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Introdução: O suicídio constitui uma das principais causas de morte violenta nas prisões em<br/>todo o mundo. Vários estudos têm mostrado que o número de suicídios nas prisões é mais<br/>elevado do que na população em geral, e que a tentativa de suicídio constitui um forte preditor<br/>do suicídio consumado. No entanto, os factores de risco subjacentes às tentativas de suicídio<br/>em meio prisional são ainda insuficientemente conhecidos.<br/>Objectivos: Com o objectivo de contribuir para uma melhor compreensão do fenómeno, este<br/>estudo pretende caracterizar uma população de indivíduos que cometeram tentativas de<br/>suicídio na prisão, identificando factores pessoais, características de personalidade e sintomas<br/>psicopatológicos, bem assim como outros factores de risco associados à ideação suicida e à<br/>passagem ao acto.<br/>Sujeitos e métodos: Foram estudados 157 indivíduos do sexo masculino, distribuídos por três<br/>grupos: um grupo experimental constituído por indivíduos que cometeram tentativa(s) de<br/>suicídio na prisão (N=52), um grupo de controlo, cujos sujeitos não possuíam antecedentes de<br/>tentativas de suicídio (N=52), e um segundo grupo de controlo, com indivíduos vivendo na<br/>comunidade e, igualmente, sem tentativas de suicídio (N=53). Além de uma entrevista semiestruturada, que permitiu caracterizar os participantes em relação a diferentes variáveis, foram<br/>utilizados o Inventário de Personalidade NEO PI-R e o Inventário de Sintomas Psicopatológicos<br/>(BSI), cujos resultados foram tratados estatisticamente usando a versão 19® do SPSS para<br/>Windows.<br/>Resultados: Os dados sóciodemográficos mostram que os reclusos que cometeram tentativas<br/>de suicídio em meio prisional tinham uma média de idades de 36 anos (±10,2),<br/>maioritariamente solteiros (67,3%), com o 1.º ciclo de escolaridade ou menos (46,2%), com<br/>história de abuso/dependência de substâncias psicoactivas (57,7%) e comportamentos<br/>autodestrutivos (69,2%). Além disso, (69,2%) tinham um diagnóstico psiquiátrico de<br/>perturbação mental e 78,8% estavam a tomar medicação psicotrópica. A maioria (69,2%)<br/>possuía antecedentes criminais, tendo sido condenado, por crimes contra o património (50%)<br/>e/ou crimes contra as pessoas (38,5%), e tinha cometido tentativas de suicídio prévias (71,2%) A tentativa de suicídio actual foi cometida na maioria dos casos por enforcamento (57,7%), no<br/>período compreendido entre as 18H e as 24 horas (32,7%). Os resultados do NEO PI-R<br/>revelaram que estes indivíduos apresentam uma personalidade caracterizada por elevados<br/>níveis de neuroticismo (78.6 ± 19.06) e reduzidos índices de extroversão (32.7 ± 26.46), com<br/>traços marcadamente depressivos (82.9 ± 20.60). Encontraram-se ainda traços de<br/>vulnerabilidade (73.8 ± 21.72), ansiedade (72.8 ± 23.92) e hostilidade (71.6 ± 23.50) e<br/>impulsividade (63,5 ± 25,85) igualmente acentuados nestes indivíduos, ao contrário das facetas<br/>acolhimento (25.71 ± 22.12) e de confiança (26.77 ± 20.38) que apresentam valores muito baixos.<br/>Adicionalmente, os dados do BSI revelam um Índice de Sintomas Positivos (2.41 ± 0.48)<br/>elevado, mostrando que estes indivíduos apresentam mais frequentemente sintomatologia<br/>psicopatológica.<br/>Conclusões: Os reclusos que cometeram tentativa de suicídio em meio prisional apresentam,<br/>relativamente aos grupos de controlo, mais factores de risco de suicídio, nomeadamente mais<br/>sintomatologia psicopatológica, em especial depressão e ideação paranóide, bem assim como<br/>uma maior vulnerabilidade, ansiedade, hostilidade e impulsividade. |