A psicanálise e o direito : a necessidade do direito : a realização do direito / Ana Elisabete Ferreira
In: Boletim da faculdade de direito de coimbra. - Vol.86 (2010),p.751-801Idioma: Português.Publicação: , 2010Assunto: PSICANÁLISE | DIREITO | PESQUISA CIENTÍFICA | CIÊNCIA DO COMPORTAMENTO Resumo: O homem não é, de modo algum, esse ser complacente, com o coração sedento de amor, do qual é costume dizer que se defende quando o atacam, mas, pelo contrário, um ser que deve contar entre os seus dados instintivos uma boa dose de agressividade. Esta tendência para a agressão, que podemos descobrir em nós e que supomos com razão existir nos outros, constitui o principal factor de perturbação nas nossas relações com o próximo; é ela que impõe à civilização tantos esforços.Foi justamente por Freud que pudemos perceber que os instintos Eros e "Thanatos" não são passíveis de um juizo de censura de cariz ético; não são bons ou maus; não constituem forças antagónicas. Ambos visam a alívio da tensão, porque o sistema nervoso parece necessitar de orientar-se segundo um "princípio da constância",hodiernamente diríamos, nas palavras de António Damásio, que o ser humano tem de procurar sempre, ininterrupta e inabscindidamente, a sua homeostase.| Item type | Current location | Call number | Status | Date due | Barcode |
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| Analíticos de Periódicos | Biblioteca do Instituto de Polícia Judiciária e Ciências Criminais | IPJCCPP.8952 (Browse shelf) | Available |
O homem não é, de modo algum, esse ser complacente, com o coração sedento de amor, do qual é costume dizer que se defende quando o atacam, mas, pelo contrário, um ser que deve contar entre os seus dados instintivos uma boa dose de agressividade. Esta tendência para a agressão, que podemos descobrir em nós e que supomos com razão existir nos outros, constitui o principal factor de perturbação nas nossas relações com o próximo; é ela que impõe à civilização tantos esforços.
Foi justamente por Freud que pudemos perceber que os instintos Eros e "Thanatos" não são passíveis de um juizo de censura de cariz ético; não são bons ou maus; não constituem forças antagónicas. Ambos visam a alívio da tensão, porque o sistema nervoso parece necessitar de orientar-se segundo um "princípio da constância",hodiernamente diríamos, nas palavras de António Damásio, que o ser humano tem de procurar sempre, ininterrupta e inabscindidamente, a sua homeostase.
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