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Cuidar entre as grades : vivências dos enfermeiros / Natália Susana Correia Soares Gonçalves ; ori. tese Ana Paula França

Autor: GONÇALVES, Natália Susana Correia Soares Co-autor: FRANÇA, Ana Paula FrançaIdioma: Português.Publicação: Porto : [s.n.], 2014Descrição física: 155, [10] p.; 30 cm em PDFColeção: EstudosAssunto: 1408 | 104985 | 5947 | 104934 | 4927 | 104369 | 550 | 4085 | 5106 | 102630 | 5079 | 279Localização e Cota : EST1122 Resumo: Cuidar na prisão é cuidar a pessoa que perdeu um bem fundamental, a liberdade física, que vive num ambiente hostil, que pela sua trajectória de vida apresenta necessidades de saúde e que sofre pela vivência da reclusão. O contexto prisional, vocacionado para a punição, não é um ambiente aparentemente facilitador para o cuidar. O presente estudo com o tema “Cuidar Entre as Grades: Vivências dos Enfermeiros”, tem como objectivo compreender a experiência vivida pelos enfermeiros de cuidar reclusos em estabelecimentos prisionais. Para a realização deste estudo enveredamos pela abordagem fenomenológica de Amadeo Giorgi, realizando entrevistas a catorze enfermeiros que no seu quotidiano vivem a experiência de cuidar reclusos em estabelecimentos prisionais do país. Das unidades de significado dos discursos dos enfermeiros emergiu a estrutura essencial da vivência de cuidar reclusos, constituída por três componentes: Vivendo o Cuidar na Reclusão, Humanizando o Cuidar na Reclusão e Experienciando as Dificuldades do Cuidar na Reclusão, enquadradas nos contextos: Ambiente Intramuros, Compromisso com a Pessoa Reclusa, Estar Doente Intramuros, Ser Enfermeiro Intramuros e Cuidar Dentro da Grades. Das experiências vividas dos enfermeiros emerge a prisão como um contexto hostil, vocacionado para a segurança e potencialmente não terapêutico. A pessoa reclusa está vulnerável, pelo sofrimento de viver em reclusão, num espaço sobrelotado e pela doença entre grades. Estes enfermeiros expressaram ainda fragilidades no cuidar: sentimentos de insegurança, desvalorização profissional, fragilidade laboral e necessidade em criar barreiras na relação com o recluso. A doença no espaço intramuros tem contornos exacerbados. Os enfermeiros valorizam a compreensão do sofrimento que, quer seja físico ou emocional, consideram sofrimento. A relação de cuidar dos enfermeiros é demonstrada pela sua disponibilidade, empatia e preservação da dignidade, humanizando o momento de cuidar. Cuidar reporta-se ao cuidado assistencial, perspectivando a capacitação do recluso no seu projecto de saúde, para o seu futuro além da reclusão, incutindo-lhe esperança. A vivência de cuidar reclusos pode despertar um turbilhão de sentimentos ambivalentes que os enfermeiros manifestam ter capacidade de gerir, sugerindo que o que parece ser um dilema, é uma oportunidade de reflectir e melhorar a relação de cuidar, tornando-a mais autêntica e num momento de crescimento profissional. Das vivências destes participantes de cuidar na prisão podemos perceber que o que parece ser um contexto à priori com fragilidades para o cuidar, emerge como uma oportunidade para proporcionar um cuidar humanizador aos reclusos.
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Monografias Biblioteca da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais
EST1122 (Browse shelf) 3965 Available DGRSP39651252997

Dissertação para grau de Mestre em Ciências da Enfermagem submetida ao Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto.

Cuidar na prisão é cuidar a pessoa que perdeu um bem fundamental, a liberdade física, que vive num ambiente hostil, que pela sua trajectória de vida apresenta necessidades de saúde e que sofre pela vivência da reclusão. O contexto prisional, vocacionado para a punição, não é um ambiente aparentemente facilitador para o cuidar. O presente estudo com o tema “Cuidar Entre as Grades: Vivências dos Enfermeiros”, tem como objectivo compreender a experiência vivida pelos enfermeiros de cuidar reclusos em estabelecimentos prisionais. Para a realização deste estudo enveredamos pela abordagem fenomenológica de Amadeo Giorgi, realizando entrevistas a catorze enfermeiros que no seu quotidiano vivem a experiência de cuidar reclusos em estabelecimentos prisionais do país. Das unidades de significado dos discursos dos enfermeiros emergiu a estrutura essencial da vivência de cuidar reclusos, constituída por três componentes: Vivendo o Cuidar na Reclusão, Humanizando o Cuidar na Reclusão e Experienciando as Dificuldades do Cuidar na Reclusão, enquadradas nos contextos: Ambiente Intramuros, Compromisso com a Pessoa Reclusa, Estar Doente Intramuros, Ser Enfermeiro Intramuros e Cuidar Dentro da Grades. Das experiências vividas dos enfermeiros emerge a prisão como um contexto hostil, vocacionado para a segurança e potencialmente não terapêutico. A pessoa reclusa está vulnerável, pelo sofrimento de viver em reclusão, num espaço sobrelotado e pela doença entre grades. Estes enfermeiros expressaram ainda fragilidades no cuidar: sentimentos de insegurança, desvalorização profissional, fragilidade laboral e necessidade em criar barreiras na relação com o recluso. A doença no espaço intramuros tem contornos exacerbados. Os enfermeiros valorizam a compreensão do sofrimento que, quer seja físico ou emocional, consideram sofrimento. A relação de cuidar dos enfermeiros é demonstrada pela sua disponibilidade, empatia e preservação da dignidade, humanizando o momento de cuidar. Cuidar reporta-se ao cuidado assistencial, perspectivando a capacitação do recluso no seu projecto de saúde, para o seu futuro além da reclusão, incutindo-lhe esperança. A vivência de cuidar reclusos pode despertar um turbilhão de sentimentos ambivalentes que os enfermeiros manifestam ter capacidade de gerir, sugerindo que o que parece ser um dilema, é uma oportunidade de reflectir e melhorar a relação de cuidar, tornando-a mais autêntica e num momento de crescimento profissional. Das vivências destes participantes de cuidar na prisão podemos perceber que o que parece ser um contexto à priori com fragilidades para o cuidar, emerge como uma oportunidade para proporcionar um cuidar humanizador aos reclusos.

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