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Da rua dificilmente se sai sozinho! / Ana Paula Marques, Carlos Fugas

Autor: MARQUES, Ana PaulaCo-autor: FUGAS, CarlosIn: Toxidependências. Lisboa. A.2,n.3 (Nov.1996) , p.3-12Idioma: Português.Assunto: TOXICODEPENDÊNCIA Localização e Cota : P.215 Resumo: O actual sistema de cuidados postos ao serviço dos toxicodependentes pelas entidades estatais está prioritariamente vocacionado para um entendimento individual, de índole clínica e com respostas que pouco se adequam a utentes que não dispõem de qualquer rectaguarda que os apoie/enquadre na sua procura de saída da dependência das drogas ilícitas. Os denominados projectos de redução de riscos para os mais desprotegidos são mais falados e discutidos do que postos em prática ou, mais concretamente, não têm beneficiado de estímulos/incentivos que facilitem a sua experimentação e avaliação. Os projectos piloto existentes debatem-se com resistências várias que se prendem fundamentalmente com uma postura de fraca flexibilidade ainda vigente nalgumas instituições de saúde que se pautam por modelos organizacionais e de intervenção que não têm em conta a complexidade da dificuldade extrema de 'sair da droga' e a enorme diversidade de casos/situações. O fundamental acto de 'tratar', que não é sinónimo de 'curar', fica circunscrito ao 'gabinete' e àqueles que o co-habitam uma hora, uma vez por semana. À excepção deste intervalo de 60 minutos, o toxicodependente deve gerir-se por si próprio. No caso do toxicodependente de rua todo este quadro adquire contornos mais preocupantes, agravando, de forma dolorosa para o próprio, a procura duma saída: a solidão, a pobreza, a rejeição social e, evidentemente a droga, são as 'companheiras' que tem ao seu dispôr. Sair da rua é um acto de coragem e uma opção pela vontade de querer viver em comum com os outros. Sozinho é difícil... .
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Analíticos de Periódicos Biblioteca da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais
P.215 (Browse shelf) Available

O actual sistema de cuidados postos ao serviço dos toxicodependentes pelas entidades estatais está prioritariamente vocacionado para um entendimento individual, de índole clínica e com respostas que pouco se adequam a utentes que não dispõem de qualquer rectaguarda que os apoie/enquadre na sua procura de saída da dependência das drogas ilícitas. Os denominados projectos de redução de riscos para os mais desprotegidos são mais falados e discutidos do que postos em prática ou, mais concretamente, não têm beneficiado de estímulos/incentivos que facilitem a sua experimentação e avaliação. Os projectos piloto existentes debatem-se com resistências várias que se prendem fundamentalmente com uma postura de fraca flexibilidade ainda vigente nalgumas instituições de saúde que se pautam por modelos organizacionais e de intervenção que não têm em conta a complexidade da dificuldade extrema de 'sair da droga' e a enorme diversidade de casos/situações. O fundamental acto de 'tratar', que não é sinónimo de 'curar', fica circunscrito ao 'gabinete' e àqueles que o co-habitam uma hora, uma vez por semana. À excepção deste intervalo de 60 minutos, o toxicodependente deve gerir-se por si próprio. No caso do toxicodependente de rua todo este quadro adquire contornos mais preocupantes, agravando, de forma dolorosa para o próprio, a procura duma saída: a solidão, a pobreza, a rejeição social e, evidentemente a droga, são as 'companheiras' que tem ao seu dispôr. Sair da rua é um acto de coragem e uma opção pela vontade de querer viver em comum com os outros. Sozinho é difícil... .

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