela-se espúrio, não obstante vincar as trajetórias onde se exprime, constituindo-se num elemento atractor de outros comportamentos violentos nessas trajetórias. Tal remete-nos para a hipótese de que a violência de reduzida gravidade – ofensas à integridade física simples – é manifestamente expressa por indivíduos que não tendem a desenvolver trajetórias delinquentes prolongadas no tempo. Em suma, embora se evidencie o facto de não existir uma relação entre o tipo de participação no crime e as características de sexo, os fatores condicionantes nos planos sociocultural, económico e simbólico de pertença a determinada categoria de género, construída socialmente, vincam a expressividade quantitativa e qualitativa de participação no crime, resultado da repercussão dos papéis, do estatuto e dos lugares que homens e mulheres têm ocupado no imbricado tecido social ao longo da história da sociedade portuguesa.

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